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Segundo a Anfavea, dos cerca de 100 mil eletrificados nacionais, 54 mil correspondem à montagem SKD/CKD

A entidade desistiu de judicializar a decisão da Câmara de Comércio Exterior (Camex) de renovar a isenção de imposto de importação para kits de carros elétricos e híbridos, mas pretende apresentar representação ao Tribunal de Contas da União (TCU)

Publicado em 08/07/2026 por Alexandre Asquini

(Arquivo/Divulgação ABVE - Imagem IA)
(Arquivo/Divulgação ABVE - Imagem IA)

Durante a coletiva de imprensa sobre a produção automotiva no país, realizada nesta quarta-feira, 7 de julho, Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) evidenciou a participação recorde de veículos eletrificado nos resultados do setor: passaram de 16,9% para 20,9% em apenas seis meses.

Foram 245 mil veículos eletrificados vendidos no primeiro semestre de 2026.  Os importados eletrificados cresceram 70,6% e a produção nacional também aumentou fortemente. A Anfavea ressaltou um detalhe significativo: dos cerca de 100 mil eletrificados nacionais, 54 mil correspondem à montagem SKD/CKD, e não à fabricação integral no Brasil. Ou seja, a entidade diferencia claramente produção local tradicional da simples montagem.

Igor Calvet, presidente da Anfavea, manifestou-se desta maneira sobre o tema: "Por um lado, ficamos satisfeitos com o vigor do mercado nacional e com essa alta na produção, que vem se refletindo em ligeira elevação do nível de empregos. Por outro lado, lamentamos muito que parte dessa recuperação venha sendo capturada por importações incentivadas por alíquotas abaixo da média mundial ou pela produção de eletrificados em SKD isenta de Imposto de Importação, algo que vem se provando desnecessário e fora de propósito, dado o bom desempenho dos veículos eletrificados no mercado”.

Crítica é quanto à escala

Calvet reconheceu na coletiva que praticamente todas as montadoras – e essa é uma questão histórica – começaram operando em SKD/CKD. Mas afirmou que a situação atual é diferente, porque ocorre em volumes muito elevados, acompanhada de redução tarifária, com cotas especiais de importação. Sua tese é a seguinte: o problema não é começar por SKD/CKD; o problema é permanecer nesse modelo em grande escala.

O dirigente criticou ao volume de importações chinesas. Disse que importar alguns milhares de veículos para testar mercado seria normal, mas importar centenas de milhares de veículos montados parcialmente altera completamente a competição. Calvet mencionou explicitamente volumes próximos de 300 mil veículos nessas condições.

Investimentos no Brasil

Em defesa dos investimentos já realizados no Brasil, Calvet questionou o sentido de as empresas anunciarem cerca de R$ 150 bilhões em investimentos se o mercado passar a privilegiar a simples montagem de kits importados. A mensagem correta, em sua opinião, é que os incentivos devem estimular industrialização, não apenas montagem.

As perguntas na coletiva levaram Calvet a aprofundar seu argumento. Ele disse que fabricantes instaladas no Brasil enfrentam custos elevados de logística, capital, mão de obra, segurança e infraestrutura. Enquanto isso, os novos concorrentes chegariam produzindo na China, financiando-se com custos menores e realizando apenas a montagem final no Brasil.

Outro ponto levado por Igor Calvet em suas respostas é que os custos logísticos representam aproximadamente 12% do faturamento das fabricantes instaladas no Brasil. Além do frete, esse percentual incluiria segurança, escolta, custos decorrentes da violência.

Também sublinhou o impacto sobre o emprego, reforçando o argumento apresentado anteriormente. Caso uma indústria migre para montagem SKD/CKD, uma operação que hoje empregue 10 trabalhadores poderia passar a empregar apenas três. Esse continua sendo um dos principais argumentos utilizados contra esse modelo.

Sem judicialização

Em uma das respostas aos jornalistas, Calvet informou que a Anfavea desistiu de judicializar a decisão da Câmara de Comércio Exterior (Camex), órgão ligado à Presidência da República, responsável por ditar as regras e coordenar as políticas de comércio exterior.  

Ele se referia à decisão do Comitê Executivo de Gestão da Camex, que renovou a isenção de imposto de importação para kits de carros elétricos e híbridos (desmontados ou semidesmontados). A medida, com teto de importação liberado de R$ 2,4 bilhões ou US$ 463 milhões, beneficia marcas importadoras, em especial empresas chinesas.

Calvet explicou que uma ação judicial demoraria anos e quando houvesse decisão, a medida já teria perdido efeito. Em vez da judicialização, a estratégia será outra. A Anfavea pretende apresentar representação ao Tribunal de Contas da União (TCU) não com o objetivo de anular a decisão, mas, sim, de aperfeiçoar a governança da Camex.

 

 

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