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Com ônibus elétricos e a biometano, Goiás evitou mais de 8 mil toneladas de CO², mostra estudo

Levantamento inédito do Mova-se Fórum de Mobilidade também aponta que, com a troca inicial de 539 veículos obsoletos por modelos mais modernos, a projeção para 2027 estima um impacto positivo acumulado de R$ 21,94 milhões por ano na saúde pública

Publicado em 06/10/2026 por Redação

Divulgação
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Uma auditoria técnica inédita divulgada pelo Mova-se Fórum Nacional de Mobilidade avalia o impacto multidimensional da primeira fase do “Projeto Nova RMTC”, mostrando como a modernização do transporte coletivo está transformando a realidade dos mais de 2,5 milhões de habitantes da região.

A iniciativa ataca diretamente um dos maiores problemas históricos dos grandes centros urbanos brasileiros: a dependência de matrizes fósseis altamente poluentes. O plano inicial auditado pelo Mova-se substituiu 539 ônibus antigos com padrão de emissões Euro 3 – tecnologia defasada e desprovida de sistemas modernos de pós-tratamento de gases – por uma frota diversificada de ultra-baixa emissão.

A Fase I da modernização implementou 54 ônibus elétricos articulados (BEV), 3 veículos movidos a biometano e 477 unidades convencionais de última geração com tecnologia Euro VI (Proconve P-8).

O impacto ambiental ganha contornos ainda mais vitais quando cruzado com as características geográficas e climáticas de Goiás. Conforme ressalta o estudo do fórum de mobilidade, entre maio e setembro o Bioma Cerrado impõe um longo período de estiagem, marcado por umidade do ar abaixo de 15% e episódios de inversão térmica que retêm poluentes na camada limite urbana.

Nesse cenário crítico, a queima de diesel antigo funcionava como um acelerador de crises respiratórias. Com a transição tecnológica mapeada pelo Mova-se, os números da mitigação impressionam:

  • Redução drástica de gases-estufa: O balanço de carbono aponta uma queda anual de 8.072,41 toneladas de CO2 equivalente (-18,4% em relação ao cenário baseline anterior).
  • Alívio no ar metropolitano: As emissões de Óxidos de Nitrogênio (NOx) caíram 84,2% nos eixos estruturantes e corredores com ônibus elétricos, enquanto o “Material Particulado” despencou 79,4%.
  • Fim do Diesel fóssil em larga escala: A operação evitou a queima de 3,16 milhões de litros de óleo diesel por ano.

Além da qualidade do ar, o levantamento destaca o ganho em conforto acústico. Nos corredores e eixos de BRT, os ônibus elétricos operam com uma redução de ruído superior a 75% na pressão sonora percebida por passageiros e moradores locais.

Economia real na saúde pública

O que é ecologicamente sustentável traduz-se diretamente em economia para os cofres públicos e ganho de qualidade de vida para o cidadão goiano. Utilizando a metodologia internacional “Impact Pathway Approach (IPA)” da Organização Mundial da Saúde (OMS), a pesquisa quantificou os reflexos da melhora do ar no sistema de saúde.

A redução de internações hospitalares, atendimentos ambulatoriais e o combate a enfermidades cardiorrespiratórias geraram uma economia anual de R$ 3,75 milhões na região metropolitana de Goiânia. Desse total, cerca de R$ 1,05 milhão representam alívio direto nos custos do Sistema Único de Saúde (SUS), enquanto R$ 2,70 milhões retornam à sociedade sob a forma de ganho de produtividade, redução de faltas no trabalho e mitigação de mortalidade prematura.

Para Miguel Angelo Pricinote, Mestre em Transporte e Fundador do Mova-se Fórum de Mobilidade, os dados comprovam que a modernização do transporte coletivo vai muito além da simples troca de veículos. "A substituição tecnológica da frota da RMTC não é apenas uma atualização de ativos operacionais. Trata-se de uma política pública integrada de saúde ambiental, transição energética justa e melhoria direta na eficiência tarifária do sistema metropolitano, mostrando que investir em mobilidade limpa é investir na vida e no bolso do cidadão", destaca Pricinote.

Economia circular e o horizonte de 2027

Um dos diferenciais tecnológicos apontados pelo relatório é a aposta na economia circular por meio do biometano. O insumo aproveita resíduos orgânicos urbanos e o tratamento de efluentes locais, como o lodo do Aterro Sanitário Metropolitano, transformando um passivo ambiental poluidor em combustível limpo para os ônibus.

As projeções do Mova-se também indicam que, rumo à meta consolidada de 2027, a frota coberta salta para 1.200 veículos (incluindo 65 elétricos articulados, 500 a biometano e 635 Euro VI).

Se na Fase I a economia na saúde pública auditada é de R$ 3,75 milhões, a projeção do fórum para 2027 aponta um impacto positivo acumulado de R$ 21,94 milhões por ano. “Esses números irão consolidar a Grande Goiânia como um verdadeiro laboratório de referência nacional em transição energética e sustentabilidade urbana”, finaliza Miguel Angelo Pricinote.

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