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ENTREVISTA: Marcelo Rezende, diretor-geral para sistemas de bateria da BorgWarner

A BorgWarner está desenvolvendo, em parceria com a FinDreams Battery, subsidiária da BYD, a bateria LFP (de lítio, ferro e fosfato) que tem seis mil ciclos de durabilidade, chegando até 15 anos, com planos de produzir essa bateria na sua fábrica de Piracicaba (SP)

Publicado em 14/08/2026 por Sonia Moraes

Marcelo Rezende, diretor-geral para sistemas de bateria da BorgWarner (Divulgação)
Marcelo Rezende, diretor-geral para sistemas de bateria da BorgWarner (Divulgação)

Technibus – Como a BorgWarner avalia o mercado de ônibus?

Marcelo Rezende – A BorgWarner está enxergando o mercado de ônibus de forma muito positiva. A busca pela descarbonização é grande e o setor de ônibus, principalmente o urbano, continua dando sinais de que estará à frente na eletrificação. Na Lat.Bus foram apresentados chassis e ônibus elétricos. Seja qual for a estratégia das montadoras para que o mercado se desenvolva, a BorgWarner tem tecnologia e um portfólio vasto que atende o segmento de ônibus e outros setores.

 

Technibus – A exigência por baterias sustentáveis e duráveis está cada vez maior. O que a BorgWarner está oferecendo para este mercado?

Marcelo Rezende – Desde quando começou o desenvolvimento de baterias há cinco anos, a BorgWarner sempre procurou desenvolver produtos de alta tecnologia para atender o mercado de veículos comerciais. O grande diferencial da nossa bateria é a altíssima densidade energética, o que garante mais energia para o veículo e mais autonomia com menos peso. 

Technibus – Quais são as baterias da BorgWarner?

Marcelo Rezende – A primeira bateria que a BorgWarner lançou no mercado brasileiro, para os veículos da Mercedes-Benz, contém uma química chamada NMC (níquel, manganês e cobalto) de altíssima densidade energética, mas a LFP (de lítio, ferro e fosfato), que estamos lançando agora, conseguiu se aproximar muito da química da NMC. Havia o mito de que a bateria LFP não tinha a mesma densidade energética, mas com a tecnologia de células blade desenvolvida em parceria com a FinDreams Battery, subsidiária da BYD, a BorgWarner conseguiu essa bateria com densidade energética bem próxima da NMC. É uma tecnologia mais atrativa em termos de custo, porque é mais leve e tem maior durabilidade. 

Technibus – Qual é a durabilidade das baterias?

Marcelo Rezende – As baterias NMC têm quatro mil ciclos de durabilidade e a nova bateria LFP tem seis mil ciclos, aumentou mais de 50%. Esses seis mil ciclos duram até 15 anos e cumprem a vida do ônibus. Além de poder utilizar a bateria durante a vida toda do veículo, tem a vantagem tecnológica que garante mais autonomia, menos peso e maior durabilidade. É um produto sustentável, com 95% de reciclabilidade e de altíssima segurança. 

Technibus – Onde são produzidas as baterias LFP?

Marcelo Rezende – As baterias LFP estão em desenvolvimento e a BorgWarner tem planos de produzir no Brasil, na fábrica de Piracicaba (SP), dependendo da demanda clientes com os quais estamos em contato. Faz parte do plano estratégico produzir as baterias LFP no Brasil. 

Technibus – A fábrica de Piracicaba já está preparada para produzir as baterias LFP?

Marcelo Rezende – Iniciamos a preparação da fábrica de Piracicaba em 2022, quando começaram as reformas necessárias para a produção da primeira fase das baterias NMC. Esta fábrica está pronta para ampliação. Temos um galpão de oito mil metros quadrados, sendo utilizados um terço, os outros dois terços estão reservados para a produção da nova tecnologia LFP de bateria. Uma parte da produção, as células blade, vamos importar da nossa parceira FinDreams para começar a entregar as baterias às montadoras no Brasil. O restante do pacote de bateria vamos montar em Piracicaba. Essa bateria terá o conteúdo nacional de acordo com as regras do BNDES para garantir o financiamento por meio da linha de crédito Finame. O nosso projeto já foi baseado em uma linha de produção escalável para ir ampliando quando o mercado for crescendo. 

Technibus – Quantas baterias serão necessárias para manter a autonomia do ônibus sem aumentar o peso?

Marcelo Rezende – Depende da aplicação do veículo, do número de passageiros transportados e de quanto precisa de energia. Com base nesses dados, é projetada a quantidade de baterias. Como as baterias da BorgWarner têm densidade energética maior, é possível melhor acomodação no veículo, sem interferir no peso. Conseguimos reduzir de cinco para quatro a quantidade de baterias no ônibus, mantendo a maior densidade energética. 

Technibus – Qual é o tempo de carregamento da bateria LFP?

Marcelo Rezende – A bateria LFP permite carregamento de 10% até 80% em até 30 minutos de carga. É mais rápida que a bateria anterior, que demorava três horas para carregar. O carregamento rápido traz outros benefícios para o frotista e dá mais flexibilidade para o operador. 

Technibus – Com a produção da bateria LFP, a bateria NMC deixará de ser produzida?

Marcelo Rezende – Não. Vamos continuar desenvolvendo a bateria NMC para outros setores, como o marítimo, de sistemas estacionários e para uso em caminhões de longa distância. Temos visto a ampliação do uso da bateria NMC em vários mercados.

Technibus – Qual é a representatividade da Lat.Bus para a BorgWarner?

Marcelo Rezende – A Lat.Bus é uma vitrine importante para ver o que as montadoras estão utilizando de tecnologia e saber como serão os próximos passos do mercado de ônibus. É também uma oportunidade para a BorgWarner mostrar a sua tecnologia para este setor que está puxando a fila da eletrificação.

 

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