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Ônibus reagem em setembro, mas Anfavea mantém previsão de queda para 2026

Alta de 17% nos emplacamentos de ônibus em setembro convive com previsão de retração de pesados em 2026, enquanto registros de elétricos avançam e novas marcas chinesas entram no radar da Anfavea

Publicado em 08/10/2026 por Alexandre Asquini

(Mercedes-Benz: Divulgação)
(Mercedes-Benz: Divulgação)

Os emplacamentos de ônibus cresceram 17,1% de agosto para setembro, passando de cerca de 2 mil para 2,4 mil unidades, segundo dados apresentados pelo presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Igor Calvet, em coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira, 7 de outubro. O movimento positivo ocorreu nos segmentos urbano, rodoviário e de fretamento, mas não foi suficiente para alterar a perspectiva de retração do mercado de veículos pesados em 2026.

Na exposição, Calvet informou que a Anfavea revisou de 6% para 6,5% a projeção de queda dos emplacamentos de veículos pesados — caminhões e ônibus — neste ano. O presidente atribuiu a manutenção do cenário negativo principalmente aos juros elevados, às dificuldades de financiamento e ao aumento da inadimplência.

No caso específico dos ônibus, o acumulado do ano continuava abaixo de 2025. Calvet também destacou o avanço da eletrificação: de janeiro a setembro, foram registrados, segundo o número apresentado na coletiva, 1.025 ônibus elétricos, contra 555 no mesmo período de 2025.

A expansão dos elétricos ocorre em um momento de forte transformação tecnológica do mercado. Ao tratar do conjunto da indústria, Calvet afirmou que o ritmo de crescimento da eletrificação surpreendeu as fabricantes. Segundo ele, a expectativa anterior era de que o mercado alcançasse níveis semelhantes de participação dos veículos eletrificados mais próximo de 2030.

Novas marcas chinesas

A coletiva também abordou a chegada de novas marcas chinesas ao mercado brasileiro de veículos pesados. Questionado especificamente sobre a Zhongtong, fabricante chinesa de ônibus elétricos que havia anunciado planos de produção no Brasil, Calvet disse inicialmente não conhecer em profundidade o projeto. Afirmou, porém, que não vê problema na entrada de uma nova fabricante caso ela produza no país em condições equivalentes às das empresas já instaladas.

A questão das novas marcas deverá ganhar peso na agenda da Anfavea em 2027. Calvet afirmou que a entidade pretende adotar uma postura mais ativa na fiscalização das condições de entrada de produtos importados, incluindo aspectos relacionados a regimes como CKD e SKD, ex-tarifário (regime fiscal especial), benefícios fiscais e cumprimento das regras de produção.

“Não queremos fechar o mercado”, foi, em síntese, a posição apresentada pelo presidente. A preocupação da entidade, segundo ele, é garantir simetria competitiva entre os produtos importados e aqueles fabricados no Brasil.

O avanço das marcas chinesas também foi relacionado por Calvet ao desempenho das exportações brasileiras na América Latina. A entidade pretende colocar comércio exterior e competitividade entre os principais temas de sua agenda de 2027.

No acumulado de janeiro e setembro, produção de chassis de ônibus caiu 11,2%

De janeiro a setembro de 2026, foram produzidos 21,3 mil chassis de ônibus, contra 24 mil no mesmo período de 2025, uma queda de 11,2%. Os dados foram divulgados na coletiva desta quarta-feira, 7 de outubro, conduzida pelo presidente da entidade, Igor Calvet.

Em setembro de 2026, foram fabricados 1.425 chassis de ônibus, total 23,3% inferior aos 1.857 chassis fabricados em agosto último e 48,9% inferior às 2.878 unidades produzidas em setembro de 2025.

Emplacamentos

Os dados revelam que no mês de setembro de 2026 foram emplacados cerca de 2,4 mil chassis de ônibus, representando crescimento de 17,1% sobre o número de unidades emplacadas em agosto último e evidenciando também crescimento de 21,2% o total de unidades emplacadas em setembro de 2025.

No acumulado dos nove primeiros meses de 2026, foram emplacados aproximadamente 16,9 mil chassis, o que mostra retração de 4,4% sobre o total de unidades emplacadas em igual período do último ano.

Exportação

Quanto às exportações, os números revelam que em setembro de 2026 foram embarcados 354 chassis, total 28,3% inferior que as 494 unidades exportadas em agosto último, e 47,7% menor dos que as 677 unidades embarcadas em setembro de 2025.

No acumulado dos nove primeiros meses de 2026, foram exportados 3,5 mil chassis, volume 32,6% menor do que o total de unidades exportadas de janeiro a setembro de 2025.

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