Eletra tem meta de entregar 1.500 ônibus elétricos em 2027
A empresa registrou crescimento de 87% desde 2023, e para 2027, a expectativa é vender em um único ano o volume registrado nos últimos quatro anos
Publicado em 23/10/2026 por Márcia Pinna

A Eletra traçou uma rota agressiva de expansão para consolidar o Brasil como o polo central de eletromobilidade coletiva na América Latina. O plano estratégico da montadora prevê que o ano de 2027 seja o grande divisor de águas da sua história: a meta é entregar mais de 1.500 ônibus elétricos em apenas 12 meses — volume equivalente a todo o histórico de entregas acumulado entre o início de 2023 e fim de 2026 (1.520 unidades).
A projeção de dobrar a frota em circulação é detalhada pela diretora-executiva da companhia, Iêda Oliveira. "A nossa meta, que pode parecer ambiciosa para alguns, é ser a maior montadora de ônibus elétricos da América Latina", afirma. "Para 2027, projetamos comercializar em um ano o que vendemos em quatro."
Chassis próprios e avanço regional em 2027
O motor central da estratégia para 2027 é a autonomia técnica e a expansão geográfica. "Na linha de produtos, estamos trabalhando no ônibus rodoviário/interurbano, com lançamento previsto para o primeiro trimestre do próximo ano. Teremos também novidades em componentes e baterias desenvolvidas em parceria", comenta a executiva.
Além disso, e Eletra está na fase de homologação de dois modelos de chassis próprios, o articulado e o Padron. Os veículos já estão encarroçados e passarão por quatro meses de testes em pista para obter as certificações internacionais. O objetivo é comercializá-los em toda a América Latina a partir do segundo semestre de 2027.
A estrutura produtiva está sendo dimensionada para suportar o salto. A montadora trabalha na expansão de sua capacidade instalada para atingir o ritmo de 3.000 unidades ao ano. "Nós temos o maior portfólio do mercado, com 11 modelos de ônibus elétricos urbanos. Para Belo Horizonte, vendemos o modelo de piso alto por causa do corredor de embarque em nível, muito parecido com o de Belém. Já para Recife, fornecemos o Padron piso baixo (low entry). São Paulo continua demandando vários modelos: o Midi de 10 metros, o Básico de 70 passageiros, o Padron de 80 passageiros e o articulado de 21 metros", enumera Iêda.
A diretora-executiva da Eletra observa que, neste final de ano, o modelo de 21 metros tem se destacado; é a primeira vez que ele entra com grandes volumes. "Entregamos 115 ônibus de 21 metros e já estamos na linha de produção com mais 123. O articulado traz muitas vantagens para os corredores e apresenta uma relação custo-benefício interessante para o sistema de transporte. É o modelo mais econômico comparando energia e diesel."
Além das metrópoles
A arrancada rumo a 2027 apoia-se em um crescimento de 87% nos negócios e na diversificação da carteira de clientes. "Nós vamos fornecer o sistema de tração para Belo Horizonte (100 ônibus) e vencemos parte da licitação de Recife (40 ônibus com sistema de tração Eletra). Mas, além desses projetos de grande porte, estamos muito focados no trabalho com as cidades médias e pequenas. É isso que vai impulsionar a eletrificação nos próximos dois anos. Os grandes projetos continuam, mas essa diversificação pelo Brasil será um marco expressivo."
Iêda explica que a Eletra também está focada no trabalho com as cidades médias e pequenas, que devem impulsionar a eletrificação nos próximos dois anos. Para ela, a entrada sistemática no varejo de transporte e no atendimento a pequenas frotas garante capilaridade e estabilidade produtiva à cadeia fabril brasileira.
Defesa da indústria local
A diretora da Eletra rebate a tese de que a transição energética depende da importação de ônibus produzidos na Ásia e aponta a engenharia nacional como diferencial competitivo. "Não adianta colocar um ônibus a rodar se, em cinco anos, o custo de manutenção for maior do que o do diesel. Na Europa ou em Shenzhen, na China, o piso é plano; aqui, os veículos enfrentam buracos, vias irregulares, horários rígidos e superlotação", pontua. O sistema da marca é projetado para operar sem necessidade de substituição de motor ou inversor por ao menos 15 anos de vida útil.
O avanço planejado até 2027, contudo, convive com debates regulatórios. Iêda alerta para a necessidade de critérios justos de competição contra concorrentes estrangeiros, apontando que os elétricos nacionais arcam com a mesma carga tributária dos veículos a combustão, enquanto competem com produtos importados incentivados em seus países de origem.
"A concorrência é válida, mas não faz sentido utilizar dinheiro de bancos públicos para financiar produtos fabricados fora do país. O crédito público do Brasil precisa priorizar a indústria brasileira."
Respaldada por parcerias de integração tecnológica com a WEG (que fornece motores e sistemas de tração) e encarroçadoras nacionais como Caio, Marcopolo e Mascarello, a Eletra posiciona 2027 como o horizonte no qual o ônibus elétrico nacional deixará de disputar nichos para liderar o transporte público de massa no continente.
"O Brasil tem uma oportunidade de ouro para retomar a liderança no fornecimento de ônibus para toda a América Latina. Isso gera emprego, renda e divisas para o nosso país. A eletrificação é uma realidade definitiva", avalia Iêda.
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