Fabricação de chassis de ônibus cresceu 3,2% no primeiro semestre, mas segmento deve fechar o ano com retração de 6%
No primeiro semestre deste ano foram fabricadas 16.241 unidades, contra 15.742 unidades produzidas no mesmo período do ano passado, segundo a Anfavea
Publicado em 08/07/2026 por Alexandre Asquini
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Por meio de conferência de imprensa com a participação de seu presidente, Igor Calvet, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) divulgou nesta terça-feira, 7 de julho, dados do setor, revelando que a fabricação de chassis de ônibus cresceu 3,2% no primeiro semestre de 2026. De janeiro a junho deste ano foram produzidas 16.241 unidades, contra 15.742 unidades fabricadas em igual período do ano passado.
Em junho de 2026 foram produzidos 2.356 chassis de ônibus, o que representa redução de 20,8% sobre os 2.975 chassis fabricados em maio último e, também, também redução de 15,1% sobre as 2.776 unidades produzidas em junho de 2025.
Ao anunciar a revisão de suas projeções para o ano de 2026, a Anfavea informou que, a exemplo do que ocorre com o segmento de caminhões, o segmento de ônibus deve encerrar o ano com retração de 6%.
Emplacamentos
No mês de junho de 2026 foram emplacados 2.191 chassis de ônibus – o que representa crescimento de 36,7% sobre as 1.603 unidades emplacadas no mês anterior, e um crescimento de 11,6% na comparação com os 1.963 ônibus emplacados em maio de 2025.
No primeiro semestre de 2026, foram emplacados 10.288 chassis, o que evidencia a uma redução de 11,6% sobre as 11.635 unidades emplacadas nos primeiros seis meses de 2025.
Exportação
No que diz respeito às exportações, os números revelam que em junho de 2026 foram embarcados 458 chassis, total 13,9% superior às 402 unidades exportadas neste mês de maio, e 27,2% inferior em comparação com as 529 unidades embarcadas em maio de 2025.
No primeiro semestre de 2026, foram exportados 2.241 chassis, retração de 31,3% em comparação com as 3.262 unidades exportadas em igual intervalo no ano passado.
Uma visão do mercado automotivo agora
Um dos pontos mais significativos tratados na conferência de imprensa foi que a Anfavea revisou para cima projeções de produção, sublinhando que as vendas podem superar 3 milhões de unidades, marca que não se observa desde 2014. Se essa previsão se efetivar, o crescimento alcançará 11,7% no comparativo com 2025, índice significativamente superior aos 2,7% projetados no início do ano. Na sequência, apresentam-se pontos de destaque tratados na coletiva.
Um primeiro semestre forte para o mercado brasileiro. Com produção de 1,372 milhão de veículos, registrou-se alta de 8,8% no período, melhor primeiro semestre desde 2019. Houve emplacamentos de 1,421 milhão de unidades, representando crescimento de 18,5%, ou o melhor resultado para o período desde 2014. Junho registrou participação recorde dos eletrificados: 20,9% dos emplacamentos.
Crescimento do mercado puxado pelos eletrificados. A expansão do mercado brasileiro em 2026 está sendo explicada, majoritariamente, pela eletrificação. Igor Calvet mostrou que, das 208 mil unidades adicionais vendidas em relação ao primeiro semestre de 2025, 73 mil correspondem aos veículos classificados como "carro sustentável", 70 mil são eletrificados nacionais e 60 mil são eletrificados importados. Isso significa que 130 mil daquelas 208 mil unidades adicionais (63%) vieram dos veículos eletrificados, nacionais ou importados.
Mercado de leves e pesados vivem realidades opostas. Enquanto os automóveis mostram crescimento de 23% e os comerciais leves crescimento de 8%, os caminhões ostentam retração de 10,5% e os ônibus mostram retração similar. Segundo a Anfavea, são mercados que exigem políticas diferentes.
Programa Move reduziu, mas não eliminou a crise dos caminhões. A entidade atribui ao Move 1 e ao Move 2 a melhora do desempenho do mercado de caminhões. Mas alerta que continuam pesando os juros elevados, dificuldades financeiras do agronegócio, margens menores, aumento do diesel e aumento dos custos operacionais. A avaliação é de que os programas foram bem-sucedidos em atenuar a retração, mas insuficiente para tornar o mercado positivo.
Não haverá um Move 3. Indagados sobre um eventual programa Move 3, Igor Calvet afirmou ter ouvido do próprio governo que não há espaço para um novo programa desse tipo. As razões seriam limitações fiscais e restrições impostas pelo calendário eleitoral. Segundo ele, o setor terá de conviver apenas com os efeitos residuais do Move 2. A Anfavea estima que o efeito positivo da Fenatran aparecerá apenas em 2027.
Resultados do Move Aplicativos ainda não aparecem nas estatísticas. Segundo Igor Calvet, o programa Move Aplicativos começou apenas em 19 de junho último enquanto a proteção do Fundo Garantidor de Investimentos (FGI) passou a vigorar somente no início de julho. Assim, os efeitos ainda não aparecem nos números do semestre, mas a Anfavea diz que a expectativa é de crescimento dos emplacamentos nos próximos meses.
Importações crescem muito mais rapidamente que a produção nacional. No primeiro semestre de 2026, as importações registraram expansão de 22% e as exportações retração de 21,2%. Segundo a Anfavea, foram importados 281 mil veículos, dos quais cerca de 140 mil vieram da China, o que praticamente representa metade do total. A entidade enfatiza que as importações aumentam, as exportações diminuem e o déficit comercial do setor cresce.
China acelera presença no mercado brasileiro. O avanço chinês aparece em diversos momentos. Dados destacados: importações provenientes da China cresceram 98%, passando de 71 mil para 140 mil unidades (metade dos veículos importados já é chinesa). Além disso, a importação de eletrificados cresce 70,6% e a importação de veículos a combustão recua 5,8%. A mensagem é que o crescimento das importações está fortemente associado aos veículos eletrificados chineses.
Produção cresce menos que o mercado. No que talvez possa ser a principal preocupação da Anfavea, observou-se que embora a produção avance 8,8%, o mercado cresce 18,5%. Na avaliação da entidade, a indústria brasileira não está conseguindo capturar a expansão da demanda; parte relevante desse crescimento está sendo atendida por importações.
Argentina deixa de sustentar as exportações brasileiras. O mercado argentino aparece como fator importante para a queda das exportações. Segundo a apresentação, o mercado argentino caiu 10,2%, as exportações brasileiras para a Argentina recuaram 35,4%, a participação brasileira nas importações argentinas caiu de 82% para 56%, significando que novos concorrentes ganharam espaço, especialmente fabricantes chineses.
Comércio exterior em mudança. A Anfavea sublinha duas tendências estruturais. Uma delas é evidenciada pelo fato de os importados nos emplacamentos brasileiros chegaram a 19,7% do mercado. A outra é que as exportações sobre a produção caíram para cerca de 15% da produção nacional. A leitura apresentada é que as importações seguem trajetória crescente e as exportações tornaram-se mais voláteis e perderam participação.
Renovação da frota é questão de produtividade. Segundo o presidente da Anfavea, deixar de renovar caminhões hoje reduz a produtividade futura da economia e isso poderá limitar o crescimento potencial do PIB nos próximos anos. Em crise dos caminhões deixa de ser apenas um problema da indústria e passa a ser apresentada como um problema macroeconômico.
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