Anfavea eleva projeção de vendas e produção, mas piora estimativas para ônibus, caminhões e exportações
Entidade eleva estimativas para o mercado e a produção, mas reduz as perspectivas para ônibus e caminhões e para as exportações em 2026.
Publicado em 08/10/2026 por Alexandre Asquini

A Anfavea revisou novamente suas projeções referentes a autoveículos para 2026 e passou a estimar crescimento de 15% nos emplacamentos, para aproximadamente 3,1 milhões de veículos. A nova previsão representa uma melhora em relação à estimativa anterior, enquanto os segmentos de veículos pesados e as exportações tiveram suas perspectivas revistas para baixo.
Segundo Igor Calvet, a previsão de crescimento do mercado havia sido inicialmente estabelecida em 2,3%, passou por revisão em junho e agora chega a 15%. Para os veículos leves, a entidade projeta crescimento de aproximadamente 16%.
Crescimento da produção
A produção também teve a previsão elevada. A estimativa de crescimento passou de 5,8% para 6,7%. Calvet, entretanto, chamou atenção para a composição desse aumento. Parte relevante das unidades adicionais produzidas no Brasil está relacionada aos regimes CKD e SKD, o que, segundo ele, reduz a densidade produtiva nacional e alimenta a preocupação com a desnacionalização da cadeia.
Ônibus e caminhões
Para os veículos pesados – ônibus e caminhões –, a trajetória é inversa. A previsão de queda dos emplacamentos foi revista de 6% para 6,5%. Calvet relacionou o desempenho ao ambiente de juros elevados, restrições ao crédito e aumento da inadimplência.
Os ônibus apresentaram uma reação em setembro, com alta de 17% nos emplacamentos sobre agosto, mas o resultado não foi suficiente para modificar a perspectiva anual para os pesados. Na mesma exposição, Calvet destacou o avanço dos ônibus elétricos, com 1.025 unidades registradas de janeiro a setembro, contra 555 no mesmo período de 2025, conforme os números apresentados na coletiva.
Exportações de autoveículos
O quadro é ainda mais negativo nas exportações de autoveículos. A projeção foi reduzida de 461 mil para 435 mil veículos, com a queda esperada passando de 12,8% para 17,7%.
Calvet apontou a situação da Argentina como um dos principais fatores para a deterioração das exportações brasileiras. Segundo ele, a perda de participação dos veículos brasileiros também está relacionada ao avanço de concorrentes chineses em mercados latino-americanos.
O contraste entre mercado interno e comércio exterior é, portanto, uma das principais marcas da nova projeção da Anfavea: enquanto as vendas domésticas e a produção têm desempenho melhor que o inicialmente esperado, os veículos pesados e as exportações permanecem sob pressão.
Para 2027, Calvet apontou comércio exterior, competitividade e condições de concorrência com produtos importados entre os temas prioritários da entidade.
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