Concorrência leal é positiva para o passageiro do transporte rodoviário, diz executivo da Águia Branca
A Technibus entrevista Roner Chieppe, superintendente de Operações da Viação Águia Branca, que vê com otimismo a abertura das Janelas Extraordinárias pela ANTT
Publicado em 25/09/2026 por Márcia Pinna

O setor de transporte rodoviário de passageiros vive um momento de forte transformação, impulsionado pela modernização das frotas, mudanças regulatórias e exigências crescentes de conforto por parte dos viajantes. Em entrevista à Technibus, Roner Chieppe, superintendente de Operações da Viação Águia Branca, destaca como a empresa vem se posicionando para enfrentar os desafios do mercado, combater o transporte clandestino e expandir suas operações pelo país.
Chieppe observa que, embora o modal aéreo ainda leve vantagem na velocidade e no tempo de percurso, o transporte rodoviário conquistou um espaço incomparável no quesito conforto. O avanço conjunto entre empresários do setor e fabricantes de ônibus permitiu a introdução de categorias que vão do serviço executivo ao leito-cama.
“O Grupo Águia Branca completa 80 anos, então é importante ter essa perspectiva da evolução do setor, que se tornou mais atraente para o passageiro. O mercado continua a evoluir e ainda tem margem para expansão, embora esteja atrelado à economia. Mantemos uma gestão comercial competente para entregar o melhor serviço ao cliente”, pontua.
Livre concorrência e abertura de mercado
A implementação da livre concorrência e o mecanismo das chamadas "janelas extraordinárias" pelo governo federal são vistos com otimismo pela empresa. De acordo com Chieppe, a concorrência, desde que bem estruturada, estimula o aperfeiçoamento contínuo das operadoras.
“Isso traz concorrência, seriedade e amplia o leque de escolhas para o cliente. A concorrência leal e competitiva é excelente, pois estimula a empresa a aperfeiçoar-se. Posicionamo-nos como uma empresa séria e focada no cliente, o que nos dá plenas condições de competir no mercado”, afirma.
“Estamos com expectativas em relação às janelas extraordinárias para podermos expandir a nossa atuação, levando a qualidade do serviço e o atendimento da Águia Branca a novas rotas e regiões do país”, complementa.
O combate ao transporte clandestino
Outro ponto central discutido foi o transporte clandestino, classificado por Chieppe como uma forma de concorrência predatória e irresponsável. Diferente das empresas reguladas, os operadores clandestinos atuam sem estrutura adequada, descumprindo exigências de manutenção, registro de profissionais e normas essenciais de segurança.
Na visão do executivo, apesar das dificuldades operacionais de fiscalização, o poder público e as associações do setor têm intensificado ações de combate a essa prática. Para a empresa, o pilar mais importante nessa frente é a conscientização do próprio passageiro sobre os riscos envolvidos e a importância de optar por viagens seguras e regulares.
“As empresas regulares, por meio de associações, têm trabalhado intensamente para conter essa prática. A principal forma de combate é a conscientização do passageiro, mostrando-lhe a importância de escolher uma viagem segura, confortável e prestada por empresas regulares”, acredita.
Rotas estratégicas e renovação contínua da frota
Atuando em oito estados brasileiros — incluindo Bahia, Espírito Santo, Sergipe, Pernambuco e Paraná —, a Águia Branca tem como destaque de demanda a concorrida linha Rio–São Paulo, caracterizada pela forte disputa entre os modais rodoviário e aéreo.
Para manter a competitividade nessas conexões de alta complexidade operacional, a empresa mantém seu cronograma de renovação anual da frota. A operadora já começou a receber novos veículos ao longo deste ano, com entregas previstas até novembro, e já estrutura o orçamento das aquisições para 2027.
“Utilizamos chassis Mercedes-Benz — inclusive, o Grupo Águia Branca possui concessionárias da marca — e carrocerias Marcopolo. São parcerias de longa data que padronizam a nossa frota”, diz.
Atualmente, o modelo Double Decker (DD) responde pela a maior parte das novas aquisições da Águia Branca. Como diretriz de segurança e estabilidade, a frota adota a configuração conhecida como "quatro patas" (veículos com dois eixos dianteiros e dois traseiros), para garantir máxima dirigibilidade e conforto nas estradas.
“O modelo Double Decker representou uma revolução no transporte rodoviário e é hoje o mais procurado pelos passageiros. Anteriormente tínhamos o Double Service, que combinava lugares semileito e leito num único piso. O DD, respaldado pelas regulamentações da ANTT, permitiu oferecer duas categorias de serviço em dois pisos distintos no mesmo veículo”, lembra Chieppe.
Fique por dentro das principais notícias e novidades do mundo do Transporte Coletivo e da Mobilidade:
Acompanhe o Canal Technibus no WhatsApp
Acompanhe as nossas redes sociais: Linkedin, Instagram e Facebook
Acesse o Acervo Digital OTM Editora

-1024x559.webp?w=3840&q=75)
