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Tecnologia e integração de sistemas redefinem o futuro do transporte público, aponta Romano Garcia, da Transdata

Para secretários de mobilidade urbana reunidos em Campinas, Garcia disse que o desafio do setor é integrar ferramentas tecnológicas com eficiência para oferecer um serviço de mobilidade realmente centrado no usuário

Publicado em 27/04/2026 por Alexandre Asquini

Validador no sistema de transporte de Brasília (Foto: Lúcio Bernardo Jr./Agência Brasília)
Validador no sistema de transporte de Brasília (Foto: Lúcio Bernardo Jr./Agência Brasília)

A transformação digital já deixou de ser promessa e passou a moldar, de forma concreta, a maneira como as pessoas vivem, se deslocam e interagem com serviços públicos. Esse foi o ponto de partida da exposição de Romano Garcia, head de negócios da Transdata, durante sessão sobre tecnologia e inovação realizada na 95ª Reunião do Fórum Paulista de Secretários e Dirigentes Públicos de Mobilidade, no dia 15 de abril, em Campinas. 

Romano Garcia, head de negócios da Transdata (Divulgação/Arquivo)


Ao longo de sua apresentação, Garcia destacou que o telefone celular se consolidou como o principal eixo de convergência tecnológica da vida moderna. Ferramentas antes dispersas — como agenda, câmera, meios de pagamento e canais de comunicação — passaram a coexistir em um único dispositivo, redefinindo expectativas dos cidadãos em relação aos serviços, inclusive o transporte público. Hoje, segundo ele, o celular funciona como plataforma central para atividades cotidianas, desde consumo de serviços até acesso à informação e tomada de decisões. 

De acordo com o executivo, esse novo contexto cria uma oportunidade estratégica para reposicionar o transporte coletivo como protagonista da mobilidade urbana. No entanto, isso exige uma adaptação profunda ao perfil contemporâneo do usuário, cada vez mais conectado, informado e exigente. 

O passageiro hoje 

Para ilustrar essa mudança, Garcia utilizou a personagem “Maria”, representação do passageiro atual. Esse novo usuário demanda três elementos essenciais: informação em tempo real, conveniência e canais eficazes de relacionamento. A expectativa é de acesso imediato a dados como horários, itinerários, previsão de chegada e tarifas, além da possibilidade de adquirir passagens diretamente pelo celular, utilizando aplicativos, mensageria instantânea — como o WhatsApp — e meios de pagamento digitais como o Pix. 

Outro aspecto enfatizado foi a mudança na comunicação entre usuários e operadores. Se antes as reclamações eram pontuais e pouco visíveis, atualmente ganham grande repercussão nas redes sociais, exigindo respostas rápidas, transparência e capacidade de gestão da reputação por parte dos sistemas de transporte. 

Garcia ressaltou, contudo, que a adoção de tecnologia, por si só, não garante melhorias na experiência do usuário. Problemas operacionais, como atrasos, adiantamentos e falhas de planejamento, continuam sendo fatores críticos de insatisfação. Nesse sentido, a eficiência da gestão se torna elemento central para que as soluções tecnológicas cumpram seu papel. 

A transformação também atinge o perfil dos gestores públicos. Modelos tradicionais, baseados principalmente na remuneração por passageiro transportado, vêm sendo substituídos por abordagens focadas em produtividade, qualidade do serviço, regularidade e pontualidade. Esse novo cenário exige o uso intensivo de tecnologias como bilhetagem eletrônica, sistemas de gestão de frota, telemetria, sistemas de vigilância, reconhecimento facial para controle de gratuidades e ferramentas de informação ao passageiro — tanto em aplicativos quanto em painéis nos veículos e estações. 

O grande desafio e os custos 

Entretanto, o grande desafio, segundo o executivo, não está apenas na adoção dessas soluções, mas na sua integração. “Muitos sistemas geram dados, mas dados isolados têm pouco valor. É a integração que permite gerar inteligência operacional”, destacou. A combinação de informações de diferentes fontes — como bilhetagem e gestão de frota — possibilita, por exemplo, ajustar a oferta de transporte à demanda real, otimizando recursos, aprimorando o planejamento e permitindo análises mais precisas sobre o comportamento dos passageiros. 

Garcia também chamou atenção para os riscos de ambientes tecnológicos fragmentados, nos quais diferentes fornecedores operam sistemas não integrados. Nesses casos, a dificuldade de identificar falhas e responsabilidades pode comprometer a eficiência do serviço e atrasar soluções, impactando diretamente o usuário final. 

Outro ponto abordado foi a necessidade de otimização de custos diante de novos modelos de financiamento do transporte público, incluindo subsídios, iniciativas de tarifa zero e mudanças no marco regulatório, que reforçam a importância da modicidade tarifária. Nesse contexto, tecnologias antes consideradas acessórias — como sistemas avançados de planejamento, programação e telemetria — passam a ser essenciais para evitar desperdícios e garantir eficiência operacional, em um cenário em que cada recurso conta. 

Exemplos e o futuro 

Durante a apresentação, Garcia apresentou experiências práticas da Transdata em diferentes cidades. Entre os exemplos citados estão Brasília, com a implantação gradual de tarifa zero, inclusive em eventos e datas específicas; Ponta Grossa, que avançou na digitalização dos meios de pagamento com adoção de cartões bancários; Piracicaba, referência em gestão eficiente, com ampliação dos canais digitais como recarga via WhatsApp; e Curitiba, pioneira na utilização de QR Code integrado ao Google Maps, permitindo que usuários — inclusive turistas — acessem o sistema de transporte de forma rápida e sem necessidade de cadastro prévio. 

O executivo também destacou que a empresa desenvolve soluções próprias de forma integrada, abrangendo desde bilhetagem e canais de venda físicos e digitais até sistemas de gestão de frota, conectividade embarcada com Wi-Fi e ferramentas de comunicação em tempo real com motoristas e passageiros. 

Encerrando sua exposição, Garcia reforçou que o futuro da mobilidade urbana passa pela combinação de tecnologia integrada, gestão eficiente e foco no usuário. Para ele, o transporte público só conseguirá se manter competitivo e relevante se for capaz de oferecer uma experiência digital, fluida e alinhada às expectativas da sociedade contemporânea.


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