Estudo Nacional de Mobilidade Urbana: o cenário ideal simulado para 2054
Para entender o impacto real das propostas para as 21 regiões metropolitanas do Brasil, o estudo simula uma Visão de Futuro para a mobilidade sob duas óticas de políticas públicas
Publicado em 02/07/2026 por Márcia Pinna

O Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), uma iniciativa conjunta desenvolvida pelo BNDES e pelo Ministério das Cidades, tem como planejar, direcionar e estruturar uma visão nacional para os próximos 30 anos para os sistemas de transportes nas principais regiões metropolitanas do Brasil. O estudo mapeou 187 projetos de transporte público distribuídos por 21 regiões metropolitanas e, a partir dos dados obtidos neste levantamento, construiu uma visão de futuro para a mobilidade no país.
O trabalho estabelece que, até a metade do século, o Brasil deve priorizar a transição para modos de transportes não motorizados (ativos, como caminhada e ciclovias) e coletivos, caso ocorra a consolidação de todos esses projetos elencados na pesquisa. Os impactos seriam relevantes para a qualidade de vida da população: redução do tempo de espera e viagem por meio de redes integradas, evitar a emissão de 3,1 milhões de toneladas de CO₂ por ano com mitigação dos danos ambientais, acessibilidade universal e redução drástica de acidentes de trânsito, além tornar a tarifa financeiramente mais acessível.
Para viabilizar a implementação desse portfólio de 187 projetos, o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU) se coloca como uma ferramenta de coordenação entre os governos federal, estaduais e municipais. A expectativa é atrair investimentos via concessões e Parcerias Público-Privadas (PPPs), contando com o apoio financeiro do próprio BNDES, inclusive utilizando recursos do Fundo Clima para incentivar a transição ecológica no setor de transportes urbanos).
Realidade simulada
Para entender o impacto real das propostas, o ENMU simula uma Visão de Futuro para a mobilidade sob duas óticas de políticas públicas. No cenário padrão, mostra como a rede de transporte se comportaria mantendo os padrões atuais de governança, integração e financiamento. Em um cenário otimizado, o estudo faz um exercício hipotético que demonstra os efeitos caso o país adote políticas agressivas de priorização do transporte coletivo, forte integração tarifária e física entre diferentes modos, além de estratégias de desenvolvimento urbano que reduzam a necessidade de longos deslocamentos.
Ao selecionar qualquer região metropolitana na plataforma, é possível comparar diretamente o cenário projetado para 2054 caso nada seja feito contra os benefícios socioeconômicos e ambientais alcançados com a execução dos projetos propostos. Por exemplo, o estudo projeta dois cenários para a Região Metropolitana de São Paulo.
Hoje São Paulo possui a maior malha de transporte sobre trilhos (Metrô e Trens Metropolitanos/CPTM) do país, mas ainda sofre com a saturação de linhas e grandes "vazios" de média e alta capacidade em periferias e subcentros regionais. De acordo com o ENMU, caso os projetos previstos sejam concluídos, haveria a ampliação em cerca de 563 km das linhas de transporte coletivo de média e alta capacidade na Grande São Paulo. Com essa expansão, a rede estrutural planejada e proposta deverá saltar significativamente, alcançando uma malha total de 1.309 km de extensão até 2054, pulverizando os eixos de alta capacidade por toda a região metropolitana. A meta do estudo é que, com a consolidação dos projetos, a fatia de deslocamentos feitos exclusivamente por transporte público coletivo na Região Metropolitana de São Paulo atinja patamares acima de 40%.
A frota de ônibus predominantemente a diesel e o intenso tráfego de veículos individuais na Grande São Paulo geram pesados custos ambientais e de saúde pública devido à emissão contínua de gases de efeito estufa. Com a expansão do transporte sobre trilhos, eletrificação de frotas de ônibus e a migração de usuários do carro para o transporte de massa, São Paulo poderá liderar a fatia de descarbonização do país. Em nível nacional, o estudo prevê cortar 3,1 milhões de toneladas de CO₂ ao ano, e a RMSP seria a maior responsável por essa meta de redução de poluentes e mitigação do impacto climático urbano.
O trânsito na região metropolitana ainda convive com altos índices de sinistros e fatalidades, penalizando ciclistas, pedestres e motociclistas.As diretrizes do ENMU para desenhar os acessos às novas estações envolvem forte investimento em mobilidade ativa, com calçadas seguras e redes cicloviárias integradas aos terminais. O redesenho de vias e a redução do fluxo de veículos projetam evitar, de forma agregada no país, milhares de mortes nas próximas décadas: o estudo calcula a preservação de até oito mil vidas no trânsito nacional até 2054.
O estudo também destaca que os moradores das áreas mais periféricas da Região Metropolitana de São Paulo enfrentam trajetos diários de ida e volta que superam as duas ou três horas de duração, devido a gargalos e à necessidade de múltiplas integrações sem nenhuma forma de conexão. Por meio de uma governança metropolitana integrada com forte unificação física e tarifária, as viagens se tornarão consideravelmente mais rápidas, desde que seja possível adensar a oferta de eixos de alta capacidade para descentralizar os polos de emprego, reduzindo o tempo de viagem ponto a ponto.
Confira o estudo completo AQUI
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