Experiência da cadeia automotiva é apontada como referência para a discussão de um plano nacional de transportes
A sugestão foi apresentada durante os debates finais da 62ª ASPEN (Assembleia Permanente pela Eficiência Nacional), promovida nesta semana pelo Instituto BESC de Humanidades e Economia.
Publicado em 06/08/2026 por Alexandre Asquini
-1.webp?w=3840&q=75)
Uma proposta apresentada em tom de desafio durante a 62ª edição da ASPEN (Assembleia Permanente pela Eficiência Nacional) — encontro promovido pelo Instituto BESC de Humanidades e Economia em 4 de agosto, na fábrica da Greenbrier Maxion (GBMX), em Hortolândia (SP) — acrescentou um novo elemento à discussão sobre a necessidade de um plano nacional de transportes.
Na fase final dos trabalhos, aberta a perguntas e ao debate dos temas levantados pelos palestrantes, Renato Simenauer, coordenador da Coalizão da Cadeia Produtiva Automobilística, sugeriu ao principal conferencista do encontro, professor Paulo Resende, diretor do Núcleo de Infraestrutura, Supply Chain e Logística da Fundação Dom Cabral, que a instituição participasse da construção da proposta coletiva de um plano nacional de transportes baseada na experiência de articulação desenvolvida pela cadeia produtiva automobilística."
Esforço do setor automotivo
Ao apresentar a sugestão, Simenauer lembrou o trabalho da Coalizão da Cadeia Produtiva Automobilística, articulação multissetorial que reúne fabricantes de veículos, fornecedores de autopeças, concessionárias, implementadores rodoviários e entidades técnicas em torno de agendas comuns para o setor.
Ele explicou que, há cerca de 13 anos, organizações como Anfavea, Fenabrave, ANFIR, Instituto Aço Brasil, Fabus, Confederação Nacional do Transporte (CNT) e outras entidades passaram a atuar conjuntamente em defesa de um programa de renovação da frota de caminhões, iniciativa que resultou, segundo ele, em avanços institucionais e na edição de um decreto voltado ao tema da renovação da frota.
O desafio lançado por Simenauer consistia em reunir representantes da cadeia produtiva automobilística, do setor ferroviário e de outros modais para discutir, de forma conjunta, uma proposta de plano nacional de transportes que pudesse servir de referência para os próximos governos.
O papel governamental
Ao responder à provocação, Resende reafirmou a necessidade de um plano nacional de transportes concebido como política de Estado. Segundo ele, governos podem e devem estabelecer prioridades, mas essas escolhas precisam estar inseridas em um planejamento permanente capaz de avaliar seus impactos.
Apesar de acolher a sugestão e declarar que o "desafio estava aceito", Resende observou que planos de Estado são atribuição do poder público. Isso, ressaltou, não impede que a sociedade e o setor produtivo contribuam para a elaboração de referenciais técnicos capazes de subsidiar a tomada de decisões. Ele disse: "O papel do governo não é um papel unitário, sozinho. A sociedade e o setor produtivo têm que ser parte disso. Eu diria para você que têm que ser o ator principal e quem nós elegemos tem que nos ouvir."
Convergência de visões
Embora a proposta tenha surgido de forma espontânea durante o debate e não represente o lançamento de uma iniciativa institucional, a troca de ideias evidenciou uma convergência entre a reflexão acadêmica e a experiência do setor produtivo em torno de um tema recorrente da infraestrutura brasileira: a necessidade de um planejamento de longo prazo para os transportes.
Ao sugerir que o modelo de articulação construído pela cadeia produtiva automobilística possa inspirar uma futura discussão envolvendo diferentes modais, Simenauer trouxe ao debate uma possibilidade inspirada na experiência da cadeia produtiva automobilística, enquanto Paulo Resende sinalizou disposição para participar dessa construção, desde que ela respeite o papel institucional do poder público na formulação de uma política de Estado.
.
Fique por dentro das principais notícias e novidades do mundo do Transporte Coletivo e da Mobilidade:
Acompanhe o Canal Technibus no WhatsApp
Acompanhe as nossas redes sociais: Linkedin, Instagram e Facebook
Acesse o Acervo Digital OTM Editora


