"Clandestinidade e concorrência desleal estão levando o sistema de transporte rodoviário regular ao colapso", alerta Francisco Mazon da Santa Cruz
A empresa lança o programa de valorização do transporte rodoviário regular e apresenta ações concretas para combater o problema
Publicado em 05/11/2026 por Márcia Pinna

O transporte rodoviário coletivo intermunicipal regular atravessa um momento crítico. O avanço do transporte clandestino feito por automóveis, sobretudo no sistema de carona remunerada, somado a uma demanda de passageiros que não retomou os patamares pré-pandemia, tem desestruturado a viabilidade econômica do setor, principalmente nas rotas de média distância.
Esse cenário levou a Santa Cruz a lançar um programa de valorização do transporte rodoviário regular, baseado em dois pilares: a parceria com prefeituras, e a reivindicação de uma política pública, com aumento da fiscalização, para conscientizar a população dos riscos desse tipo de transporte clandestino. A empresa atua em São Paulo, com a Viação Santa Cruz, e em Minas Gerais, com a SC Minas, com uma frota total de 200 ônibus.
O programa foi lançado durante a apresentação dos 33 novos G8 TEC adquiridos pela Santa Cruz. "O transporte clandestino atua sem fiscalização, não recolhe tributos e submete o usuário a riscos graves. Enquanto isso, o operador regular precisa arcar com protocolos rigorosos de segurança, manutenção veicular e encargos trabalhistas e sindicais", observa Francisco Mazon, CEO da Viação Santa Cruz.
Segundo ele, a perda contínua de usuários tornou inviável a manutenção de itinerários tradicionais de média distância, o que leva muitos operadores a devolver as linhas em que operavam. Em Minas Gerais, as devoluções já superam a marca de mil linhas; em São Paulo, considerando os segmentos rodoviário e suburbano, o cenário é de dimensão semelhante. "O cancelamento de horários e itinerários penaliza diretamente a população que depende do transporte público regulamentado", afirma.
"Carona solidária é permitida. Pode-se fazer o rateio das despesas entre os ocupantes do veículo. Mas fazer de forma sistemática e cobrar por um determinado percurso é ilegal. Esse tipo de atividade afeta diretamente a nossa operação", comenta Mazon.
Ações concretas-
Para conter a retração do sistema, a Santa Cruz tem firmado parcerias com as prefeituras. Desde a pandemia, mais de 40 municípios já aderiram. A proposta é que o transporte regular de estudantes e pacientes que utilizam o sistema de saúde seja feita pelas linhas rodoviárias regulares.
"É positivo para as prefeituras também porque não há necessidade de fretar ônibus especificamente para isso, trazendo economia. E com a tecnologia que temos, é possível acompanhar toda a jornada dos pacientes ou estudantes no ônibus. Temos algumas dificuldades com o last mile, mas estamos tentando resolver", conta.
Na esfera estadual, o setor articula medidas conjuntas com a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) e as forças de segurança pública, demandando o emprego de tecnologia para monitorar e identificar transportadores irregulares.
No campo jurídico, a Santa Cruz vem formalizando denúncias e representações criminais contra a exploração comercial ilegal do transporte de passageiros. Embora o setor aponte lentidão na tramitação das ações, as entidades representativas reforçam que a integração entre secretarias de transporte, forças policiais e o poder judiciário é urgente para impedir o colapso definitivo das conexões intermunicipais regulares.
Treinamento e digitalização
A empresa também tem oferecido preços mais acessíveis em trechos curtos e feito a gestão das rotas de acordo com a demanda. "Ouvimos os passageiros. Um exemplo é a rota Andrada-São Paulo. Havia muita gente que reclamava do tempo perdido na entrada de Campinas. Então, fizemos uma rota sem passar por Campinas. Mas temos que continuar a servir a cidade. Tudo isso requer uma engenharia enorme para termos uma gestão eficiente", exemplifica Mazon.
A digitalização é outra forma de atrair passageiros para os ônibus. O aplicativo Santa Cruz Pay é a principal ferramenta da empresa nessa área. Atualmente 55% das vendas de passagens são feitas on-line.
Investir em treinamento para oferecer um serviço de qualidade é outra frente de atuação da empresa. A SC Educa é uma universidade corporativa que disponibiliza cursos virtuais para os motoristas e demais funcionários da empresa.
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