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Ônibus reduz exposição aos riscos e favorece segurança viária

CEO do ONSV, Paulo Guimarães destaca vantagem do ônibus em segurança e defende políticas de mobilidade baseadas em dados e evidências

Publicado em 28/09/2026 por Alexandre Asquini

Arquivo/Divulgação
Arquivo/Divulgação

A segurança viária não depende apenas do comportamento individual de motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres. A forma como as pessoas se deslocam também interfere diretamente no nível de exposição aos riscos do trânsito. Essa é uma das conclusões apresentadas por Paulo Guimarães, CEO do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV), em entrevista à Technibus. Para ele, o transporte público tem uma contribuição importante nesse campo por combinar maior segurança operacional com a redução da quantidade de deslocamentos realizados individualmente.

A afirmação ganha relevância no momento em que acaba de ser realizada a Semana Nacional de Trânsito, entre 18 e 25 de setembro. Em 2026, a campanha promovida pelo Sistema Nacional de Trânsito manteve como mensagem “No trânsito, enxergar o outro é salvar vida", com foco na redução da velocidade e na prevenção de mortes e lesões no trânsito.

Segundo Guimarães, quando se considera a taxa de mortes de ocupantes por bilhão de quilômetros percorridos nos transportes terrestres sobre rodas, o ônibus aparece como o modo mais seguro, seguido pelo caminhão e pelo automóvel, enquanto a motocicleta apresenta uma distância muito maior em relação aos demais. A comparação, ressalta, não significa que a operação do transporte coletivo esteja isolada dos riscos existentes nas vias.

“Mesmo que a operação do ônibus seja perfeita, ela não consegue controlar toda a insegurança existente no ambiente”, afirma. Ele cita como exemplo o caso de uma pedra ornamental que caiu de um caminhão sobre um ônibus e provocou a morte de 39 pessoas. O episódio, segundo o executivo, mostra que a segurança não pode ser atribuída exclusivamente à qualidade da operação do veículo, mas precisa ser tratada como uma responsabilidade de toda a rede viária.

Reduzir a exposição ao risco

A contribuição do transporte público, porém, vai além da segurança proporcionada pelo próprio veículo. Para Guimarães, há um segundo efeito importante: a redução da exposição ao risco. Ao deixar de utilizar um automóvel ou uma motocicleta e passar para o transporte coletivo, uma pessoa passa a utilizar um modo que apresenta menor ocorrência de sinistros por quilômetro ou por viagem. Ao mesmo tempo, a redução das viagens individuais beneficia também aqueles que continuam utilizando o transporte individual, porque diminui a exposição geral ao risco.

“Quando reduzimos a quilometragem percorrida individualmente, também temos externalidades positivas, como menos congestionamentos e menores emissões”, explica. Um sistema de transporte estruturado, regulado e seguro, portanto, atua não apenas sobre a segurança dos passageiros, mas sobre as condições gerais de circulação.

Para que esse efeito aconteça, contudo, não basta a existência do serviço. O transporte coletivo precisa oferecer conforto, confiabilidade e cobertura, de modo a constituir uma alternativa efetiva ao deslocamento individual. Na avaliação de Guimarães, a concorrência com serviços individuais por aplicativo também precisa ser analisada sob essa perspectiva. Os aplicativos podem produzir efeitos positivos em determinadas situações — como ao oferecer uma alternativa ao automóvel para quem consumiu álcool —, mas ampliam a quantidade de deslocamentos individuais em outras circunstâncias.

É nesse ponto que o executivo relaciona segurança viária e política pública de mobilidade. Como o transporte público tem a obrigação de manter uma oferta abrangente, mesmo em locais ou horários de baixa demanda, ele entende que o poder público também precisa assumir a responsabilidade pelo financiamento adequado do sistema. “O transporte público deveria estar no mesmo nível de serviços como saneamento, saúde e educação”, afirma.

Evidências para orientar decisões

A discussão sobre o papel do transporte público na segurança faz parte de uma abordagem mais ampla adotada pelo Observatório Nacional de Segurança Viária. Criado em 2011 com o objetivo de contribuir para a redução das mortes e lesões no trânsito, o ONSV organiza sua atuação em três eixos: Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI), impacto social e advocacy.

No primeiro eixo, o Observatório parte de demandas sociais relacionadas à segurança viária e desenvolve estudos em articulação com a academia. Entre os temas atualmente pesquisados estão a velocidade e a mortalidade de motociclistas. A organização mantém mais de 30 apoios de cooperação técnica com outras instituições para troca de informações.

O segundo eixo procura transformar o conhecimento produzido em ações capazes de chegar à sociedade. Os resultados das pesquisas são convertidos em campanhas, publicações, mobilizações, cursos, treinamentos e outras iniciativas. O terceiro é o advocacy, pelo qual o Observatório busca contribuir para o aperfeiçoamento das políticas públicas a partir do engajamento social e de dados e evidências.

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