BRTs cumprem seu papel, mas precisam ser expandidos, aponta estudo da NTU
Levantamento chama a atenção não apenas para a necessidade de expansão dos sistemas, mas também para a manutenção e melhoria da infraestrutura já implantada
Publicado em 01/09/2026 por Márcia Pinna

O estudo “BRT Brasil: sistemas em operação nas cidades brasileiras”, organizado pela Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), e elaborado pela Oficina Consultores, faz uma radiografia dos 17 sistemas e 35 corredores em funcionamento em 15 cidades brasileiras, representando 556 km de sistema viário dedicado exclusivamente à operação do transporte público coletivo por ônibus.
O Brasil avançou em ritmo lento na expansão desse modelo de transporte público desde a sua implementação em 1974, em Curitiba. O país implantou, em média, menos de 12 quilômetros de corredores, por ano. Os dados mostram que a implantação ocorreu de forma pontual, ao longo das últimas décadas, com maior concentração de investimentos entre 2012 e 2016, período relacionado à preparação das cidades brasileiras para a Copa do Mundo, em 2014, e para os Jogos Olímpicos, em 2016.
Segundo o estudo, é fundamental criar uma agenda de investimento com base em um banco de projetos de infraestrutura. Com a recente aprovação do Marco Legal do Transporte Público Coletivo Urbano e a decorrente expectativa da criação de novo ambiente de negócios, espera-se a viabilização de programas de financiamento baseados em governança robusta e capazes de prover as cidades com redes integradas por eixos de transporte de massa sustentados por sistemas BRT.
O estudo mostra que os sistemas BRT foram bem-sucedidos, apesar de um certo grau de flexibilização no que se refere aos critérios que definem o sistema. Na avaliação da NTU, uma nova agenda para os BRTs deve combinar expansão da infraestrutura, melhoria dos modelos de gestão, implantação de sistemas de monitoramento e controle da operação e requalificação dos acessos e entornos de terminais e estações, especialmente para facilitar a integração com deslocamentos a pé e por bicicleta.
Atualmente, os BRTs brasileiros em operação somam 99 terminais e 682 estações, além das vias dedicadas. Em 64,7% dos casos, a responsabilidade pela manutenção da infraestrutura permanece com os municípios. Segundo o levantamento, quando a manutenção da infraestrutura é de responsabilidade das prefeituras, a qualidade do serviço pode ficar comprometida, além de limitar as possibilidades de exploração comercial dos espaços, para a geração de receitas extra tarifárias. Também é preciso maior sinergia entre os órgãos gestores e os operadores, para viabilizar o desenvolvimento de projetos estruturados, a serem submetidos ao enquadramento nos programas de financiamento.
Nesse cenário, o trabalho destaca que é importante contar com modelos de governança e financiamento que garantam recursos para investimentos tanto na construção da infraestrutura, quanto em manutenção, modernização e expansão.
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