FNP lança coalizão de cidades pela segurança no trânsito
Entre as ações previstas estão a produção de evidências técnicas e materiais de comunicação para ampliar a aceitação pública e o apoio político a medidas de gestão de velocidades e a criação de uma plataforma digital simplificada capaz de estimar os custos dos sinistros de trânsito
Publicado em 09/09/2026 por Redação

A Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP) lançou, nesta terça (8/9), a Coalizão de Cidades pela Redução de Mortes e Lesões no Trânsito, iniciativa que reúne governos locais e organizações parceiras para fortalecer a segurança viária como uma agenda permanente das cidades brasileiras.
O lançamento integra o projeto de assistência técnica especializada a municípios desenvolvido em parceria pela FNP, a Vital Strategies e a Bloomberg Philanthropies, no âmbito do Road Safety Grants Program, e prevê capacitações e produção de conhecimento para apoiar os municípios na adoção de medidas de segurança viária baseadas em evidências.
Os números apresentados pelo gerente sênior de Segurança Viária da Vital Strategies, Dante Rosado, reforçam a urgência da agenda. Segundo dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde, 37.150 pessoas perderam a vida no trânsito no Brasil em 2024, uma média de 101 mortes por dia. O país também registra cerca de 160 mil feridos graves por ano. Além disso, o impacto econômico dos sinistros é estimado em aproximadamente 3,8% do Produto Interno Bruto (PIB).
Os impactos se concentram especialmente nas cidades médias e grandes. Em 2025, dados de internações por acidentes terrestres no SUS mostram que 59% dos pacientes eram moradores de municípios com mais de 80 mil habitantes e 80% das internações ocorreram em hospitais localizados nessas cidades. Em relação à mortalidade, 54% dos óbitos foram de moradores de municípios acima de 80 mil habitantes.
Esse cenário reforça o papel estratégico dos governos locais na redução de mortes e lesões no trânsito. Além de concentrarem parte significativa dos impactos sobre a rede de saúde, os municípios têm competências diretas para implementar medidas de segurança viária, incluindo a gestão de velocidades, conforme previsto no Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Nesse contexto, a capilaridade e a articulação política da FNP permitem mobilizar gestores municipais e fortalecer a atuação conjunta das cidades.
Guilherme Guimarães, prefeito de Montes Claros/MG, destacou a importância de transformar dados em políticas públicas. “Esse é um evento importante para cuidar de vidas. Essa epidemia tem que ser tratada de forma estratégica. A gente precisa de dados para agir na causa e não no efeito”, afirmou. Para ele, as informações podem orientar desde medidas municipais, como radares e educação no trânsito, até políticas nacionais.
O projeto, com duração de dois anos, prevê a formação da coalizão por meio de adesão de municípios interessados, além de um um ciclo estratégico de capacitação para os municípios que integrarem a coalizão. Na segunda etapa, cinco dessas cidades receberão assistência técnica personalizada para desenvolver projetos específicos de segurança viária.
Entre as ações previstas estão a produção de evidências técnicas e materiais de comunicação para ampliar a aceitação pública e o apoio político a medidas de gestão de velocidades e a criação de uma plataforma digital simplificada capaz de estimar os custos dos sinistros de trânsito para a saúde pública municipal. A proposta também busca fortalecer um ambiente institucional favorável ao alinhamento das políticas nacionais às recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Ao reunir lideranças regionais, conhecimento técnico e experiências locais, a FNP pretende consolidar uma rede permanente de cooperação entre municípios.
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