Gustavo Marques dos Santos, diretor executivo da Visate: “A tecnologia se tornou um fator essencial no transporte público”

Com 280 ônibus, que circulam em 71 linhas municipais e uma linha distrital, a Viação Santa Tereza de Caxias do Sul (Visate) transporta cerca de 78 mil passageiros por dia

Technibus – No cenário atual, bastante desafiador, qual a importância da tecnologia para o transporte público? E especificamente para a Visate?

Gustavo Marques dos SantosA tecnologia se tornou um fator essencial no transporte público, e, a Visate, desde sempre é uma empresa bastante conhecida por testar e implantar inovações no negócio, sendo uma referência no ramo para muitos empresários. Considerando que, o transporte público e a mobilidade urbana não recebem os investimentos e os reconhecimentos que deveriam no Brasil, além que, devido à falta de prioridade para o segmento, o aumento da concorrência e os contratos engessados na maior parte do país, não é nada fácil manter o negócio. Isso tudo, sem falar no alto valor do diesel, insumos e peças, itens que são essenciais no dia a dia. Diante da redução crescente de passageiros e do aumento dos custos, é, mais do que nunca, necessário investir em tecnologia, simplificando partes do processo de modo que o arrecadado seja o suficiente para pagar o pessoal e cobrir os demais custos da empresa, mantendo o equilíbrio econômico-financeiro. Não apenas no transporte público, mas, em diversos segmentos, se torna essencial inovar e buscar maneiras de oferecer um serviço de qualidade e que seja, financeiramente, justo para todas as partes.

Technibus – A Visate mantém seu sistema de bilhetagem e arrecadação sempre atualizado. Como a empresa realiza os processos de modernização?

Gustavo Marques dos SantosAs modernizações se referem às atualizações de equipamentos. Fomos a primeira empresa do Rio Grande do Sul a instalar a bilhetagem eletrônica em 2001, com a Transdata, e realizamos upgrades de softwares em 2007, 2015 e o de agora, previsto para 2021/2022. A cada mudança, surgem também as possibilidades de melhorias e inovações no negócio. Com o AtlasBox (nova solução desenvolvida pela Transdata), muda todo o sistema de pagamento, prestação de contas, geração de relatórios e o cadastro de clientes.

Technibus – Que resultados a Visate espera com a adoção do AtlasBox? Que novas formas de pagamento devem ser possibilitadas pela nova solução da Transdata? E em termos de gestão de frotas?

Gustavo Marques dos Santos – Uma das bandeiras da Visate é a valorização do transporte público. Por isso, atuamos com foco em inovação, observando sempre as tendências que surgem no mercado. Diante disso, mais uma vez, investimos em uma solução para facilitar o dia a dia dos nossos clientes, o AtlasBox. Em breve, novas formas de pagamento estarão disponíveis nos ônibus do transporte coletivo urbano de Caxias do Sul, mas, ainda estamos ajustando quais. Entre as possibilidades para pagamento, com o AtlasBox, é possível via dispositivo NFC, carteira virtual de aplicativo, pulseira smartwatch, QR Code, cartões de débito e crédito, além dinheiro e cartão Caxias Urbano, próprio do transporte na cidade. Após a instalação do AtlasBox, entraremos também em um novo nível de controle e gestão de frota, pois, teremos disponíveis dashboards em tempo real, e, com isso, teremos à disposição diversos relatórios para comparação e avaliação do serviço, segmentando por datas específicas, modelos de ônibus. Outra mudança significativa será a biometria facial, que estará presente em 100% dos ônibus do transporte público da nossa cidade, evitando fraudes relacionadas ao uso de cartão de gratuidade.

Technibus – Na sua avaliação, quais as principais tendências em ITS que devem ser implementadas no transporte público brasileiro?

Gustavo Marques dos SantosÉ preciso, cada vez mais, buscar maneiras de facilitar o dia a dia dos clientes do transporte público e de oferecer uma tarifa pública justa. Como um direito social, previsto na Constituição, o transporte deve ser suportado, em partes, por outras fontes de custeio. Para isso, sistemas tecnológicos e de áudio, vídeo e monitoramento precisam estar presentes nas empresas. Na Visate, por exemplo, temos o Centro de Operações Integradas (COI). Nele, temos em um único espaço, equipes de diversos setores que têm relação direta com a operação do sistema. Assim, ganhamos agilidade na troca de informações e evitamos, muitas vezes, o surgimento de problemas. Com a implantação do AtlasBox, entraremos em uma nova fase no que se refere às tecnologias, já que esse permitirá novas funcionalidades e facilidades para o negócio.

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