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Mobilidade em evolução e liderança feminina

A tecnologia foi um dos temas centrais do evento Elas no Transporte. Na ocasião, Fernanda Caraballo, da Mastercard, destacou o papel essencial das mulheres para promover mudanças na mentalidade do setor

Publicado em 04/06/2026 por Márcia Pinna

Fernanda Caraballo, vice-presidente de desenvolvimento de negócios da Mastercard (Divulgação: Elas no Transporte)
Fernanda Caraballo, vice-presidente de desenvolvimento de negócios da Mastercard (Divulgação: Elas no Transporte)

A segunda edição do Elas no Transporte, realizada na última semana em São Paulo e organizada pela Ekhoa, reuniu cerca de 150 empresárias e profissionais do setor de transporte para debater a participação feminina no mercado, legado e inovação. A tecnologia foi um dos assuntos mais presentes no encontro, refletindo o fato de as mulheres, em geral, serem bastante abertas às inovações.

Fernanda Caraballo, vice-presidente de desenvolvimento de negócios da Mastercard participou do painel “Continuidade em Movimento”, que discutiu como as lideranças estão se preparando para o próximo ciclo da mobilidade. Em entrevista à Technibus, a executiva destacou o papel essencial das mulheres para promover mudanças na mentalidade do setor.

“Minha participação enfatizou a evolução de tecnologia, tendências, mudanças no comportamento do usuário, E como é importante, cada vez mais, usar a tecnologia para dar conveniência e facilidade para o passageiro. É isso que ele espera e que tem no consumo de tantos outros bens e serviços. Já possível fazer tudo de forma digital -  compras, acesso a informações e tantas outras coisa - sem sair de casa, no horário que a gente quer. Precisamos trazer um pouco dessa facilidade também para a mobilidade”, resumiu.

Para Fernanda, as pessoas atualmente querem se deslocar de forma rápida e confortável, com as facilidades do mundo digital. Portanto, as empresas de transporte coletivo precisam se adaptar e mudar seu modelo de negócios. “É importante permitir que os passageiros paguem com os meios de pagamento que eles já têm na carteira, removendo uma parte desse atrito e dessa fricção no processo de pagamento. E isso já é uma grande ajuda para atrair novos usuários para o serviço”, comentou.

Fernanda observa que a bancarização avançou muito após a pandemia, e atualmente o uso do PIX e dos cartões sem contato é parte da rotina das pessoas. “Cerca de 90% do consumo das famílias é pago por meios digitais. Então, o setor de transporte coletivo de passageiros precisa se adaptar e aceitar essa mudança de comportamento”, enfatizou.

Fernanda contou que a Mastercard tem atuado junto aos operadores de transporte, em parceria com empresas de bilhetagem, apoiando o setor nessa modernização de pagamentos. “Hoje já são mais de 30 cidades no Brasil em que é possível pagar diretamente no validador do ônibus ou na catraca do metrô com o cartão de débito ou crédito"

Essa modalidade de pagamento tem crescido rapidamente no Brasil. “Quando a gente fala em pagamento por aproximação em geral no Brasil, temos 75% dos pagamentos presenciais com cartão já feitos por aproximação, sem inserir o cartão na maquininha. É uma tecnologia que o brasileiro adotou muito rápido. E é uma experiência muito fácil, realmente. É fácil, rápida e segura. E ela colabora bastante com essa boa experiência também no transporte público. Então, estamos avançando bastante para expandir essa facilidade para os passageiros”, complementou.

Mudança na cultura das empresas

Para a executiva, ainda existe uma certa resistência cultural de alguns empresários do setor em adotar essa tecnologia. “Uma preocupação com o desconhecido. Há dúvidas de como esse novo meio de pagamento funciona, como é a estrutura de custo. E também se o cartão bancário sem contato vai substituir ou vai concorrer com o cartão de transporte”, contou.

Segundo Fernanda, em todas as cidades em que o sistema foi implementado, ele substituiu o dinheiro, trazendo novos usuários para o sistema e fez crescer o uso do cartão de transporte também. “Porque a pessoa, quando passa a usar mais vezes o seu cartão bancário, ela acaba pegando o cartão de transporte também para ter acesso à integração e a outros benefícios.”

Além da mudança cultural, os empresários também avaliam os custos dessas mudanças. “Existe esse receio inicial e essa resistência cultural, mas existe um investimento inicial em equipamentos. É preciso ter um hardware compatível com a leitura de cartões de débito e crédito. Muitos operadores aproveitam o momento em que já terão que fazer a troca de validadores, que estão obsoletos, para embarcar essas novas tecnologias.”

A vice-presidente de desenvolvimento de negócios da Mastercard também comentou sobre o Prêmio EMV no Transporte, que foi criado para promover iniciativas de modernização da experiência de pagamento no transporte público no Brasil, dando visibilidade e reconhecimento às operações que lideram a adoção do modelo de pagamentos abertos. O Prêmio, promovido pela OTM Editora, tem patrocínio da Mastercard, e terá sua segunda edição em novembro no evento Maiores do Transporte & Melhores do Transporte.

 

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