Luiz Carlos M. Néspoli (Branco), superintendente da ANTP: “A ANTP tem uma ‘bandeira’ permanente que é a defesa do transporte público de qualidade, cidades com qualidade de vida e sustentáveis”

A Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP) completou 45 anos em 30 de julho e para marcar esse período de grandes transformações, a ANTP criou uma nova identidade visual. Saiba mais sobre a história e a atuação da entidade

Technibus – Nesses 45 anos de atuação da ANTP, quais as principais transformações ocorridas no transporte público? Quais os principais marcos da entidade?

Luiz Carlos M. Néspoli – Nas primeiras três décadas, falávamos em transporte e trânsito. O termo “mobilidade” teve uma conotação que foi se tornando mais apropriada para incorporar aos termos transporte e trânsito novos elementos a partir de discussões nos Congressos da ANTP de 1999 e 2001. Na década de 1980, é elaborada a Planilha GEIPOT com os procedimentos de cálculo das tarifas de ônibus, com a participação fundamental da ANTP. Nasce também por iniciativa também do GEIPOT, o conceito de “ônibus Padron”, com a participação da comissão técnica de ônibus da ANTP. É criada a lei do Vale Transporte, cujas bases foram delineadas em um esforço da comissão de economia da ANTP. Posteriormente, por meio de um projeto de lei, é dado início à construção de uma política nacional de transporte públicos, cuja tramitação evoluiu e, em 2012, é publicada a Lei 12.587, que cria a Política Nacional de Mobilidade Urbana

Nesta mesma década, a ANTP, através da sua comissão técnica de trânsito, teve participação fundamental na discussão do novo Código de Trânsito Brasileiro, em especial, na definição da competência dos municípios para gestão do trânsito urbano, a chamada municipalização do trânsito. Ainda, a ANTP coordenou a elaboração e publicou a Planilha ANTP, o Método de Cálculo dos Custos dos Serviços de Transporte Público por Ônibus, atualizando e acrescentando novos elementos à Planilha GEIPOT, cuja última edição tinha sido em 1996.A cada dois anos, a ANTP promove seu Congresso Nacional. Em 2023 irá realizar a sua 23ª edição – o Arena ANTP 2023 – Congresso Brasileiro de Mobilidade Urbana.

Em 1978, a ANTP cria sua Revista dos Transportes Públicos, que hoje conta com 154 edições, contendo milhares de artigos técnicos de grande importância para o conhecimento da mobilidade urbana no Brasil.

TechnibusComo a ANTP avalia a situação atual do transporte público?

Luiz Carlos M. Néspoli – O transporte público já vinha sofrendo uma histórica perda de demanda, agravada profundamente com a pandemia. Como a quase totalidade dos serviços de transporte público contratados no país tem o seu custeio financiado pela arrecadação das tarifas, e a demanda caiu, isso trouxe tensão nos contratos, déficits financeiros para operadoras e até falências e desistências, com risco de colapso no sistema de transporte.

TechnibusAs dificuldades que o setor enfrenta mostram a necessidade de mudanças no transporte público. O senhor acredita que tais mudanças já estão em curso? Há sinais de melhora?

Luiz Carlos M. Néspoli – Há um consenso de todos os que atuam no transporte público – órgãos públicos, operadores, a indústria e fornecedores, consultorias técnicas, entidades e até mesmo na academia – de que o sistema de gestão atual está esgotado. Exatamente por isso, há duas ações em curso, com dois projetos de lei, um que propõe um novo Marco Legal do Transporte Público e outro que trata do pagamento das gratuidades dos idosos a partir de 65 anos pelo governo federal.

Technibus – Como a entidade pretende atuar daqui para frente? Quais as principais ‘bandeiras’ da ANTP neste momento?

Luiz Carlos M. Néspoli – A ANTP tem uma bandeira permanente que é a defesa do transporte público de qualidade, cidades com qualidade de vida e sustentáveis. Queremos fortalecer com maior aproximação com as novas gerações técnicas. A cada curso que a ANTP promove, descobrimos que uma parte significativa dos que atuam no setor hoje tem entre 30 e 40 anos, tem nível superior e até pós-graduação.

Technibus – A nova identidade visual da ANTP é baseada no conceito de ‘pluralidade’. Como esse conceito norteia a atuação da entidade, na prática?

Luiz Carlos M. Néspoli – Pluralidade de gênero, raça e formação, complementaridade de interesses convergentes à nossa bandeira, pluralidade de localidade (o chão é o Brasil), na indistinção do tamanho de cidade e de empresas associadas e pluralidade de modos de transporte (todos os modos podem coexistir, se adequadamente planejados).

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