Pular para o conteúdo

Eletrificação: Brasil tem indústria e crédito - execução é o teste

Escala requer previsibilidade regulatória, garantias de pagamento, financiamento da infraestrutura das garagens e capacidade pública para preparar, contratar e acompanhar projetos

Publicado em 08/09/2026 por Redação

Ônibus elétricos em terminal de Porto Aelgre (Divulgação/PMPA)
Ônibus elétricos em terminal de Porto Aelgre (Arquivo/Divulgação PMPA)

Por Renata Veríssimo

Em 2025, quase 70 mil ônibus elétricos foram vendidos no mundo. No Brasil, a Associação Brasileira do Veículo Elétrico registrou 844 emplacamentos; a Agência Internacional de Energia arredonda o volume para cerca de 850. A comparação não corresponde à frota efetivamente em operação, mas evidencia a diferença de ritmo em um país que dispõe de fabricantes, fornecedores, engenharia especializada e uma matriz elétrica majoritariamente renovável.

Também existem instrumentos públicos. O Programa Mover inclui ônibus e componentes na política industrial de descarbonização. No Novo PAC, propostas de renovação de frota e mobilidade sustentável abrangem ônibus elétricos, veículos Euro 6 e sistemas sobre trilhos. Em outra frente, o programa de US$ 500 milhões do Banco Mundial com a Caixa combina crédito para veículos e infraestrutura com assistência técnica e fortalecimento institucional.

É nessa distância entre recursos disponíveis e projetos entregues que se insere a análise de Jurandir Fernandes, professor sênior da Unicamp e vice-presidente honorário da UITP. Em artigo publicado pela ANTP, ele resume: “O mundo eletrificou 70 mil ônibus em 2025. Nós eletrificamos 850. A diferença não é tecnológica. É de governança.” Escala requer previsibilidade regulatória, garantias de pagamento, financiamento da infraestrutura das garagens e capacidade pública para preparar, contratar e acompanhar projetos.

A estrutura do programa Banco Mundial-Caixa reforça esse diagnóstico. Além do crédito, prevê apoio para formular projetos financiáveis, melhorar a avaliação técnica, aperfeiçoar contratos e enfrentar limitações da rede elétrica. “Em síntese, o dinheiro só se converte em frota operando quando chega acompanhado do pacote inteiro: projeto, contrato, energia e coordenação institucional”, salienta Fernandes.

Cinco perguntas de governança para o Brasil

·         Há sinalização plurianual para que operadores e fabricantes invistam com previsibilidade?

·         Os contratos definem quem compra o ônibus, instala a recarga, assume o risco tecnológico e recebe pelo serviço?

·         Existem garantias de pagamento compatíveis com a fragilidade fiscal de parte dos municípios?

·         A demanda pode ser agregada para reduzir a fragmentação e alcançar escala industrial?

·         Garagens, conexão à rede e assistência técnica entram no projeto desde o início?

Fique por dentro das principais notícias e novidades do mundo do Transporte Coletivo e da Mobilidade:

Acompanhe o Canal Technibus no WhatsApp

Acompanhe as nossas redes sociais: LinkedinInstagram e Facebook

Acesse o Acervo Digital OTM Editora