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Tarifa zero aos fins de semana e feriados pode custar R$ 20,8 bilhões por ano, estima NTU

Entidade reconhece avanço na proposta anunciada pelo presidente Lula, mas defende política nacional de financiamento para reduzir o custo das passagens durante toda a semana e garantir a sustentabilidade do transporte público

Publicado em 16/10/2026 por Redação

Divulgação
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A implantação da tarifa zero no transporte público coletivo aos sábados e domingos, proposta pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, teria um custo anual estimado em torno de R$ 20,8 bilhões, segundo cálculo da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU). A previsão inclui os serviços de ônibus urbanos, trens e metrôs, que somam atualmente um custo de R$ 17,3 bilhões/ano, mais uma expectativa de aumento médio de 20% na demanda de passageiros, conforme a tendência observada em cidades que adotam a gratuidade. Somente a operação atual dos serviços de ônibus urbanos nos finais de semana e feriados custa R$ 14,5 bilhões ao ano.

O anúncio foi feito pelo presidente na quinta-feira (15), quando informou que pretende encaminhar ao Congresso Nacional uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para instituir a gratuidade do transporte coletivo aos fins de semana em todo o país.

Para a NTU, a iniciativa representa um avanço no reconhecimento do transporte público como serviço essencial e instrumento de inclusão social. A gratuidade amplia as possibilidades de deslocamento da população, especialmente das famílias de menor renda, favorecendo o acesso ao lazer, à cultura, ao comércio e aos demais serviços oferecidos pelas cidades.

“A tarifa zero aos fins de semana e feriados coloca o transporte público coletivo no centro do debate político e é um passo importante para valorizar o serviço e ampliar o acesso da população à cidade. Mas precisamos olhar também para quem depende do ônibus de segunda a sexta-feira. O grande desafio é construir um modelo de financiamento que permita reduzir o peso da passagem no orçamento das famílias e, ao mesmo tempo, garantir a qualidade e a sustentabilidade do serviço”, afirma Francisco Christovam, diretor-presidente da NTU.

A entidade destaca como um dos aspectos mais relevantes da proposta a possibilidade de participação sistemática do governo federal no custeio do transporte público coletivo, responsabilidade atualmente concentrada nos municípios. Para a NTU, o envolvimento da União é fundamental para reduzir a pressão sobre os orçamentos municipais e viabilizar uma política nacional de mobilidade urbana.

“A participação do governo federal no financiamento do transporte é uma reivindicação histórica do setor. Não podemos continuar atribuindo exclusivamente às prefeituras a responsabilidade de custear um serviço essencial para milhões de brasileiros. Precisamos de um modelo permanente, com responsabilidades compartilhadas entre União, estados, municípios e iniciativa privada”, reforça Christovam.
 Apesar dos benefícios da tarifa zero aos fins de semana, a NTU ressalta que a medida tem alcance pontual e não resolve os problemas estruturais do financiamento do transporte coletivo. Atualmente, cerca de 80% dos custos dos sistemas são cobertos pela arrecadação tarifária, modelo que concentra nos passageiros grande parte da responsabilidade pelo custeio do serviço e limita a capacidade de investimento na melhoria da operação.

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“Transporte para Todos”


A necessidade de ampliar o acesso ao transporte público e reduzir a dependência da tarifa paga pelos passageiros está no centro do programa Transporte para Todos, apresentado pela NTU em agosto deste ano, durante o Seminário Nacional NTU 2026.

A proposta estabelece uma nova política de financiamento permanente do transporte coletivo, organizada em três pilares: a modernização e ampliação do Vale-Transporte do Trabalhador; a criação de um Vale-Transporte Social, para famílias em situação de vulnerabilidade inscritas no Bolsa Família; e o custeio das gratuidades pelos orçamentos das políticas públicas que dão origem aos benefícios, como educação, saúde e assistência social.

O programa propõe distribuir de maneira mais equilibrada os custos do transporte entre poder público, empregadores e demais beneficiários do sistema, reduzindo a dependência da arrecadação tarifária e criando condições para ampliar a oferta e melhorar a qualidade dos serviços.

“A gratuidade aos fins de semana pode ser um primeiro passo importante, mas o Brasil precisa de uma solução mais ampla. O que defendemos é um transporte público acessível, eficiente e financeiramente sustentável todos os dias. É justamente essa a proposta do Transporte para Todos”, conclui Christovam.
 

Desafios operacionais do setor com o fim da escala 6x1


Além do debate sobre a gratuidade, a NTU chama atenção para os impactos da mudança na jornada de trabalho sobre a operação dos sistemas de transporte coletivo. O presidente Lula associou a proposta de tarifa zero aos fins de semana à ampliação dos dias de descanso dos trabalhadores, em razão da promulgação da Emenda Constitucional 141/2026, que extingue a escala 6x1.

Embora a redução da jornada represente uma mudança nas relações de trabalho, sua implementação no transporte coletivo exigirá planejamento e um período adequado de adaptação. O setor opera de forma contínua, inclusive aos sábados, domingos e feriados, e já enfrenta dificuldades para contratar motoristas qualificados.

Estudos da empresa de tecnologia WPLEX, especializada em planejamento operacional de transporte, apontam que mudanças nos modelos de jornada podem exigir uma ampliação expressiva do quadro de motoristas para manter a oferta atual de serviços. Simulações divulgadas pela empresa indicam, conforme o modelo adotado, necessidade de contratação de até 23% mais motoristas em determinados cenários.

Levantamentos analisados pela NTU também indicam que a redução da jornada semanal para 40 horas pode produzir aumento de aproximadamente 15% nos custos relacionados aos motoristas. O desafio torna-se ainda maior diante da escassez de profissionais no mercado e da concorrência com outras atividades, inclusive modalidades de trabalho autônomo.

Para a entidade, a combinação entre eventual ampliação da demanda aos fins de semana, decorrente da gratuidade, e a reorganização das jornadas exigirá recursos adicionais, planejamento operacional e mecanismos de transição.

“A mudança na escala de trabalho precisa considerar as particularidades do transporte coletivo. Estamos falando de um serviço que não pode parar e que já enfrenta dificuldades para contratar motoristas. É fundamental assegurar condições para que as empresas consigam se adaptar, sem comprometer a oferta, a qualidade do atendimento e o equilíbrio econômico dos sistemas”, destaca Christovam.

 

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