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Santa Cruz investe em renovação da frota, mas alerta sobre a concorrência desleal dos clandestinos

Em entrevista à Technibus, Francisco Mazon, CEO da Viação Santa Cruz, fala sobre renovação de frota, impactos negativos do transporte irregular e abertura das Janelas Extraordinárias

Publicado em 25/06/2026 por Márcia Pinna

Francisco Mazon, CEO da Viação Santa Cruz (Divulgação/Arquivo)
Francisco Mazon, CEO da Viação Santa Cruz (Divulgação/Arquivo)

O mercado de transporte rodoviário de passageiros passa por um momento favorável, com aquecimento do turismo nacional e diversos feriados que prolongados que aumentam o movimento nas rodoviárias do país. As empresas do setor seguem investindo continuamente na renovação de frota e aprimoramento dos serviços.

O Grupo Santa Cruz recebeu nos últimos dias 10 ônibus novos para a empresa CS Minas, que atua no sul de Minas Gerais, com chassi Mercedes-Benz OF-1721 de motor dianteiro e carrocerias Marcopolo G8. Para a Viação Santa Cruz, já estão encomendados 20 novos veículos com chassis Scania e carrocerias Marcopolo. A frota da empresa tem idade média de 2,2 anos.

A companhia também investe na digitalização com o aplicativo de vendas digitais Santa Cruz Pay. Atualmente, 40% das vendas de passagens da empresa são feitas por meios digitais. “A Viação Santa Cruz completou 68 anos em 14 de junho e fizemos várias campanhas promocionais com o app, que se tornou uma ferramenta importante para facilitar a vida do passageiro”, conta Francisco Mazon, CEO da Viação Santa Cruz, em entrevista à Technibus.

O empresário avalia o cenário para o transporte rodoviário de passageiros como positivo, mas aponta alguns desafios importantes que impedem um avanço mais acelerado. “O ano está bom, ou melhor, não está ruim”, avalia. Mazon afirma que a Santa Cruz não sofre com a concorrência do transporte aéreo, por operar linhas médias e regionais. “Além do preço, o transporte rodoviário traz outra vantagem em relação ao aéreo: o conforto. O modal rodoviário é fundamental para o país, pois chega a muitos destinos que não são atendidos pelos aviões”, analisa.

Desleal

Para ele, o maior problema enfrentado pelas empresas regulares de transporte rodoviário de passageiros é o transporte clandestino. “Seja por ônibus ou por caronas com automóveis, esse tipo de transporte é muito prejudicial. Não oferece segurança aos passageiros, não recolhe impostos. É uma concorrência desleal”, alerta.

Mazon observa que, em caso de acidentes, os passageiros ficam sem assistência quando optam por esse tipo de transporte. O empresário destaca o esforço das autoridades em fiscalizar os clandestinos. “Na nossa região, no interior de São Paulo, a Artesp contratou mais fiscais e intensificou sua atuação. Somente na última semana, cerca de 30 veículos foram autuados”, conta.

Em Minas Gerais, onde a SC Minas Transportes opera, a fiscalização também está sendo intensificada. “Trata-se de uma ação conjunta entre DER-MG, ANTT, Polícia Militar Rodoviária (PMRv), Polícia Rodoviária Federal (PRF) e polícia civil. Estamos avançando também em Minas Gerais neste aspecto”, ressalta o empresário.

O CEO da Santa Cruz lembra que os estados perdem um volume muito grande na arrecadação de impostos por causa o transporte irregular. “Sem os clandestinos, o estado de São Paulo, por exemplo, arrecadaria o dobro de ICMS, em relação ao que arrecada hoje no setor. Todos perdem com essa prática”, afirma.

Legislação

O setor também passa por transformações regulatórias, como a abertura das Janelas Extraordinárias pela ANTT. “Não somos contra a abertura, desde que a regra seja igual para todas as empresas. É importante avaliar a viabilidade econômica daquele mercado. Temos linhas com média de quatro passageiros por dia? Qual a finalidade de trazer mais empresas para operar uma linha dessas?”, questiona.

Mazon afirma que muitas empresas têm interesse nessas rotas para explorar o transporte entre as cidades do percurso. “Uma linha que sai da Grande São Paulo e vai até o Rio de Janeiro, por exemplo, pode gerar interesse pelas cidades metropolitanas neste percurso”, explica.

Na opinião do empresário, as Janelas Extraordinárias foram bem elaboradas pela ANTT, de forma geral. “Mas carecem de mais estudos sobre essa questão dos mercados. Temos representantes junto `ANTT para discutir os assuntos relativos à abertura das Janelas Extraordinárias e aprimorar o que for necessário”, afirma.

 

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