Fenabrave pede inclusão do ônibus no Move Brasil
A entidade reivindica que o governo federal prorrogue o Move Brasil, lançado este ano para estimular vendas de caminhões, e passe a incluir os ônibus e implementos agrícolas nesse programa
Publicado em 08/04/2026 por Alexandre Asquini

O presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Arcelio Junior, disse nesta terça-feira, 7 de abril, que sua entidade pediu ao governo não apenas a continuidade do programa Move Brasil, mas sua extensão aos ônibus e aos implementos agrícolas. “Não está decidido no governo, mas fizemos este pedido”, disse, durante coletiva de imprensa para divulgação dos números de emplacamento do setor automotivo.
O programa federal Move Brasil, lançado em janeiro de 2026, disponibilizou R$ 10 bilhões em crédito via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) com juros reduzidos (entre 13% e 14% ao ano) e possibilidade de financiar até 100% do valor do veículo para a renovação da frota de caminhões. O programa, considerado bem-sucedido pela Fenabrave, foi aberto a caminhoneiros autônomos, cooperativas e frotistas, com carência de seis meses e prazos de até cinco anos para pagamento.
A solicitação de expansão do Move Brasil se justifica pelo fato de as contratações do programa estarem próximas de alcançar o limite de recursos disponíveis. Restam apenas os créditos destinados aos autônomos.
Entre janeiro e março de 2026, o Move Brasil possibilitou o emplacamento de 21.740 caminhões, sendo 570 semileves, 1.401 leves, 2.853 médios, 7.295 semipesados e 9.618 pesados. Como há um intervalo entre a comercialização e o emplacamento dos veículos, parte dos reflexos do programa nos números de emplacamento será observada nas próximas semanas.
O desempenho dos ônibus
Em relação ao mercado de ônibus neste início de ano, houve uma recuperação pontual em março, com um aumento de 42% nos emplacamentos em comparação a fevereiro e crescimento de 11% sobre março de 2025.
No entanto, o setor ainda acumula uma retração de 13% no ano: houve 5.899 emplacamentos no acumulado de 2026 até março contra 6.795 emplacamentos em igual período do ano passado. A Fenabrave acredita que a recuperação depende da retomada de programas públicos, especialmente voltados à renovação de frotas escolares e licitações governamentais.
Foram emplacados apenas 166 ônibus elétricos entre janeiro e março de 2026, contra 163 unidades no mesmo período de 2025, representando um crescimento de 1,84%.
Motos ganham protagonismo
Os números do balanço de emplacamentos mostram bom desempenho de um tipo de veículo que, segundo muitos analistas, concorre diretamente com o transporte público. O segmento de motocicletas continua em forte expansão e se consolida como alternativa relevante de mobilidade urbana e geração de renda.
Em março, houve crescimento de quase 30% sobre fevereiro e de 33,5% na comparação anual. No acumulado do ano, a alta já supera 20,61%. Neste primeiro trimestre de 2026 foram emplacadas 571.611 motos. A Fenabrave destaca que o segmento tem um papel econômico e social importante, sendo cada vez mais decisivo para o desempenho do setor. As motos elétricas, por sua vez, emplacaram 5.065 unidades até março de 2026, um aumento de 47,3% em relação ao mesmo período de 2025.
Números surpreendentes
O setor automotivo brasileiro, considerados todos os segmentos, encerrou o primeiro trimestre do ano com desempenho acima das expectativas, impulsionado por um mês de março considerado atípico pela intensidade do crescimento. Os dados foram apresentados pelo secretário-executivo da Fenabrave, Marcelo Ciardi Franciulli.
Segundo ele, março registrou alta de 36,86% sobre fevereiro e de 35,26% na comparação com o mesmo mês de 2025. No acumulado do trimestre, o setor avançou 16,09%, emplacando 1.254.05 veículos, o que configura um dos melhores resultados para o período na série histórica. “Praticamente todos os segmentos tiveram desempenho robusto, com apoio também do maior número de dias úteis”, afirmou.
O segmento de automóveis e comerciais leves manteve o protagonismo no crescimento. A combinação de fatores como renovação de frota, promoções e melhores condições de financiamento estimulou a demanda. O chamado programa do carro sustentável também contribuiu para o avanço, com crescimento expressivo nas vendas. Em março, o segmento avançou 46,07% sobre fevereiro e 40,23% na comparação anual. No acumulado do ano, a alta chega a 15,38%. Para Franciulli, o comportamento do consumidor é claro: “Com condições favoráveis de compra e crédito, há resposta imediata do mercado”.
Os emplacamentos de autos e comerciais leves elétricos cresceram 88,6% na comparação entre o primeiro trimestre deste ano e igual período do ano passado – 95,4 mil unidades contra 50,4 mil unidades. Neste segmento, os elétricos puros totalizaram em 2026, até agora, 30,9 mil emplacamentos enquanto, os híbridos chegaram a 64,5 mil emplacamentos.
Segmentos em dificuldades
Na contramão dos veículos leves, o segmento de caminhões segue pressionado. Apesar de crescimento de 32,60% em março sobre fevereiro, houve queda de 3,66% na comparação anual e retração de 19,28% no acumulado do ano. O cenário é atribuído principalmente ao crédito mais restrito e às incertezas econômicas que afetam diretamente o setor de transporte, altamente sensível ao custo do combustível e às taxas de juros.
O desempenho caminhões elétricos é ainda irrelevante: registraram-se 82 emplacamentos no acumulado de 2026, queda de 1,3% em relação ao observado e igual período do ano passado.
Os implementos rodoviários cresceram 27,64% no mês e 6,07% na comparação anual, mas ainda acumulam queda de cerca de 14,54% no trimestre.
No segmento de máquinas agrícolas, especialmente tratores, o cenário é mais desafiador. Custos elevados, restrição de crédito e incertezas no ambiente econômico têm freado os investimentos, mesmo diante de boas safras. Segundo Franciulli, o segmento segue sob monitoramento, dado seu peso estratégico para a economia brasileira.
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