Cummins acompanha avanço da eletrificação do transporte coletivo no Brasil
Nova geração de eixos para ônibus elétricos começa a ser produzida em 2027 na fábrica de Osasco (SP) para veículos 4x2 de até 22 toneladas
Publicado em 28/08/2026 por Aline Feltrin

A Cummins prepara uma nova geração de eixos para acompanhar o avanço da eletrificação do transporte coletivo no Brasil. O principal projeto para o segmento de ônibus é o MC-17X, desenvolvido pela engenharia brasileira para veículos elétricos urbanos 4x2 de até 22 toneladas de Peso Bruto Total (PBT). A produção está prevista para julho de 2027, na fábrica de Osasco (SP).
O desenvolvimento ocorre em um mercado que começa a ganhar escala. No primeiro semestre de 2026, foram emplacados 589 ônibus elétricos no Brasil, alta de 92,5% em relação às 306 unidades registradas no mesmo período de 2025. O volume dos seis primeiros meses já correspondeu a 70% dos emplacamentos de elétricos de todo o ano passado.
A configuração elétrica muda as condições de operação do eixo traseiro. Em um ônibus 4x2, o componente precisa transmitir a tração e, simultaneamente, suportar a concentração de peso dos conjuntos de baterias. A frenagem regenerativa também modifica os esforços sobre o diferencial, que passa a trabalhar em condições diferentes das encontradas nos veículos convencionais.
“Estamos diante de uma mudança estrutural na forma como os eixos são concebidos. As demandas impostas pela eletrificação e pela busca crescente por eficiência exigiram uma nova abordagem de engenharia, que vai muito além da evolução incremental dos produtos”, afirma Kleber Assanti, diretor-geral da divisão de eixos da Cummins.
Eixo traseiro ganha nova arquitetura
Para responder às características dos ônibus elétricos, o MC-17X recebeu diferencial mais robusto, rolamentos de maior capacidade e conjuntos de coroa e pinhão reforçados. O projeto também utiliza tecnologia de solda a laser e uma nova carcaça fundida, desenvolvida especificamente para a aplicação.
A necessidade de reforço está relacionada principalmente à combinação entre peso e dinâmica de operação. As baterias acrescentam massa ao veículo, enquanto a frenagem regenerativa submete os componentes do diferencial a esforços em sentido contrário aos observados durante a aceleração convencional. Segundo Rafael Souza, diretor de Produto e PMO da divisão de eixos da Cummins, coroa, pinhão e rolamentos passam a receber esforços significativamente diferentes dos encontrados nas aplicações tradicionais.
O desenvolvimento do MC-17X consumiu cerca de quatro anos entre engenharia e testes. A Cummins optou por criar uma solução específica para a aplicação elétrica em vez de simplesmente adaptar uma plataforma convencional. O projeto já passou pelas etapas de desenvolvimento e homologação com clientes e agora entra na fase de preparação industrial.
A produção está programada para julho de 2027, acompanhando o cronograma de outros produtos da nova geração de eixos da companhia.
Mercado elétrico ganha escala
O lançamento ocorre em um momento de expansão da oferta e da demanda por ônibus elétricos no Brasil. Além do aumento dos emplacamentos, o mercado passou a reunir mais fabricantes e modelos. No primeiro semestre, nove fabricantes ofereceram 19 modelos de ônibus elétricos, enquanto cinco empresas já produziam os veículos em território nacional. Do total de 589 unidades emplacadas, 476 foram fabricadas no Brasil.
São Paulo é um dos principais vetores dessa expansão. A cidade recebeu 500 novos ônibus elétricos em junho e passou a contar com 1.759 veículos eletrificados, sendo 1.570 ônibus movidos a bateria e 189 trólebus.
O crescimento da eletrificação também está ampliando a necessidade de fornecedores locais capazes de desenvolver componentes específicos para as novas arquiteturas. É nesse contexto que a Cummins pretende posicionar o MC-17X.
Caminhões e ônibus entram no mesmo ciclo tecnológico
O MC-17X faz parte de uma família de produtos que inclui também o MS-14X, destinado a caminhões elétricos urbanos 6x2 de até 17 toneladas. O modelo tem produção prevista para janeiro de 2027.
Embora as aplicações sejam diferentes, os dois projetos partem de uma mesma mudança tecnológica: a eletrificação altera a forma como o torque é transmitido e como os componentes do eixo são submetidos às cargas. No caso dos ônibus, entretanto, a configuração 4x2 e a concentração de massa das baterias tornam particularmente importante a capacidade estrutural do eixo traseiro.
O MS-14X teve praticamente todo o conjunto interno redesenhado e passou de uma aplicação de aproximadamente 11 toneladas para até 17 toneladas, aumento de cerca de 55%. Por outro lado, o MC-17X foi concebido desde o início para a aplicação de ônibus elétricos de até 22 toneladas.
Osasco amplia participação no desenvolvimento
A chegada dos novos produtos ocorre junto com a ampliação da capacidade industrial de Osasco. Em 2026, a Cummins iniciou a produção local do MD-160 e do MT-610, enquanto aumentou em 12% a capacidade de corte de coroas e pinhões.
A fábrica também utiliza automação, sensores e sistemas de monitoramento dos processos industriais em tempo real. Segundo a companhia, essas tecnologias já contribuíram para evitar mais de 42 horas de paradas de linha.
A empresa investe aproximadamente R$ 50 milhões por ano em pesquisa e desenvolvimento no Brasil. A aquisição da Meritor, em 2022, também ampliou a estrutura de engenharia, manufatura e produção da divisão.
Para a área de ônibus, o movimento é relevante porque aumenta a participação da engenharia brasileira no desenvolvimento de componentes para uma tecnologia que ainda está em expansão no País.
A Cummins passa a preparar a produção de eixos específicos justamente quando as montadoras ampliam a oferta de chassis elétricos e as cidades começam a incorporar volumes maiores desses veículos às frotas.
Próxima geração chega em 2027
O MC-17X será o primeiro grande produto da nova geração da Cummins voltado especificamente ao transporte coletivo eletrificado. Com produção prevista para julho de 2027, o projeto combina reforço estrutural, nova carcaça e componentes dimensionados para as condições particulares dos ônibus elétricos.
Para a Cummins, o movimento representa uma mudança no desenvolvimento dos eixos. A eletrificação deixa de ser tratada apenas como uma alteração do sistema de propulsão e passa a exigir uma revisão do conjunto mecânico responsável por transmitir a força às rodas.
MC-17X
- Aplicação: ônibus elétricos urbanos
- Configuração: 4x2
- Capacidade: até 22 toneladas de PBT
- Produção: julho de 2027
- Desenvolvimento: engenharia brasileira
- Diferencial: reforçado
- Rolamentos: maior capacidade
- Coroa e pinhão: reforçados
- Carcaça: nova, fundida e específica para a aplicação
- Tecnologia: solda a laser
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