Tarifa Zero como política de distribuição de renda
A análise realizada pela Universidade de Brasília indica que a gratuidade não é apenas uma questão de mobilidade, mas uma poderosa política de distribuição de renda
Publicado em 05/05/2026 por Márcia Pinna

Um novo estudo desenvolvido no âmbito do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (IPOL/UnB) aponta que a implementação da Tarifa Zero no transporte público das 27 capitais brasileiras e suas regiões metropolitanas tem o potencial de injetar R$ 60 bilhões anuais na economia nacional.
O estudo estima que este potencial bruto de R$ 60 bilhões representa o montante que deixaria de ser retido nas catracas para ser destinado ao consumo de bens básicos e serviços pelas famílias. Desse total, cerca de R$ 14,7 bilhões já circulam devido às gratuidades vigentes (como idosos e estudantes), o que resultaria em uma injeção líquida de R$ 45,6 bilhões em "dinheiro novo" na economia.
O estudo conclui que a Tarifa Zero deve ser compreendida não apenas como uma política de mobilidade, mas como uma poderosa ferramenta de distribuição de renda. "No cenário atual de incertezas globais e desafios crescentes, a Tarifa Zero pode ter um papel tão relevante para o Brasil quanto o programa Bolsa Família teve no início do século XXI, atuando como um motor de dignidade e cidadania, além de contribuir para amenizar desigualdades regionais", diz o documento.
Os pesquisadores recomendam a criação de mecanismos de financiamento extra-tarifários que permitam a desoneração total dos usuários, transformando a mobilidade em um direito social efetivo. Ao converter o gasto com passagens em renda disponível, o "Estado promove uma injeção de liquidez capaz de dinamizar o mercado interno, reduzir a segregação racial e espacial e consolidar um novo patamar de desenvolvimento inclusivo para as metrópoles brasileiras."
Nas considerações finais, o documento afirma que a implementação da Tarifa Zero em escala nacional "reforçaria o protagonismo do Brasil na vanguarda das experiências globais de redução de desigualdades e aprofundamento democrático."
E também que ao desestimular o transporte individual motorizado e contribuir para incentivar o modal coletivo, a "Tarifa Zero não apenas atende às demandas históricas de movimentos e organizações civis, mas também consolida uma proposta de cidade democrática e sustentável fundamentada no acesso universal e na justiça distributiva."
Acesse a pesquisa AQUI
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