ClickBus e Fipe apresentam índice de monitoramento de preços de passagens de ônibus
O índice, que pode ser uma importante ferramenta para o planejamento das empresas do setor, mostra, por exemplo, que o diesel subiu 15,7% entre abril de 2025 e abril de 2026, enquanto as passagens rodoviárias subiram bem menos, apenas 7,5%
Publicado em 14/05/2026 por Márcia Pinna

A ClickBus e a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) firmaram uma parceria e lançaram o índice Índice de Preços de Passagens (IRCB), que mede a variação dos preços no transporte rodoviário de passageiros no Brasil (intermunicipal e interestadual). O indicador foi desenvolvido para captar a variação média do mercado, de 2027 para cá. O lançamento foi realizado em São Paulo, em um evento voltado para a imprensa especializada.
O IRCB mostra, por exemplo, que o diesel subiu 15,7% entre abril de 2025 e abril de 2026, enquanto as passagens rodoviárias subiram bem menos, apenas 7,5%. Em comparação ao modal aéreo, as passagens de avião ficaram 23,2% mais caras, significativamente acima do aumento do rodoviário. Já a inflação geral medida pelo IPCA/IBGE foi de 4,4%, o que demonstra que o setor absorveu pressões de custo sem absorvê-las. "O setor é muito resiliente", comenta Phillip Klein, CEO da ClickBus.
Na série histórica, desde 2017, o diesel acumulou aumento de 119,4%, enquanto as passagens rodoviárias encareceram 60, 5% nesses nove anos. Nesse período, a renda média do trabalhador avançou 77,6%, segundo o IBGE, mostrando a evolução do poder de compra do brasileiro.
Phillip Klein destaca que o setor investiu muito nesses nove anos em frota, tecnologia, digitalização e melhoria do serviço como um todo, mas isso não significou aumentos de custos para o passageiro. "Hoje viajar de ônibus é completamente diferente de viajar em 2017. A evolução foi enorme. Mas o preço da passagem subiu relativamente pouco. Outra conclusão que eu chego é de que os preços do transporte rodoviário são bem mais estáveis que as das passagens do aéreo", avalia.
A base de dados utilizada é formada pelas transações individuais de passagens comercializadas pela plataforma ClickBus nesses nove anos em todo o país - cerca de 62 terabytes. O IRCB permite diferentes recortes como por região, tempo, comparação com outros índices econômicos e produto.
"Para o viajante, o índice proporciona mais previsibilidade, pois ele consegue enxergar como o mercado se comporta ao longo do tempo, e mais "empoderamento" na hora de tomar suas decisões de viagem", afirma Klein.
E para o operador, o IRCB é uma ferramenta importante para uma leitura mais acurada do mercado, facilitando o planejamento das empresas. "Tendo uma fonte de dados confiáveis, o operador pode traçar estratégias diversas. Por exemplo, ele pode saber quanto a sua empresa cresceu em relação aos concorrentes, quais as variações sazonais de preço, quanto o imposto de seu estado impacta no preço... são muitas informações relevantes. Estamos aqui para ajudar, para dar mais voz ao setor, que estará embasado por dados", comenta Klein.
O presidente da Fipe, Bruno Oliva, acredita que o novo índice será uma opção importante e adicional para os operadores na hora de fazer o seu planejamento. "Qualquer setor da economia só tem a ganhar quando passa a contar com um índice econômico com dados confiáveis", comenta.
A Fipe foi responsável pelo desenvolvimento metodológico do IRCB, utilizando o índice hedônico, que permite isolar a variação temporal dos preços, controlando características qualitativas das passagens, como origem, destino e classe (convencional, executivo, semileito, leito e cama). "Podemos ainda fazer comparações com outros índices econômicos e descobrir, por exemplo, quanto as famílias gastam de sua renda em transporte rodoviário", diz.
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