Mercedes-Benz amplia elétricos, mas vê diferentes caminhos para ônibus
Till Oberwörder, presidente da Mercedes-Benz Buses, disse durante a IAA Transportation 2026, que a eletrificação avança primeiro nos ônibus urbanos, enquanto rodoviários exigem novas soluções de autonomia, recarga e tecnologia
Publicado em 17/09/2026 por Aline Feltrin

Por Aline Feltrin, de Hannover, Alemanha
A Mercedes-Benz Buses busca ampliar o seu portfólio de ônibus elétricos, mas não vê a eletrificação como uma solução única para todos os segmentos. Para Till Oberwörder, presidente da Mercedes-Benz Buses, a transição avança primeiro nos ônibus urbanos, enquanto os modelos rodoviários ainda dependem de avanços em autonomia, infraestrutura de recarga e outras tecnologias.
“O urbano é diferente. Você tem rotas definidas, sabe onde o ônibus começa e termina e ele sempre volta ao pátio”, explicou o executivo durante a IAA Transportation 2026, em Hannover.
Segundo Oberwörder, essa previsibilidade facilita o planejamento da operação elétrica. Na Europa, há operações urbanas nas quais os ônibus percorrem cerca de 400 a 500 quilômetros por dia e retornam à garagem para recarregar as baterias.
Nos rodoviários, a lógica muda. Os veículos percorrem distâncias maiores e podem terminar a viagem em locais diferentes daqueles onde iniciaram a operação. Por isso, a infraestrutura de recarga precisa acompanhar as rotas e estar disponível também nos destinos.
Elétricos avançam no Brasil
A Mercedes-Benz Buses também amplia sua oferta de ônibus elétricos no Brasil. Depois do eO500U, a empresa iniciou as vendas do eO500UA, chassi elétrico articulado destinado a operações urbanas.
O modelo foi apresentado na Lat.Bus 2026 e, segundo Oberwörder, já alcançou 200 unidades vendidas desde o evento realizado em agosto, em São Paulo.
A empresa já tem mais de 400 unidades do eO500U em operação na cidade de São Paulo, de acordo com o executivo. O avanço dos modelos elétricos no mercado brasileiro ocorre, portanto, principalmente nas aplicações urbanas, nas quais a previsibilidade das rotas facilita a implantação da infraestrutura.
A Mercedes-Benz também apresentou na Lat.Bus o novo e-City Bus, desenvolvido e produzido no Brasil. O modelo amplia a oferta de soluções elétricas da fabricante para o transporte urbano.
Rodoviário exige outra estratégia
A eletrificação dos ônibus rodoviários é mais complexa. Além da necessidade de maior autonomia, a operação depende de uma rede de recarga pública capaz de atender os veículos ao longo das viagens.
Oberwörder cita uma diferença importante em relação aos caminhões. Os ônibus de longa distância nem sempre percorrem os grandes corredores rodoviários. Muitos seguem até cidades menores, destinos turísticos e locais afastados das principais autoestradas.
“Eles não vão sempre nas estradas. Eles vão até castelos, parques e outros lugares. Eles andam fora das grandes estradas”, afirmou.
Por isso, a expansão dos ônibus elétricos rodoviários exige uma infraestrutura mais distribuída. A Mercedes-Benz Buses discute o tema com autoridades regulatórias e operadores na Europa para definir onde os pontos de recarga devem ser instalados.
A empresa estima que seriam necessárias dezenas de milhares de estações adicionais para atender à eletrificação dos ônibus de longa distância na Europa, considerando tanto os grandes corredores quanto os destinos fora das principais rodovias.
Mercedes testa ônibus rodoviário elétrico
Mesmo diante das dificuldades de infraestrutura, a Mercedes-Benz Buses já testa a tecnologia elétrica para operações rodoviárias.
Oberwörder afirmou que a empresa desenvolveu um ônibus elétrico de longa distância como plataforma de testes para avaliar o comportamento da tecnologia nas estradas europeias. O veículo ainda não faz parte de uma linha de produção em série.
A estratégia permite que a empresa avance no desenvolvimento do produto enquanto a infraestrutura necessária para a operação comercial é construída.
A Mercedes-Benz também testa a tecnologia de hidrogênio para ônibus. A alternativa integra o conjunto de soluções que a fabricante avalia para aplicações nas quais as características do uso tornam mais difícil a adoção imediata das baterias.
“Eletrificação é apenas uma parte desse quadro”, disse Oberwörder.
Motores a combustão ainda têm espaço
Enquanto amplia os investimentos em tecnologias de emissão zero, a Mercedes-Benz Buses também continua atualizando os veículos equipados com motores convencionais.
Oberwörder destacou que a nova geração de motores e transmissões desenvolvida pela Daimler Truck será incorporada aos ônibus e coaches da marca na Europa.
A estratégia acompanha a realidade das operações. Para o executivo, enquanto a infraestrutura de recarga não estiver disponível para determinadas aplicações, os operadores ainda precisam de veículos capazes de atender às suas necessidades atuais.
É nesse ponto que a empresa pretende combinar diferentes tecnologias. Ônibus elétricos podem avançar mais rapidamente em operações urbanas, enquanto veículos rodoviários ainda podem depender de motores mais eficientes, biocombustíveis ou, no futuro, hidrogênio e eletricidade.
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