ENTREVISTA: Fernanda Caraballo, vice-presidente de Desenvolvimento de Negócios da Mastercard
O Prêmio EMV no Transporte Coletivo, que chega a sua segunda edição, é uma iniciativa da OTM Editora com o apoio da Mastercard, com objetivo de reconhecer os avanços tecnológicos, projetos inovadores e boas práticas voltados à experiência de pagamento
Publicado em 03/11/2026 por Márcia Pinna

Technibus – Conte-nos mais sobre o Prêmio EMV no Transporte e os objetivos da iniciativa?
Fernanda Caraballo – É um prazer falar sobre transporte público e mobilidade urbana. A Mastercard está, pelo segundo ano consecutivo, trazendo o Prêmio EMV no Transporte em parceria com a OTM Editora, integrando o evento Maiores do Transporte e Melhores do Transporte, que já está em sua 39ª edição. Nosso objetivo com essa categoria é reconhecer os avanços tecnológicos, projetos inovadores e boas práticas voltados à experiência de pagamento, que é um ponto central na jornada do passageiro. Queremos dar visibilidade e criar referências para que outras cidades modernizem essa etapa e tragam mais conveniência. Premiamos operadores, autoridades públicas e empresas de tecnologia. O Brasil combina um sistema de mobilidade avançado com uma indústria de pagamentos extremamente moderna, tornando-se uma referência na aceitação de cartões de débito e crédito no transporte público. O prêmio ajuda a fortalecer essa agenda de inovação e a dar escala a projetos que facilitam a vida do cidadão.
Technibus – Qual é a importância da ampliação do pagamento por aproximação (EMV) diretamente na catraca? O que isso traz de ganho para o passageiro, para a operadora e para o poder público?
Fernanda Caraballo – Quando o sistema passa a aceitar os meios que o usuário já carrega na carteira ou no celular — seja cartão de débito ou de crédito —, tornamos o uso do transporte público muito mais fluido, seguro e espontâneo. Isso atrai novos passageiros: o usuário eventual, o turista ou quem simplesmente esqueceu o cartão de transporte não precisa enfrentar filas para recarga; ele simplesmente embarca. Para os operadores e gestores públicos, além do aumento da demanda, há um ganho operacional nítido com a redução do dinheiro em espécie circulando, o que diminui custos de manuseio e aumenta a segurança. Em Curitiba, por exemplo, a prefeitura registrou uma queda de 97% nos assaltos a ônibus entre 2019 e 2024 após a digitalização dos pagamentos. Além disso, o embarque fica mais ágil: menos tempo de ônibus parado no ponto significa menor consumo de combustível e custos operacionais reduzidos, o que melhora o fluxo de mobilidade nos grandes centros urbanos.
Technibus – O pagamento com EMV tem avançado no ritmo esperado? Como está o cenário dessa expansão no Brasil?
Fernanda Caraballo – Tem avançado de maneira muito consistente no Brasil e no mundo; é um caminho sem volta. Neste ano, tivemos marcos importantes. O sistema metropolitano de Curitiba passou a aceitar o pagamento por aproximação, integrando-se à capital, que já utilizava a solução. Em São Paulo, todas as estações de trem da CPTM e as linhas operadas pelo Metrô já contam com a tecnologia — restando apenas as linhas concessionadas 4 e 5, além da Linha 17-Ouro, que já estreará com o sistema. Para uma metrópole como São Paulo, o impacto é gigantesco. Também vemos a interiorização desse movimento em cidades médias e pequenas: recentemente, Criciúma aderiu à tecnologia, tornando-se a segunda cidade de Santa Catarina, ao lado de Joinville, a oferecer o serviço. É uma inovação viável para municípios de qualquer porte.
Technibus – Em São Paulo, o tradicional bilhete magnético de papel (Edmondson) está sendo descontinuado no metrô. Essa substituição impulsiona o EMV? Mostra uma transição geracional nos meios de pagamento?
Fernanda Caraballo – Sem dúvida. Quando descontinuamos um método obsoleto e de alto custo operacional, é indispensável oferecer alternativas modernas e acessíveis. O bilhete Edmondson cumpriu seu papel por décadas, mas hoje representa pouca conveniência e custos elevados de manutenção. O movimento natural da evolução tecnológica é migrar para o digital. Vimos esse mesmo processo em redes internacionais, como o metrô de Nova York, trocando bilhetes em papel e cartões magnéticos por pagamentos contactless e digitais.
Technibus – O passageiro brasileiro já está culturalmente preparado para abandonar o bilhete tradicional e migrar totalmente para o digital?
Fernanda Caraballo – Sim, o brasileiro é muito aberto e veloz na adoção de novas tecnologias. Nos últimos anos, vivemos uma bancarização acelerada impulsionada por fintechs, contas digitais e pelo Pix. Praticamente qualquer pessoa hoje tem uma conta digital com cartão de débito associado, o que democratizou o acesso aos pagamentos eletrônicos. No comércio físico, vemos que as pessoas já utilizam com frequência as carteiras digitais no celular em vez do cartão de plástico. A adesão é real e já faz parte da rotina da população.
Technibus – Quais são os principais desafios atuais para expandir ainda mais a tecnologia EMV no transporte público?
Fernanda Caraballo – Superamos barreiras importantes do passado, como a bancarização e a própria emissão em massa de cartões com a tecnologia de aproximação, que hoje são padrão de mercado. Atualmente, os avanços se concentram em conectividade e comunicação. Conexões móveis mais robustas viabilizam transações online e instantâneas na catraca, essenciais para a fluidez do embarque. Na comunicação, trabalhamos junto a prefeituras e concessionárias porque não basta implementar o sistema: a população precisa saber que tem essa opção na catraca. O maior desafio para o operador segue sendo a modernização dos validadores embarcados, que envolve investimento de capital. O que percebemos é uma transição orgânica: ao renovar a frota ou trocar equipamentos obsoletos, o operador já adquire validadores modernos que integram todas as novas tecnologias de pagamento.
Technibus – O Prêmio EMV no Transporte tem cumprido o papel de dar visibilidade e incentivar a adesão a essas práticas?
Fernanda Caraballo – Com certeza. Temos uma adesão bastante expressiva por parte dos operadores que utilizam a solução. O prêmio não destaca apenas quem ativou a tecnologia, mas avalia o desempenho da operação, a performance do sistema e a qualidade entregue ao passageiro. Queremos evidenciar os casos de sucesso em que a tecnologia gerou ganho de eficiência, atração de demanda e redução de custos operacionais, incentivando todo o ecossistema de transporte a acelerar sua transformação digital.
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