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Startup desenvolve tecnologia que permite que caminhões e ônibus operem sem motorista em ambientes industriais

Criada a partir de pesquisas na universidade, a Lume Robotics recebeu apoio do Programa Centelha para avançar no desenvolvimento de sistemas de direção autônoma

Publicado em 20/10/2026 por Redação

Micro-ônibus autônomo da Marcopolo com tecnologia desenvolvida pela Lume Robotics (Divulgação)
Micro-ônibus autônomo da Marcopolo com tecnologia desenvolvida pela Lume Robotics (Divulgação)

Tecnologia criada por uma startup do Espírito Santo possibilita que caminhões e ônibus sejam capazes de circular sem motorista em fábricas e complexos industriais brasileiros. Desenvolvida depois de cerca de uma década de pesquisas na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), a inovação deu origem a Lume Robotics que hoje coloca veículos autônomos em operação em grandes empresas do país, como ArcelorMittal, Suzano, Portocel, Ypê e Mercedes-Benz. Criada em 2019, ela desenvolve sistemas de Inteligência Artificial capazes de conduzir veículos de forma autônoma, identificando obstáculos, interagindo com objetos estáticos e dinâmicos e tomando decisões durante o trajeto.

Um dos projetos em operação utiliza quatro caminhões autônomos para transportar produtos dentro de uma fábrica da Suzano, levando materiais da linha de produção até o centro de distribuição. Ao todo, a empresa possui seis clientes ativos e dez veículos em operação, incluindo um ônibus utilizado para transporte de passageiros no complexo da ArcelorMittal Tubarão, no Espírito Santo.

A Lume Robotics foi uma das empresas participantes da segunda edição do Programa Centelha, quando ainda estava em seus primeiros passos como negócio. A startup surgiu a partir de um grupo de pesquisa da UFES dedicado ao desenvolvimento de veículos autônomos. Com o apoio do programa, a empresa conseguiu viabilizar um dos primeiros projetos de desenvolvimento e avançar na transformação da tecnologia, que até então estava restrita ao ambiente acadêmico, em um produto comercial.

"Era uma tecnologia que desenvolvíamos  no contexto da universidade e, percebendo que ela estava em um nível de maturidade, decidimos criar a empresa para evoluir isso para um produto. No Centelha executamos um dos primeiros projetos e o programa ajudou a viabilizar esse desenvolvimento", afirma Rânik Guidolini, CEO e fundador da Lume Robotics.

A utilização dos veículos autônomos pode gerar ganhos operacionais para as empresas. De acordo com estimativas da Lume, a tecnologia pode proporcionar uma redução de aproximadamente 25% nos custos operacionais, considerando fatores como menor consumo de combustível e redução da necessidade de manutenção dos veículos. 

O sistema desenvolvido pela Lume Robotics utiliza IA para permitir que veículos se desloquem de forma autônoma, reproduzindo capacidades necessárias à condução humana. A tecnologia consegue identificar obstáculos e interagir com o ambiente, permitindo sua utilização em diferentes tipos de veículos. Atualmente, o principal foco da empresa está em caminhões que operam em ambientes privados, como fábricas, indústrias, portos e áreas de mineração, onde há demanda por transporte interno de cargas.

Apesar de o foco atual estar em veículos terrestres, a tecnologia também já foi testada em outros meios de transporte. A Lume Robotics embarcou seu sistema em uma aeronave da Embraer, que foi utilizada para demonstrar a capacidade da tecnologia de conduzir dentro de um aeroporto.

Para Guidolini, o apoio de programas de fomento é especialmente importante para empresas de base tecnológica, que precisam de recursos para desenvolver e validar soluções antes de alcançar escala comercial. No caso da Lume, o Centelha contribuiu para estruturar a empresa em uma etapa inicial, com recursos destinados à contratação de colaboradores por meio de bolsas e à aquisição de equipamentos. "O programa é um viabilizador para que a ideia possa se transformar em realidade. Esse tipo de recurso ajuda a criar uma estrutura mínima para começar a operar. Para empresas de deep tech (de alta tecnologia), que têm um custo muito alto de desenvolvimento, iniciativas como essa são fundamentais", afirma.

Segundo Guidolini, a Lume Robotics apresenta crescimento médio anual de aproximadamente 150% desde sua criação. A evolução também tem sido acompanhada pela entrada de investimentos privados. A empresa já captou quase R$ 5 milhões junto a fundos de investimento, recursos destinados à consolidação da tecnologia no mercado nacional e à expansão internacional. Atualmente, a startup negocia com empresas do Uruguai, Chile e México e pretende conquistar clientes fora do Brasil até 2027 e tem a meta de dobrar o número de clientes e de veículos em operação.

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