Só duas das dez maiores capitais reduziram o tempo diário de deslocamento entre 2025 e 2026
Em comparação com 2025, a Pesquisa Viver nas Cidades feita em 2026 mostra aumento de nove minutos na média das capitais participantes. O tempo médio chegou 2h05. O transporte coletivo registra 30 minutos a mais de deslocamento diário em relação aos individuais.
Publicado em 23/09/2026 por Alexandre Asquini
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O tempo médio gasto diariamente nos deslocamentos dos moradores de dez capitais brasileiras chegou a 2 horas e 5 minutos em 2026, nove minutos acima do registrado no ano anterior. O aumento ocorreu em oito das dez cidades pesquisadas pela Pesquisa Viver nas Cidades: Mobilidade Urbana, realizada pelo Instituto Cidades Sustentáveis (ICS) e pela Ipsos-Ipec. Apenas Manaus e Belém registraram redução no período.
A segunda edição da Pesquisa Viver nas Cidades: Mobilidade Urbana, que está sendo divulgada na manhã desta quinta-feira (24 de setembro), ouviu 3.500 internautas residentes em Manaus, Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e Goiânia. O levantamento avalia a percepção dos moradores sobre tempo de deslocamento, meios de transporte, problemas do transporte coletivo, impacto das tarifas, tarifa zero e segurança dos pedestres.
A pesquisa é realizada pelo Instituto Cidades Sustentáveis e pela Ipsos-Ipec, com cofinanciamento da União Europeia, e procura verificar a percepção dos internautas sobre temas relacionados à mobilidade urbana e aos deslocamentos nas cidades onde vivem.
Tempo de deslocamento aumenta em oito das dez capitais
Fortaleza apresentou o maior tempo médio em 2026, com 2 horas e 18 minutos, e também a maior elevação em relação a 2025, de 20 minutos. Rio de Janeiro aparece com 2 horas e 10 minutos, enquanto Recife e São Paulo chegaram a 2 horas e 7 minutos. Porto Alegre, apesar de apresentar a menor média entre as cidades pesquisadas, também registrou aumento, passando de 1h34 para 1h37.
Em Manaus, o tempo médio caiu de 2h08 para 2h05, enquanto Belém apresentou a maior redução, de 12 minutos, passando de 2h10 para 1h58. Nas demais capitais, houve aumento: Fortaleza (+20 minutos), Recife (+17), Goiânia (+15), Rio de Janeiro (+12), São Paulo (+9), Belo Horizonte (+8), Salvador (+3) e Porto Alegre (+3).
Transporte coletivo concentra deslocamentos mais longos
Quem utiliza o transporte coletivo como principal forma de deslocamento passa, em média, 2 horas e 17 minutos por dia em trânsito, 30 minutos a mais que os usuários de transporte individual.
O ônibus, BRT ou Move continua sendo o meio de transporte utilizado com maior frequência, citado por 35% dos entrevistados. O carro particular aparece em seguida, com 18%, enquanto carro de aplicativo, metrô e deslocamento a pé registram 8% cada.
Considerando o conjunto dos meios, 54% dos entrevistados utilizam algum tipo de transporte coletivo como principal opção, contra 44% que recorrem a meios individuais. O transporte coletivo é utilizado ao menos ocasionalmente por 78% dos participantes.
Entre os usuários de ônibus, BRT ou Move, a lotação é apontada como o principal problema, por 24% dos entrevistados. O preço da tarifa aparece em segundo lugar, com 20%. As condições dos veículos são citadas por 12%, enquanto segurança, pontualidade e frequência aparecem com 10% cada.
Custo da passagem restringe acesso à cidade
Além de influenciar a escolha do meio de transporte, o preço da passagem interfere na realização de atividades cotidianas. Entre os usuários de ônibus, BRT ou Move, 63% afirmam que sempre ou às vezes deixam de visitar amigos ou familiares em outros bairros devido ao custo do deslocamento.
A restrição também alcança atividades de lazer, saúde, trabalho e educação. Segundo a pesquisa, 59% deixam de frequentar parques, cinemas e outras atividades de lazer; 51% deixam de realizar consultas médicas ou exames; 44% enfrentam dificuldades para procurar emprego; e 33% deixam de frequentar escola ou universidade.
O impacto é maior entre os entrevistados de menor renda. Entre aqueles que recebem até dois salários mínimos, 69% deixam sempre ou às vezes de visitar amigos ou familiares e 67% reduzem atividades de lazer por causa do custo do transporte. Na busca por emprego, a restrição chega a 54% entre pessoas de 16 a 24 anos e integrantes das classes D/E.
Tarifa zero é associada a diferentes efeitos
A pesquisa também investigou a percepção dos entrevistados sobre a tarifa zero. Entre as respostas, 25% consideram que a medida poderia ser positiva se acompanhada de melhorias na qualidade e na frequência do serviço.
Outros 22% associam a gratuidade à ampliação do acesso ao transporte e à redução da exclusão social. Para 16%, a medida poderia contribuir para reduzir o uso do automóvel, o trânsito e as emissões de poluentes.
Insegurança também condiciona os deslocamentos
A percepção de segurança é outro aspecto relevante apontado pela pesquisa. Oito em cada dez entrevistados (80%) dizem se sentir pouco ou nada seguros ao atravessar ruas, caminhar pelas calçadas ou utilizar passarelas, pontes e viadutos. Entre as mulheres, o percentual chega a 85%.
O Rio de Janeiro apresenta o maior índice de insegurança entre as dez capitais, com 87%. Belém e Fortaleza aparecem com 83%. Goiânia apresenta o menor percentual, mas ainda assim 62% dos entrevistados dizem se sentir pouco ou nada seguros nos deslocamentos a pé.
Na comparação com 2025, a percepção de insegurança caiu oito pontos percentuais em Manaus e Porto Alegre. No conjunto das dez capitais, porém, o indicador permaneceu estável.
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