Marco Saltini, vice-presidente da Anfavea: “2022 será um ano desafiador, não somente por conta da pandemia que pode trazer impacto para o setor, mas pelas dificuldades que ainda serão enfrentadas com a falta de insumos para produzir os veículos”

Na avaliação de Saltini, o Caminho da Escola vai ajudar o setor neste ano. Já foram licenciados 200 ônibus em 2021 da última licitação, e ainda restam 6,8 mil veículos que devem ser licenciados em 2022

Technibus – Qual a expectativa da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) para o mercado de veículos pesados em 2022?

Marco Saltini – Será um ano desafiador, não somente por conta da pandemia que pode trazer impacto para o setor, mas pelas dificuldades que ainda serão enfrentadas com a falta de insumos para produzir os veículos.

Technibus – Quantos veículos pesados serão vendidos no mercado brasileiro em 2022?

Marco Saltini – Ao todo serão 157 mil veículos, o que representará um crescimento de 10% sobre 2021.

Technibus – Qual o total de ônibus e caminhões que serão licenciados no país neste ano?

Marco Saltini – Serão 140 mil caminhões, 9% a mais que em 2021, o que é um crescimento consistente; e 17 mil ônibus, 21% a mais que no ano passado.

Technibus – Além da falta de semicondutores, quais os desafios a serem enfrentados para manter o ritmo de produção de veículos pesados? 

Marco Saltini – Além da falta de semicondutores, outros insumos continuam dificultando a produção de veículos. No caso de veículos pesados (caminhões e ônibus), conseguir pneus também é um desafio. Às vezes, há uma quantidade de pneus, mas não em um mix estipulado.

Technibus – Para o mercado de ônibus a Anfavea prevê a venda de 17 mil veículos este ano, o que representará um crescimento de 21% sobre 2021. O que puxará esse crescimento, já que este setor ainda está muito fragilizado pela pandemia? 

Marco Saltini – O Caminho da Escola vai ajudar o setor neste ano. Já foram licenciados 200 ônibus em 2021 da última licitação e ainda restam 6,8 mil veículos que devem ser licenciados neste ano. No caso de ônibus urbanos, há limitação de idade de frota. Então, alguns modelos devem ser trocados. Ainda que seja o setor mais fragilizado, a gente tem expectativa que as coisas comecem a voltar aos eixos, e o segmento consiga um crescimento, não da forma como deveria ser, porque caiu bastante, mas será mais significativo em 2022. 

Technibus – Qual a previsão da Anfavea para o segmento de urbanos, de rodoviários, fretamento e de modelos escolares? Quais desses segmentos crescerão mais este ano? 

Marco Saltini – É preciso avaliar algumas situações. O turismo deve voltar, então o segmento de fretamento deve crescer um pouquinho mais forte neste ano. O Caminho da Escola vai ter 30% de participação do volume total. E, além do programa federal, algumas secretarias da educação também compram esses veículos escolares, então pode ter alguma demanda adicional. Nos urbanos, há veículos atingindo idade máxima. A Anfavea não faz previsão por segmento, mas uma previsão geral. A participação não deve ser muito diferente do que a gente tem visto nos últimos anos. 

Technibus – No exterior a Argentina, Chile e Peru também são os principais mercados para as exportações de ônibus? 

Marco Saltini – Sim. O Chile compra muitos veículos, mas há também alguns embarques para a Colômbia e alguma coisa para o México e a África, principalmente a Angola. 

Technibus – Nesses mercados, quais modelos de ônibus estão com maior demanda neste ano? 

Marco Saltini – Os ônibus urbanos lideram as exportações, mas há também alguns modelos rodoviários. 

Technibus – Quais outros mercados estão atrativos para as exportações de ônibus? 

Marco Saltini – A África, mas de forma geral, a América Latina toda é atendida pelo Brasil.

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