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Porto Alegre consolida modelo de eletrificação do transporte coletivo com contrato para mais 100 ônibus

Cidade garantiu financiamento de R$ 447 milhões para aquisição de cerca de 100 ônibus elétricos. Projeto é resultado de quase dois anos de operação da frota-piloto, que completa aniversário em 19 de agosto

Publicado em 27/07/2026 por Alexandre Asquini

Ônibus elétricos em terminal de Porto Aelgre (Divulgação/PMPA)

A assinatura em meados de julho do contrato de financiamento de R$ 447 milhões com o BNDES para a aquisição de aproximadamente 100 ônibus elétricos representa um novo passo na estratégia de eletrificação do transporte coletivo de Porto Alegre. O projeto foi apresentado pelo secretário municipal de Mobilidade Urbana, Adão de Castro Júnior, durante a 31ª Reunião do Fórum Gaúcho de Secretários e Dirigentes Públicos de Mobilidade Urbana, realizada nos dias 23 e 24 de julho, na capital gaúcha.

Segundo o secretário, o financiamento permitirá a incorporação de ônibus elétricos, incluindo veículos articulados e superarticulados, além da implantação da infraestrutura de recarga necessária à operação da nova frota.

Detalhes

Anteriormente à reunião do Fórum Gaúcho, a Prefeitura de Porto Alegre havia divulgado detalhes do contrato de financiamento com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a compra de 100 ônibus elétricos articulados a bateria e dos equipamentos de recarga necessários à operação da nova frota.

Os veículos, de fabricação nacional e habilitados no Credenciamento de Fornecedores Informatizado (CFI) do Sistema BNDES, vão ser incorporados à frota de ônibus da Capital para utilização exclusiva no serviço público municipal de mobilidade urbana. A entrega será feita em etapas e a distribuição dos 100 ônibus seguirá o planejamento da secretaria de Mobilidade Urbana (SMMU/EPTC) para a eletrificação das linhas.

O crédito, de até R$ 447.797.487,00, tem prazo total de 192 meses – 30 meses de carência e 156 meses de amortização. A taxa é de 8,38% ao ano, resultado da soma do custo do Fundo Clima (6,15%), da remuneração básica do banco (1,1%) e do spread de risco (margem adicional que remunera o risco da operação), de 1,13%.

Os recursos provêm do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima (FNMC), o Fundo Clima. A iniciativa integra o pacote de investimentos do POA Futura, programa coordenado pela Secretaria Municipal de Planejamento e Gestão, que articula  os financiamentos internacionais (Banco Mundial, AFD, KfW, BID e CAF), nacionais (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, BNDES e BRDE) e recursos próprios da prefeitura, que somam mais de R$ 7 bilhões em investimentos. Segundo a administração municipal, o POA Futura promove inclusão, sustentabilidade e inovação, com foco na transformação urbana e social diante da maior tragédia climática já registrada na cidade.

Projeto-piloto

Adão de Castro Júnior explicou no Fórum Gaúcho que a iniciativa de compra de novos ônibus elétricos é resultado da experiência acumulada com o projeto-piloto de eletrificação implantado pelo município. Os primeiros 12 ônibus elétricos começaram a operar em 19 de agosto de 2024. Para o secretário, esse período foi decisivo para validar a tecnologia e fornecer informações para a expansão do programa. "O grande laboratório foi o projeto dos 12 ônibus elétricos. Foi essa experiência que permitiu desenhar o projeto que agora estamos colocando em prática", afirmou.

O secretário ressaltou que Porto Alegre optou por realizar testes com diferentes fabricantes e modelos antes de definir a ampliação da frota, estratégia que, segundo ele, deveria ser adotada por outras cidades interessadas na eletrificação.

Além da aquisição dos veículos, o município desenvolveu um modelo próprio de financiamento baseado em subvenção econômica. Nesse formato, a prefeitura financia a compra dos ônibus — com recursos próprios ou financiamentos, como o contratado junto ao BNDES — enquanto os operadores permanecem responsáveis pela aquisição e operação dos veículos. Segundo Adão de Castro Júnior, essa solução elimina da tarifa os custos de capital dos ônibus elétricos, contribuindo para viabilizar economicamente a transição tecnológica.

Vantagens

De acordo com o secretário, o modelo já foi validado por consultores do governo alemão e pelo próprio BNDES, tornando-se uma referência para novos projetos de eletrificação.

Durante a apresentação, Adão de Castro Júnior também considerou que, embora um ônibus elétrico tenha custo de aquisição cerca de três vezes superior ao de um veículo a diesel, a economia operacional ao longo da vida útil compensa esse investimento. Segundo a experiência de Porto Alegre, a operação dos elétricos apresenta custo entre 55% e 60% inferior ao dos ônibus movidos a diesel, além dos benefícios ambientais, da redução do ruído e do aumento do conforto para passageiros e motoristas.

Recuperação do sistema

A expansão da frota elétrica integra o programa Mais Transporte, lançado pela prefeitura em 2022 para recuperar o sistema de transporte coletivo após a pandemia. O secretário afirmou que a iniciativa reúne um conjunto de medidas voltadas à modernização do serviço, como a renovação acelerada da frota, mudanças no modelo de remuneração das operadoras, investimentos em corredores e terminais, instalação de novos abrigos de ônibus e criação de um Centro de Controle Operacional da Mobilidade.

Segundo ele, essas ações têm permitido recuperar a demanda, ampliar a oferta de viagens e renovar mais da metade da frota de ônibus da cidade, consolidando um novo modelo de gestão baseado na cooperação entre poder público e operadores e na busca por maior qualidade do transporte coletivo.

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