Pular para o conteúdo

Calvet aponta eletrificação, importações e comércio exterior como desafios para a indústria

O dirigente reconhece que a eletrificação avançou mais rapidamente que o previsto e aponta importações, competitividade e comércio exterior entre os desafios para 2027

Publicado em 08/10/2026 por Alexandre Asquini

Na coletiva de imprensa promovida pela Anfavea em 7 de outubro, o presidente da entidade, Igor Calvet, afirmou que a indústria automobilística subestimou a velocidade de avanço dos veículos eletrificados. Segundo ele, o crescimento registrado em 2026 surpreendeu as fabricantes, que trabalhavam com uma evolução mais gradual da tecnologia.

Calvet reconheceu que, olhando retrospectivamente, a indústria poderia ter feito avaliações diferentes. Ele ponderou, porém, que a aceleração da eletrificação também surpreendeu o mercado internacional e foi influenciada por fatores externos, pela evolução dos produtos, pelo comportamento dos consumidores e pelas regulamentações.

Importações

A expansão das novas tecnologias ocorre paralelamente ao aumento das importações. Calvet afirmou que os veículos importados cresceram cerca de 30% no acumulado do ano e apontou a forte expansão dos produtos chineses.

Para o presidente da Anfavea, o problema não é a presença de concorrentes estrangeiros, mas a existência de condições que permitam que determinados produtos ingressem no país sem enfrentar as mesmas condições competitivas das fabricantes instaladas localmente.

A entidade deverá, por isso, ampliar em 2027 a atenção sobre regimes de importação e montagem, benefícios fiscais, ex-tarifários, subsídios e cumprimento das regras de produção. Calvet afirmou que a experiência observada no mercado de veículos leves deverá servir de referência para a atuação no segmento de pesados.

Percentual ideal de importados

Outro tema abordado foi a participação dos importados no mercado brasileiro. Questionado sobre qual seria um percentual considerado adequado, Calvet evitou estabelecer um número específico. Segundo ele, o nível considerado saudável depende do tamanho do mercado, da utilização da capacidade instalada, da escala dos fornecedores, da produtividade e do risco de geração de capacidade ociosa na indústria nacional.

Menos exportações

No comércio exterior, a avaliação é menos favorável. A Anfavea reduziu sua projeção de exportações para 2026 e vê necessidade de uma atuação mais agressiva para recuperar mercados e ampliar o acesso dos produtos brasileiros na América Latina.

Calvet citou Argentina, México, Colômbia, Chile, Peru e Equador ao discutir a competição regional. A Argentina ocupa posição particularmente relevante, mas o Brasil vem perdendo espaço enquanto fabricantes de outros países, especialmente chineses, ampliam sua presença.

Reforma tributária

A reforma tributária também apareceu entre os assuntos para 2027. Calvet foi questionado sobre o Imposto Seletivo e os prazos para sua regulamentação. A discussão envolveu os efeitos da noventena e a possibilidade de cobrança do tributo a partir de janeiro, tema que, pela natureza jurídica da questão, exige regulamentação específica para uma definição conclusiva.

Estoques

Os estoques das montadoras foram outro ponto da coletiva. Calvet afirmou que permanecem elevados e que a indústria deverá trabalhar para reduzi-los até o final do ano. O nível de estoque, associado à transição tributária e à concorrência entre marcas, tende a aumentar a pressão sobre preços e margens.

Eleições

Sobre as eleições, Calvet afirmou que as projeções da Anfavea não incorporam uma variável política. A entidade, segundo ele, trabalhará com qualquer governo escolhido pelos eleitores.

Na avaliação do presidente, portanto, a agenda da indústria para 2027 deverá combinar três frentes principais: competitividade interna, comércio exterior e adaptação à rápida transformação tecnológica do setor.

Fique por dentro das principais notícias e novidades do mundo do Transporte Coletivo e da Mobilidade:

Acompanhe o Canal Technibus no WhatsApp

Acompanhe as nossas redes sociais: Linkedin, Instagram e Facebook

Acesse o Acervo Digital OTM Editora