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Como a prefeitura paulistana estrutura a conta dos ônibus elétricos

Financiamento de longo prazo, capacidade fiscal do município e economia operacional formam, segundo Prefeitura e BNDES, a base financeira da eletrificação

Publicado em 01/10/2026 por Alexandre Asquini

Entrega dos ônibus elétricos em São Paulo (Foto: Sérgio Barzaghi PMSP)
Entrega dos ônibus elétricos em São Paulo (Foto: Sérgio Barzaghi PMSP)

A explicação econômica para a expansão dos ônibus elétricos em São Paulo passa, segundo a Prefeitura, pela combinação entre capacidade de financiamento, situação fiscal do município e redução dos custos de operação. Ao apresentar o modelo adotado para a aquisição dos veículos, o secretário municipal de Mobilidade e Transporte, Celso Caldeira, relacionou diretamente a economia proporcionada pelo veículo elétrico à estrutura financeira das compras.

Caldeira afirmou que a Prefeitura criou um modelo de subsídio para viabilizar a aquisição dos ônibus elétricos e destacou que a situação fiscal do município permitiu acesso a condições de financiamento consideradas favoráveis. O prefeito Ricardo Nunes reforçou esse argumento ao apresentar a relação entre o nível de endividamento municipal e os limites estabelecidos pela legislação fiscal.

Saúde financeira é crucial

Segundo Nunes, a dívida do município corresponde a cerca de 14% da Receita Corrente Líquida, diante de um limite de 120% estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Essa condição, afirmou, permite à Prefeitura acessar diferentes fontes de financiamento para os investimentos em mobilidade. Entre as instituições citadas pelo prefeito estão o BNDES, o Banco da China, o BID e o Bird.

Nesse arranjo, a economia operacional dos ônibus elétricos entra como parte da própria conta de financiamento. Caldeira estimou que um ônibus a diesel representa um gasto mensal de aproximadamente R$ 25 mil com combustível, enquanto um elétrico consumiria cerca de R$ 5 mil em energia elétrica. A diferença, de aproximadamente R$ 20 mil por mês, equivaleria a R$ 240 mil por ano e R$ 2,4 milhões em dez anos.

A comparação foi apresentada não apenas como uma diferença de custo entre tecnologias, mas como um dos elementos que sustentam a lógica financeira do investimento. A economia obtida durante a operação ajuda, segundo a argumentação apresentada no evento, a compensar o desembolso associado à aquisição do veículo ao longo de sua vida útil.

Nunes acrescentou que o município trabalha com financiamentos de longo prazo, períodos de carência e taxas de juros que permitem distribuir o impacto da aquisição ao longo dos anos. A combinação entre as condições de crédito e a redução do gasto com combustível é, na avaliação apresentada pelo prefeito, um dos elementos que tornam possível a expansão da frota elétrica.

Participação do BNDES

O BNDES participa diretamente dessa estrutura. A diretora de Infraestrutura, Transição Energética e Mudança Climática do banco, Luciana Costa, informou no evento de entrega que a instituição financia 1.135 dos 2 mil ônibus elétricos atualmente contabilizados pela Prefeitura.

Luciana também destacou a importância da articulação entre diferentes níveis de governo para viabilizar investimentos em infraestrutura e mobilidade. Segundo ela, a cooperação institucional deve ocorrer independentemente de diferenças políticas entre os governos, porque, quando os entes públicos deixam de trabalhar conjuntamente, os efeitos recaem sobre a população.

Outro ponto destacado pela representante do BNDES foi a exigência de que os ônibus financiados pelo banco sejam produzidos no Brasil. A estrutura de crédito, portanto, não se limita à aquisição dos veículos: ela também está associada à produção nacional, à cadeia industrial e à geração de empregos.

Estrutura financeira

O financiamento dos ônibus elétricos se insere em uma estrutura mais ampla, que combina recursos municipais, operações de crédito e participação de diferentes instituições financeiras. Na outra ponta da equação estão os custos de operação: a redução da despesa com energia em relação ao diesel é apresentada pela Prefeitura como um componente que melhora a conta econômica do veículo ao longo do tempo.

É essa combinação — capacidade fiscal para acessar crédito, financiamento de longo prazo e redução do custo operacional — que sustenta a explicação econômica apresentada pela Prefeitura para a expansão da frota elétrica de São Paulo.

 

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