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Volkswagen alcança vendas de 300 ônibus com o Move Brasil 2

Programa federal acelerou investimentos que estavam parados por causa dos juros elevados; montadora prevê ampliar participação de mercado em quatro pontos percentuais neste ano

Publicado em 06/07/2026 por Aline Feltrin

Jorge Carrer, diretor de vendas de ônibus da Volkswagen Caminhões e Ônibus (Divulgação)
Jorge Carrer, diretor de vendas de ônibus da Volkswagen Caminhões e Ônibus (Divulgação)

O programa federal Move Brasil ajudou a destravar investimentos represados no mercado de ônibus ao permitir que empresas antecipassem compras diante de condições mais favoráveis de financiamento. A avaliação é de Jorge Carrer, diretor de vendas de ônibus da Volkswagen Caminhões e Ônibus (VWCO), que estima que a fabricante tenha comercializado 300 ônibus por meio da linha de crédito subsidiada.

Segundo o executivo, o programa teve um papel importante para acelerar decisões de compra, mas não foi o principal responsável pelo desempenho comercial da companhia no primeiro semestre. "Para nós haveria crescimento independentemente do Move Brasil. As entregas do programa começaram apenas em junho. Mas ele foi um acelerador, um catalisador dos negócios", afirmou à Technibus.

Na avaliação de Carrer, muitos clientes aproveitaram o crédito subsidiado para antecipar investimentos que seriam realizados apenas mais adiante ou ampliar pedidos já planejados. "O programa mostrou que existe demanda. As empresas precisam renovar a frota, mas os juros muito altos acabam inibindo os negócios."

A Volkswagen afirma que ampliou tanto o volume de vendas quanto sua participação de mercado no primeiro semestre, mesmo em um ambiente marcado pelo elevado custo do crédito. Segundo o executivo, a empresa teve bom desempenho em praticamente todos os segmentos — micro-ônibus, urbanos e rodoviários —, além de contratos importantes com o programa Caminho da Escola e fornecimentos ao Ministério da Saúde.

Os números consolidados do semestre ainda serão divulgados pela fabricante, mas Carrer afirma que a expectativa é encerrar 2026 com ganho de aproximadamente quatro pontos percentuais de participação de mercado em relação ao ano passado.

Crédito acabou rapidamente

Embora o segmento de ônibus tenha sido incluído apenas na segunda fase do Move Brasil e com orçamento muito inferior ao destinado aos caminhões, a procura pelos recursos foi intensa. Segundo Carrer, a Volkswagen foi informada pelas instituições financeiras de que os recursos destinados às pessoas jurídicas já foram totalmente comprometidos. "Já recebemos a notícia de que o recurso esgotou."

Mesmo com o encerramento da linha, o executivo afirma que o programa continuará impactando os resultados da montadora ao longo dos próximos meses. Isso porque, diferentemente dos caminhões, a produção de um ônibus envolve a fabricação do chassi, o encarroçamento e somente depois o emplacamento. "Nós ainda vamos entregar ônibus até agosto e os emplacamentos devem acontecer principalmente ao longo do último quadrimestre."

Questionado se o Move Brasil poderá provocar uma desaceleração nas compras nos próximos meses por ter antecipado parte da demanda, Carrer acredita que esse efeito tende a ser limitado. Segundo ele, a frota brasileira ainda apresenta elevado grau de envelhecimento, consequência dos investimentos adiados durante os anos da pandemia.

"Houve alguma antecipação, mas o mercado continua precisando comprar. A frota brasileira envelheceu e esse atraso ainda não foi recuperado." Na avaliação do executivo, o programa evidenciou que o principal entrave para a renovação da frota não é a falta de interesse das empresas, mas o elevado custo do financiamento.

Setor quer novas fases do programa

A Volkswagen também defende que o governo federal amplie o Move Brasil. Como os ônibus só passaram a fazer parte da segunda etapa do programa, o volume de recursos destinado ao segmento foi significativamente menor do que o reservado aos caminhões. "Seria um desejo da indústria que houvesse novas fases do programa, com mais recursos. Mas, até agora, não ouvimos nenhuma sinalização nesse sentido."

Apesar da perspectiva de estabilidade para o mercado brasileiro de ônibus em 2026, em linha com as projeções da indústria, Carrer afirma que a Volkswagen espera crescer acima da média do setor. "Para nós será um ano melhor que 2025, tanto em volume quanto em participação de mercado."

O Move Brasil 2, operacionalizado a partir de 30 de maio, ampliou o escopo do programa ao incluir ônibus, micro-ônibus e implementos rodoviários, além dos caminhões já contemplados na primeira fase. O programa conta com R$ 21,2 bilhões em recursos — sendo R$ 14,5 bilhões do Tesouro Nacional e R$ 6,7 bilhões do BNDES. Desse total, R$ 2 bilhões foram reservados especificamente para o financiamento de ônibus e micro-ônibus, enquanto a maior parte dos recursos permaneceu destinada à renovação da frota de caminhões.

 

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