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Transição energética no transporte público avança, mas ainda enfrenta entraves estruturais

No Brasil, a descarbonização no transporte público avançou em diretrizes, tecnologia e presença no debate público, mas ainda enfrenta dificuldades para ganhar escala

Publicado em 09/06/2026 por Alexandre Asquini

(Arquivo/Divulgação)
(Arquivo/Divulgação)

Um dos blocos do Anuário do Ônibus e da Mobilidade Urbana 2026, recentemente publicado pela OTM Editora, discute o avanço e o atual estágio da transição energética no transporte público, num trabalho da jornalista Andreia Rodrigues.

O texto mostra que a transição energética no transporte público brasileiro avançou em diretrizes, tecnologia e presença no debate público, mas ainda enfrenta dificuldades para ganhar escala. Impulsionada pela agenda climática, pela realização da COP30 e pelo Plano Clima, a descarbonização passou a orientar políticas de mobilidade, especialmente no transporte urbano, onde a eletrificação e o uso de combustíveis alternativos começam a substituir o diesel. Ainda assim, infraestrutura insuficiente, custos elevados, dificuldades de financiamento e falta de integração entre transporte, energia e planejamento urbano seguem limitando o ritmo da mudança.

Desafio sistêmico

Para Iêda Maria Oliveira, diretora-executiva da Eletra, o principal desafio não é tecnológico, mas sistêmico. Segundo ela, a eletrificação já é tecnicamente viável, porém depende de expansão da infraestrutura de recarga, reforço da rede elétrica, adaptação das garagens e maior coordenação entre políticas públicas. A executiva também destaca que não existe solução única: eletrificação, GNV e biometano devem coexistir conforme as características de cada operação. Na avaliação dela, o país já possui diretrizes e tecnologia, mas ainda carece de regulamentação, planejamento integrado e escala de investimentos para transformar intenção em implementação efetiva.

Fragilidade econômica

Na visão de Francisco Christovam, diretor-presidente da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), a transição energética esbarra principalmente na fragilidade econômica do setor. Embora o transporte coletivo seja reconhecido como peça central da descarbonização, a expansão da frota limpa ainda depende de financiamento estruturado e de um novo modelo econômico para os sistemas urbanos. Christovam avalia que alternativas como o biometano podem funcionar como solução de transição, mas alerta que o custo da mudança não pode ser repassado ao passageiro. Para ele, o maior ganho ambiental continua sendo o fortalecimento do transporte coletivo frente ao individual.

Infraestrutura é um gargalo

Já Olímpio Alvares, membro do Comfrota, aponta que o principal gargalo está na infraestrutura elétrica necessária para abastecer grandes frotas. Segundo ele, a tecnologia dos ônibus elétricos amadureceu e o debate se tornou mais consistente, mas a ampliação das redes de energia exige investimentos elevados, planejamento de longo prazo e articulação com concessionárias. Olímpio também reforça que diferentes tecnologias apresentam limitações operacionais e econômicas, como autonomia reduzida e impacto no peso dos veículos, o que exige análise cuidadosa de cada contexto. “O transporte público não pode falhar”, resume.

Ideia de justiça social

Para Renato Boareto, especialista em mobilidade urbana e gestão ambiental, a transição energética precisa estar associada à ideia de justiça social. Ele defende que o transporte coletivo deve receber tratamento diferenciado nas políticas públicas, com subsídios e incentivos que impeçam a transferência de custos para os usuários de menor renda. Boareto também destaca que a descarbonização não depende apenas da troca de combustíveis, mas da mudança no padrão de mobilidade urbana, com priorização do transporte coletivo e redução do uso do automóvel. Na avaliação dele, o país avançou no planejamento, mas a velocidade da transição dependerá da ampliação dos investimentos e da coordenação entre políticas públicas.

Acesse o Anuário

A íntegra desta reportagem, com todas as análises e entrevistas completas, está disponível no Anuário do Ônibus e da Mobilidade Urbana 2026. Clique AQUI

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