PIX se consolida como forma de pagamento no transporte público
Além dos tradicionais cartões de transporte, o PIX vem se surgindo como uma alternativa amigável para o usuário, acostumado com seu uso no dia a dia, mas ainda há dificuldades para a sua ampliação nos pagamentos diretos
Publicado em 04/05/2026 por Márcia Pinna

O PIX já pode ser considerado uma forma de pagamento amplamente consolidada no Brasil e se torna uma alternativa para o passageiro pagar as tarifas e recarregar seus cartões no transporte público. Em um momento em que o transporte coletivo busca atrair mais usuários e reconquistar os passageiros perdidos para os meios de transporte individuais – carro, moto, Uber, táxi e outros -, facilitar a forma de pagar as passagens é uma estratégia fundamental.
“Hoje, o passageiro já está habituado a usar o celular para pagar compras e contas do dia a dia, então faz sentido que essa experiência também chegue à mobilidade urbana”, observa João Valle, CEO da Empresa 1.
Neste cenário, os principais provedores de tecnologia em bilhetagem e ITS estão investindo no desenvolvimento de novos meios de pagamento voltados para o passageiro cada vez mais conectado, digitalizado e, principalmente, sem tempo a perder.
Em Florianópolis, a Empresa 1 implantou soluções como PIX diretamente no validador dentro dos ônibus, recarga de cartão via PIX em dispositivos de autoatendimento nos terminais e também ferramentas digitais que facilitam o acesso a serviços de bilhetagem, como o aplicativo utilizado para recadastramento de estudantes.
“Além de Florianópolis, a Empresa1 também vem expandindo soluções de pagamento instantâneo em outras cidades. Casos recentes incluem Uberlândia e Sabará, em Minas Gerais, e Linhares, no Espírito Santo, onde o pagamento da tarifa via PIX diretamente no validador já está disponível para os passageiros. Esses projetos mostram como as novas tecnologias podem ser implementadas em sistemas de diferentes portes, ampliando as opções de pagamento e acelerando a digitalização do transporte público”, comenta Valle.
Na avaliação do diretor-presidente da Prodata, João Ronco Jr., o PIX passou a ser uma importante forma de pagamento no transporte público. Ele vem sendo amplamente utilizado para, pagamento das viagens, recarga de cartões de transporte e compra de passagens diretamente por aplicativos. “Além disso, a validação pode ser feita por QR Code ou Bluetooth, o que torna todo o processo muito rápido e simples para o passageiro. É uma solução que acompanha o hábito do brasileiro, que já incorporou o PIX no seu cotidiano. Em nossas operações temos uma média de 80% das transações sendo efetivadas por meio do Pix.”
De acordo com Bruno Berezin, CEO da Autopass, o PIX teve uma adoção extremamente rápida no Brasil e se tornou um meio importante de pagamento no transporte público, principalmente nos canais digitais de compra de passagens. “Na Autopass, ele já está presente em jornadas de compra pelo aplicativo e pelo WhatsApp, permitindo que o usuário solicite o bilhete no chat, realize o pagamento e receba o bilhete digital diretamente na conversa. O desafio agora é ampliar ainda mais o uso dessas soluções digitais dentro do transporte público. Nosso objetivo é avançar para um modelo cada vez mais multimeios, no qual PIX, cartões bancários, cartões de transporte e carteiras digitais convivam dentro da mesma plataforma.”
Barreiras
Marco Antônio Tonussi, presidente da Tacom, afirma que, apesar de o PIX já ter se estabelecido como meio de pagamento em escala massiva no país, com larga base de usuários e volume de transações, no transporte coletivo o processo ocorre em ritmo bastante diferente. "O QR Code atrelado ao PIX se tornou uma solução viável para ampliar o pagamento digital com baixo atrito, especialmente em cidades que desejam reduzir o dinheiro a bordo e acelerar a implantação de novos meios. “Mas casos de adoção do PIX para pagamento direto no validador em ambiente embarcado ainda são bastante incipientes”, observa.
Para a Transdata, o PIX tem grande potencial de aplicação na mobilidade urbana. No entanto, o contexto operacional do transporte público impõe desafios específicos relacionados ao tempo de transação e à necessidade de fluidez no embarque.
"Em ambientes como lojas ou supermercados, o usuário tende a ser mais tolerante a pequenos tempos de espera durante a conclusão do pagamento. Já no transporte coletivo, onde a operação ocorre em alta frequência e com grande volume de passageiros, qualquer fricção na jornada pode impactar diretamente a experiência de uso e a eficiência do sistema. Por isso, embora já seja possível o pagamento por PIX diretamente 'na catraca' o avanço desse meio de pagamento ainda esbarra no tempo de resposta da transação pelos bancos, que ainda precisa se tornar mais ágil e integrada aos fluxos operacionais do transporte", avalia a empresa.
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