Trens de carga impactam mobilidade urbana em Curitiba
Os 40,7 quilômetros de trilhos, que cortam 21 bairros, interferem diretamente no funcionamento do transporte coletivo, cruzando dois importantes eixos estruturais do BRT
Publicado em 17/07/2026 por Márcia Pinna

Na avaliação da prefeitura de Curitiba, a ferrovia de carga que atravessa a cidade representa um dos maiores entraves à mobilidade urbana, à segurança viária e ao desenvolvimento da cidade. Atualmente, os 40,7 quilômetros de trilhos cortam 21 bairros, interferem diretamente no funcionamento do transporte coletivo e impactam a rotina de aproximadamente 467 mil moradores.
Ao longo do trecho urbano existem 51 passagens em nível, que interrompem o sistema viário e provocam congestionamentos, atrasos no transporte coletivo e conflitos permanentes entre o trem e o trânsito da cidade. A ferrovia também cruza dois importantes eixos estruturais do BRT, comprometendo a eficiência de um sistema utilizado diariamente por cerca de 237 mil passageiros.
Além dos impactos sobre a mobilidade, Curitiba concentra o maior número de acidentes ferroviários do país. Dados da ANTT mostram que, entre 2005 e 2025, foram registradas 433 ocorrências na ferrovia operada pela concessionária Rumo Malha Sul, número muito superior ao da segunda cidade brasileira com mais ocorrências, que é a cidade de Juiz de Fora (MG), com 247. Somente entre 2021 e 2024, foram contabilizados 152 acidentes, com mais de 60 pessoas feridas e 27 mortes.
O prefeito Eduardo Pimentel participou da primeira audiência pública da concessão da Malha Sul, nesta quinta-feira (16/7), em Brasília. Na sequência, em reunião com o ministro dos Transportes, George Santoro, a comitiva de Curitiba apresentou a demanda da inclusão dos projetos executivos e a implantação do contorno ferroviário e dos ramais Leste e Oeste nos editais da concessão.
A proposta é aproveitar a janela de oportunidade para solicitar à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) a inclusão do contorno ferroviário e dos ramais Leste e Oeste dentro da próxima concessão.
“Curitiba tem um Estudo de Viabilidade Técnica Ambiental que já demonstra os ganhos com a retirada do trem de carga do meio da cidade. E um estudo do Ippuc também indica o planejamento da reestruturação urbana nas áreas remanescentes dos trilhos no futuro”, explicou o prefeito.
Entre os principais benefícios apontados pela gestão municipal estão o fim dos conflitos entre o trem, o BRT e os cruzamentos em nível; a integração de bairros atualmente divididos pela ferrovia; a criação de novas conexões viárias, corredores de transporte coletivo, parques lineares, ciclovias e áreas verdes; a possibilidade de novos projetos habitacionais e equipamentos públicos nas áreas hoje ocupadas pela infraestrutura ferroviária; além do aumento da capacidade operacional da ferrovia e do fortalecimento da ligação logística com o Porto de Paranaguá e com as cadeias exportadoras do Paraná.
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