Mercado de ônibus mostra sinais de recuperação, mas ainda recua em 2026
Vendas do segmento seguem abaixo das registradas no ano passado, refletindo a ausência de compras públicas e licitações, enquanto Fenabrave mantém expectativa de retração de 9,2% no fechamento do ano
Publicado em 03/07/2026 por Alexandre Asquini
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O mercado brasileiro de ônibus voltou a apresentar sinais de recuperação em junho, mas ainda acumula desempenho inferior ao registrado em 2025. Segundo balanço divulgado nesta quinta-feira, 2 de julho, pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas cresceram em relação a maio e avançaram quase 10% na comparação com junho do ano passado. Apesar disso, o acumulado do primeiro semestre permanece cerca de 8% abaixo do observado no mesmo período de 2025.
Na avaliação da entidade, trata-se de um segmento com dinâmica bastante particular, fortemente dependente de licitações e compras governamentais, especialmente para programas públicos de renovação de frota e de transporte escolar. A ausência dessas contratações ao longo do primeiro semestre limitou o ritmo de emplacamentos, embora parte das vendas decorra da renovação periódica das frotas urbanas, prevista nos contratos de concessão.
Observou-se avanço quanto aos ônibus eletrificados. No acumulado de janeiro a junho de 2026 houve a comercialização de 589 veículos, um crescimento de 89,4% sobre os 311 ônibus eletrificados comercializados em igual período do ano passado.
Mesmo com a melhora registrada em junho, a Fenabrave revisou sua projeção para o segmento e passou a estimar retração de 9,2% nas vendas de ônibus em 2026, com expectativa de comercialização de aproximadamente 26,2 mil unidades até o final do ano. A projeção anterior indicava venda de 29.709 unidades.
Mercado total supera expectativas
Considerando todos os segmentos — automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motocicletas e implementos rodoviários —, o mercado brasileiro somou 2,715 milhões de veículos emplacados no primeiro semestre, crescimento de 16,01% em relação ao mesmo período de 2025.
O desempenho ficou acima das expectativas da própria Fenabrave e levou a entidade a revisar suas projeções para o encerramento do ano. A previsão de crescimento do mercado total passou de 6,1% para 8,6%, refletindo principalmente o forte desempenho dos automóveis e comerciais leves e a continuidade da expansão do mercado de motocicletas.
Segundo a entidade, o resultado foi impulsionado pelo aumento da renda da população, maior concorrência entre fabricantes, redução de preços e condições mais favoráveis de financiamento. Ao mesmo tempo, a Fenabrave avalia que o ritmo de expansão deverá perder intensidade no segundo semestre, diante da expectativa de desaceleração da atividade econômica, inflação ainda elevada e menor crescimento da renda.
Automóveis e comerciais leves
Principal responsável pelo desempenho do setor, o segmento de automóveis e comerciais leves apresentou crescimento de 20,11% no primeiro semestre, totalizando 1,359 milhão de unidades comercializadas.
Em junho, as vendas ficaram praticamente estáveis frente a maio, com pequena retração de 1,3%, mas avançaram quase 29% na comparação com o mesmo mês de 2025.
Diante desse desempenho, a Fenabrave elevou significativamente sua estimativa para o ano. A projeção de crescimento passou de 3% para 8,8%, com expectativa de vendas de aproximadamente 2,77 milhões de unidades em 2026.
A entidade atribui esse resultado ao aumento da renda, à intensa concorrência entre as marcas, às reduções de preços, às campanhas de financiamento — incluindo operações com taxa zero — e à valorização dos veículos usados nas negociações. Também avalia que o Programa Mover deverá ganhar maior tração nos próximos meses após a entrada em operação do Fundo Garantidor de Crédito.
Caminhões
Após um primeiro semestre desafiador, o mercado de caminhões apresentou recuperação em junho. As vendas cresceram cerca de 15% frente a maio e 13,6% em relação a junho de 2025, impulsionadas pelos programas de financiamento Mover Brasil Caminhões.
Ainda assim, o acumulado do ano registra retração próxima de 9%, e a Fenabrave prevê que o segmento encerrará 2026 com queda de 7,8%, totalizando aproximadamente 102 mil unidades comercializadas.
A entidade observa que parte dos financiamentos aprovados ainda não se transformou em emplacamentos devido aos trâmites burocráticos, o que pode gerar algum reforço nas vendas ao longo das próximas semanas.
Motocicletas
O segmento de motocicletas mantém o melhor desempenho estrutural do mercado brasileiro. No primeiro semestre, as vendas cresceram cerca de 14%, sustentadas pelo aumento da demanda por alternativas de mobilidade de menor custo e pelo uso intensivo em serviços de entrega e plataformas digitais.
A Fenabrave manteve sua projeção anterior para 2026, estimando crescimento de 10% e vendas de aproximadamente 2,416 milhões de motocicletas, volume que deverá estabelecer um novo recorde histórico para o setor.
Implementos rodoviários
Os implementos rodoviários também registraram recuperação em junho, mas seguem pressionados pelo cenário econômico e pelo enfraquecimento do agronegócio. No acumulado do ano, as vendas permanecem cerca de 9% abaixo das registradas em igual período de 2025.
Para o fechamento de 2026, a Fenabrave revisou sua estimativa para uma retração de 10,6%. Segundo a entidade, o segmento vem sendo afetado pela redução da rentabilidade do produtor rural, resultado da queda das cotações internacionais das commodities, valorização do real, aumento dos custos de produção e maior dificuldade de acesso ao crédito, fatores que reduzem os investimentos em transporte e renovação de frota.
Veículos eletrificados
Embora não faça parte das projeções revisadas por segmento, o mercado de veículos eletrificados continua apresentando forte expansão. As vendas de automóveis e comerciais leves eletrificados saltaram de 114 mil para 245 mil unidades no acumulado do primeiro semestre, crescimento de 115%.
Os veículos totalmente elétricos triplicaram de volume, passando de 30 mil para 90 mil unidades. Já os híbridos cresceram 85%, alcançando 154 mil unidades e consolidando-se como a principal opção entre os consumidores brasileiros.
Também houve avanço nos ônibus e nas motocicletas eletrificadas, enquanto o segmento de caminhões elétricos permanece com volumes reduzidos.
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