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Volare cresce 80% e amplia aposta em micro-ônibus automatizados

Fabricante levará cinco modelos à Lat.Bus 2026 e reforça estratégia baseada em eficiência operacional, descarbonização e expansão internacional

Publicado em 04/08/2026 por Valeria Bursztein

Estande da Marcopolo/Volare na Lat.Bus 2024 (Arquivo OTM Editora)
Estande da Marcopolo/Volare na Lat.Bus 2024 (Arquivo OTM Editora)

Embora o mercado brasileiro de ônibus ainda avance em ritmo moderado, refletindo a cautela dos operadores na renovação das frotas, a Volare chega à Lat.Bus 2026 ampliando sua aposta em tecnologia como diferencial competitivo. A fabricante apresentará uma série de novidades voltadas à eficiência operacional e à mobilidade sustentável, com destaque para a oferta de transmissão automática em toda a linha de veículos.

A ampliação da oferta de transmissão automática acompanha uma transformação mais ampla da indústria brasileira de ônibus. Além da eletrificação, as fabricantes têm investido em tecnologias capazes de elevar a produtividade das frotas, reduzir o consumo de combustível e melhorar as condições de trabalho dos motoristas, atendendo às diferentes necessidades dos operadores urbanos, rodoviários e de fretamento.

Na Lat.Bus 2026, a Volare exibirá os modelos Attack 8, Attack 10, Attack 10 Híbrido, Fly 10 GV e Fly 12 Fretamento. A principal novidade será a disponibilidade da transmissão automática, fornecida pela Allison Transmission Brasil, como opcional para toda a linha, do Attack 8 ao Fly 12.

Segundo a fabricante, a tecnologia proporciona maior conforto e segurança ao motorista, além de reduzir os custos de operação e manutenção. A iniciativa acompanha uma demanda crescente do mercado por veículos mais eficientes, confortáveis e de operação simplificada. Ao mesmo tempo, a presença do Attack 10 Híbrido e do Fly 10 GV reforça a estratégia da empresa de ampliar sua oferta de soluções voltadas à descarbonização do transporte de passageiros.

Crescimento mesmo em cenário desafiador

Na avaliação da Volare, o mercado brasileiro de ônibus ainda sofre os efeitos dos juros elevados e das restrições ao crédito, fatores que dificultam os investimentos em renovação de frota. Ainda assim, o segmento de micro-ônibus apresenta desempenho superior ao da média do setor, impulsionado pela versatilidade dos veículos e pela busca por soluções de mobilidade mais eficientes.

Reflexo desse movimento, a fabricante registrou crescimento de aproximadamente 80% no primeiro semestre de 2026 em comparação com igual período do ano passado, alcançando cerca de 1.500 unidades comercializadas.

O desempenho foi impulsionado principalmente pelas entregas destinadas ao programa Caminho da Escola e pelo avanço do segmento de fretamento, que segue demandando veículos com maior conforto, segurança e menor custo operacional. A empresa também identifica oportunidades de crescimento nas aplicações urbanas, no turismo e no transporte corporativo, mercados que valorizam a flexibilidade operacional dos micro-ônibus.

Inovação e expansão internacional

Os investimentos da Volare para os próximos anos estarão concentrados no desenvolvimento de novos produtos, na modernização industrial, no fortalecimento da rede de pós-venda e na expansão internacional.

Segundo a empresa, a estratégia contempla o desenvolvimento de veículos com diferentes matrizes energéticas, incluindo tecnologias híbridas, elétricas e movidas por combustíveis renováveis, além da modernização contínua das unidades produtivas e da consolidação da presença da marca nos mercados externos onde já atua, acompanhada da prospecção de novos destinos.

Diferentes tecnologias para diferentes operações

A transformação do transporte coletivo até o fim da década não será conduzida por uma única tecnologia. Esta é a posição da Volare, que prevê que eletrificação, sistemas híbridos, biometano e hidrogênio deverão coexistir, uma vez que cada solução atende a perfis distintos de operação, infraestrutura disponível e características regionais.

Diante desse cenário, a Volare afirma adotar uma estratégia tecnológica diversificada, desenvolvendo veículos capazes de atender diferentes aplicações e contribuir para uma transição energética sustentável, eficiente e economicamente viável.

Competitividade depende de produtividade e inovação

No mercado internacional, a fabricante considera que a competitividade da indústria brasileira dependerá da continuidade dos investimentos em produtividade, inovação, qualidade e fortalecimento da cadeia de fornecedores.

A empresa também defende a ampliação de mecanismos de financiamento às exportações como forma de ampliar a presença dos fabricantes brasileiros no exterior. Ao mesmo tempo, vê um ambiente favorável para novos negócios impulsionado pela renovação das frotas, pelo crescimento do fretamento e pela crescente demanda por veículos mais eficientes e sustentáveis. Esses fatores, segundo a companhia, continuarão orientando seus investimentos em inovação e desenvolvimento de produtos para os próximos anos.


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