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Planejamento urbano é essencial para melhorar a mobilidade nas cidades, afirma presidente da Apeop

Carlos Eduardo Lima Jorge defende políticas públicas integradas, prioridade ao transporte coletivo e cidades mais compactas para reduzir congestionamentos e custos de infraestrutura

Publicado em 15/10/2026 por Alexandre Asquini

(Agência Brasil/Rovena Rosa)
(Agência Brasil/Rovena Rosa)

A melhoria da mobilidade urbana nas cidades brasileiras depende menos da busca por soluções isoladas e mais da capacidade de planejar o desenvolvimento urbano, antecipar problemas e estabelecer prioridades para os investimentos. Essa é a avaliação de Carlos Eduardo Lima Jorge, presidente da Associação para o Progresso de Empresas de Obras de Infraestrutura Social e Logística (Apeop), apresentada durante a sessão sobre mobilidade urbana da 3ª Semana Nacional da Engenharia, promovida pelo Instituto de Engenharia na primeira quinzena de outubro.

Ao abordar o papel da engenharia na mobilidade urbana, Lima Jorge destacou que a ausência de planejamento adequado, associada à adoção de metas de curto prazo, leva os gestores públicos a agir de forma reativa, procurando resolver problemas já instalados. Essa postura, segundo ele, dificulta e encarece as intervenções necessárias para melhorar os deslocamentos nas cidades.

 “A falta de planejamento adequado, ou mesmo a adoção de metas de curto prazo, ou seja, correr atrás de problemas em vez de antecipar soluções, é o que mais dificulta e encarece as ações de mobilidade urbana”, disse ele.

Para o dirigente da Apeop, a mobilidade deve ser tratada como parte fundamental do planejamento urbano, por sua relação direta com a qualidade de vida da população. O conceito abrange a circulação de pessoas e cargas e envolve diferentes modos de transporte, como ônibus, metrôs, trens, automóveis, motocicletas, bicicletas e deslocamentos a pé, além da infraestrutura necessária ao funcionamento desses sistemas.

Combater o espraiamento urbano

Um dos pontos destacados pelo palestrante foi a relação entre a organização das cidades e os problemas de mobilidade. Ao recorrer ao conceito de “desurbanismo”, atribuído a Felipe Cavalcante, coordenador do Movimento Somos Cidades, Lima Jorge criticou tendências de planejamento que dificultam a formação de áreas urbanas compactas, com maior adensamento e proximidade entre moradias, comércio, escolas, parques e locais de trabalho.

Na avaliação apresentada, o espraiamento urbano amplia as distâncias percorridas pela população, aumenta a dependência do automóvel e agrava os congestionamentos. Também eleva os custos de implantação da infraestrutura necessária para atender áreas urbanizadas cada vez mais dispersas.

A alternativa defendida é aproximar os serviços e as atividades cotidianas das áreas residenciais, reduzindo a necessidade de viagens longas. A reorganização do espaço urbano, nesse sentido, deve integrar as políticas de mobilidade e o planejamento do crescimento das cidades.

Lima Jorge considera que a engenharia brasileira dispõe de capacidade técnica para responder a esses desafios. Ele citou como exemplos os projetos de metrôs, veículos leves sobre trilhos (VLTs), corredores de ônibus, ciclovias, pontes, viadutos e terminais de transporte.

“Bom planejamento, bons projetos, bons resultados”, resumiu.

Transporte coletivo e integração modal

Entre as medidas que devem orientar o planejamento, o dirigente apontou a ampliação da infraestrutura destinada ao transporte coletivo. A implantação de corredores exclusivos e faixas próprias para ônibus e sistemas de transporte rápido por ônibus (BRT) pode reduzir os efeitos dos congestionamentos e proporcionar maior rapidez às viagens.

Outra prioridade é a integração entre ônibus, metrôs e trens, com bilhete único e terminais acessíveis. A articulação entre os diferentes modos de transporte é importante para facilitar os deslocamentos e melhorar o funcionamento da rede como um todo.

A eletrificação das frotas também foi mencionada como alternativa para substituir veículos movidos a combustíveis fósseis e reduzir a poluição do ar. A transição, porém, integra um conjunto mais amplo de medidas que precisam ser consideradas no planejamento dos sistemas urbanos.

O palestrante também defendeu investimentos em mobilidade ativa, com ampliação e conexão das ciclovias, instalação de bicicletários seguros e integração com sistemas de bicicletas compartilhadas.

Para os deslocamentos a pé, chamou atenção para a necessidade de calçadas bem conservadas, iluminadas e adequadas à circulação. Ao abordar o tema, fez uma referência pessoal à mãe, que, segundo ele, insistia na importância de melhorar as condições das calçadas, especialmente no fim da vida.

A lembrança reforçou um aspecto frequentemente secundário nas discussões sobre infraestrutura: a qualidade da mobilidade também depende das condições oferecidas a quem realiza seus trajetos a pé.

Tecnologia e gestão urbana

O uso de tecnologia foi outro eixo da apresentação. Lima Jorge defendeu a adoção de sistemas inteligentes de sinalização, com sensores e câmeras para monitorar o trânsito em tempo real e ajustar automaticamente os semáforos.

A gestão do tráfego, entretanto, não substitui a necessidade de planejamento. As ferramentas tecnológicas devem contribuir para melhorar o funcionamento da infraestrutura existente e integrar-se às demais políticas de mobilidade.

A descentralização dos serviços urbanos também foi apontada como caminho para reduzir a necessidade de deslocamentos extensos. Bairros com comércio, escolas e empregos próximos das residências podem diminuir a pressão sobre o sistema viário e favorecer formas de mobilidade menos dependentes do automóvel.

Políticas públicas e regulação

Ao tratar da responsabilidade dos governos, Lima Jorge citou a Política Nacional de Mobilidade Urbana, instituída pela Lei nº 12.587/2012. Entre as diretrizes que destacou estão a ampliação e a melhoria da infraestrutura de transporte, a redução da dependência dos veículos particulares e o desenvolvimento de sistemas urbanos mais sustentáveis.

A implementação dessas medidas, em sua avaliação, exige políticas públicas consistentes e coordenação entre os investimentos em infraestrutura e as necessidades da população.

No encerramento, o dirigente defendeu regras rigorosas e transparentes para os serviços de transporte público, independentemente de serem prestados diretamente pelo poder público ou em parceria com empresas privadas. A regulação deve contribuir para assegurar qualidade e segurança.

Como referência, mencionou a defesa de um novo marco legal para o transporte público feita por Francisco Christovam, dirigente da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU).

Capacidade da engenharia e planejamento

A mensagem central da apresentação é que a engenharia brasileira tem condições de executar projetos capazes de melhorar a mobilidade, mas os resultados dependem das escolhas feitas antes e durante sua implantação.

Planejar as cidades de maneira integrada, priorizar o transporte coletivo e organizar melhor o uso do espaço urbano são, nessa perspectiva, condições para que a capacidade técnica se traduza em melhores condições de deslocamento e qualidade de vida.

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