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Gestão da inovação: tendências e estratégias

Encontro discute as transformações que setor atravessa, com foco nos impactos da tecnologia nos negócios e nos recursos humanos O evento Fretamento 2019 realizado pela Federação das Empresas de Transportes de Passageiros por Fretamento do Estado de São Paulo (Fresp), em parceria com a Associação Nacional dos Transportadores de Turismo e Fretamento (Anttur), teve como […]

Publicado em 21/01/2020 por Karoline Jones

Encontro discute as transformações que setor atravessa, com foco nos impactos da tecnologia nos negócios e nos recursos humanos

O

evento Fretamento 2019 realizado pela Federação das Empresas de Transportes de

Passageiros por Fretamento do Estado de São Paulo (Fresp), em parceria com a

Associação Nacional dos Transportadores de Turismo e Fretamento (Anttur), teve

como tema central a Gestão da Inovação.

O

encontro, que foi realizado no início de novembro, em Atibaia (SP), incluiu o 19º

Encontro Nacional dos Transportadores de Fretamento e Turismo (Brasilfret) e o 20º

Encontro das Empresas de Fretamento e Turismo.

“Mais do que saber lidar com o novo, é preciso fazer a gestão da inovação para conseguir bons resultados. É desta forma que você conseguirá controlar esses processos e suas variáveis”, comentou Regina Rocha, diretora executiva da Fresp. Sílvio Tamellini, ex-presidente da entidade, ressalta a importância de discutir as melhores estratégias para o setor, em face dessas transformações. “Precisamos entender quais inovações vêm para agregar valor ao nosso negócio e qual a melhor maneira de usá-las”, declarou.

Um

dos temas que tem sido fonte de preocupação para o segmento é a acessibilidade.

Em

junho de 2015, a Portaria Inmetro 269 estabeleceu que todos os veículos destinados

ao transporte coletivo de passageiros fabricados a partir de julho de 2018

deveriam possuir, como meio de embarque e desembarque de pessoas com deficiência

ou mobilidade reduzida, plataformas elevatórias veiculares. Pela lei, as empresas

de fretamento só precisariam ter uma frota totalmente acessível a partir de

janeiro de 2020. Pela lei, anterior à portaria, elas só precisariam ter uma

frota totalmente acessível a partir de janeiro do próximo ano.

Em

setembro, foi publicado hoje o decreto presidencial que reafirmou que a acessibilidade

em toda a frota será exigida somente a partir de janeiro. “Isso é o resultado

do esforço de todo o segmento.

As

empresas vêm, há mais de dois anos, tentando convencer as autoridades

instituídas da injustiça cometida no entendimento desta lei, e agora saímos

vitoriosos nesta primeira etapa do nosso pleito. Vamos agora prosseguir

trabalhando para tornar definitiva a não obrigatoriedade para o fretamento e

turismo”, afirmou Martinho Moura, presidente da Anttur.

Regina

Rocha, da Fresp, ressalta que é importante dar espaço para que o setor se adapte

às necessidades de seus clientes.

“O mercado se regula, não há necessidade de obrigar os empresários a adquirirem uma frota inteira de ônibus com plataformas elevatórias. De acordo com a demanda, cada um pode fazer a melhor escolha, tendo vans ou micro-ônibus acessíveis, já que a procura não costuma ser grande”, disse.

Os

aplicativos de transporte também têm afetado o mercado de fretamento e turismo.

“O setor entende que é um caminho sem volta. É a realidade e temos que nos adaptar a ela. O problema é que o nosso segmento é muito regulamentado, o que nos impede de abraçar essas novas tecnologias e passar a atuar em novos nichos de mercado. Precisamos de uma mudança na regulamentação que nos permita operar com os aplicativos”, enfatizou Regina.

Durante o Fretamento 2019, a Fresp, em parceria com a ANTT, fez o

lançamento do Prêmio Inova Fretamento, voltado para a valorização das

iniciativas inovadoras. As normas da premiação estão sendo desenvolvidas, em

conjunto, pelas duas entidades.

RECURSOS HUMANOS – Durante o evento, foi realizada uma série de palestras que abordaram as mudanças que têm afetado o mercado. Quando se fala em inovação, a maioria dos gestores pensa em novas tecnologias e ferramentas para auxiliar no dia a dia nos negócios. Mas poucos pensam em inovar a gestão de pessoas.

O engenheiro e professor universitário Roberto Carlos Silva

informa que em 64% das empresas, o departamento de RH não está envolvido nos

projetos de inovação.

“Para reduzir os custos com a parte operacional e investir em

estratégia, a tecnologia é fundamental. É preciso estimular que o funcionário

tenha um desempenho sustentável.

O treinamento deve incluir metodologias ativas”, observou. Armelinda Michelan, gestora de Recursos Humanos na Rimatur Transportes, do Paraná, apresentou o case sobre gestão de pessoas. Com o lema “Desenvolvendo Pessoas – Realizando Sonhos”, o novo modelo de treinamento e capacitação foi implantado há sete anos. As mudanças começam na seleção de pessoal, em especial de motoristas. O processo de contratação que era realizado em um dia, passou a durar 16 dias. Logo no início, em média 47% dos candidatos não alcançam aprovação. Na fase final, a reprovação cai para 14%.

“A lógica é demorar para contratar para não demitir rápido”,

explicou Armelinda.

A Rimatur tem quatro garagens, sendo que três delas contam com salas de aula para os treinamentos. Os 776 motoristas estão em constante aprendizado. Com a nova cultura organizacional, o tempo de capacitação dos condutores passou de 35 horas para 154 horas. Na volta das férias, por exemplo, o motorista passa por oito horas de treinamento, antes de voltar a trabalhar. Os funcionários também são convidados a participar de decisões estratégicas, como a reprogramação de rotas.

A frota é composta por vans, micro-ônibus e ônibus, sendo que os motoristas mais jovens começam a dirigir as vans. Do total de profissionais ativos, 72% são provenientes do centro de formação da Rimatur ou na ‘escolinha’, como é conhecido o programa. “Desde 2013, não contratamos mais motoristas prontos. Nós formamos os nossos motoristas. Já temos 557 condutores formados desde então”, relatou Armelinda.

A rotatividade na Rimatur é de 2,1%. “Para nós, ainda é muito alto. Perder um funcionário após todo esse investimento em capacitação, significa prejuízo. A meta é zerar esse índice”, afirma a gestora. “Ouvir o funcionário faz toda a diferença.

Assim,

aumentamos o engajamento da equipe, sua produtividade e diminuímos a rotatividade.

Já na primeira fase da admissão, conseguimos saber quem vai realmente ‘vestir a

camisa’ da empresa”, resume.

Os

funcionários também aprendem noções de primeiros-socorros e de combate a

incêndios. Algumas iniciativas ajudam a manter a equipe engajada, como o prêmio

“motorista nota dez”. Desde que foi implementado o “consumo consciente”, a

companhia, cuja frota circula 2,6 milhões de quilômetros por mês, já atingiu

uma economia de 4,38% de combustível. A Rimatur ainda disponibiliza um

treinamento de 22 horas, por meio de simulador, em uma parceria com o

Sest-Senat.

O

diretor do Instituto de Transporte de Logística (ITL) do Sistema CNT

Sest-Senat, João Victor Mendes de Gomes e Mendonça, destaca que a capacitação

faz parte do processo de gestão de qualquer negócio.

“Afinal, acompanhar as tendências e os avanços nas áreas técnicas e práticas é essencial para quem busca oferecer produtos ou serviços com mais qualidade para os seus clientes”, assinalou.

O

ITL tem como missão investir na capacitação de gestores e lideranças do

transporte.

Com

isso, as empresas ganham em dinamismo e produtividade com as soluções e as

inovações criadas em sala de aula.

Por

meio do programa avançado de capacitação do transporte, o instituto coordena os

cursos de especialização em diversas áreas.

Desde

a sua criação, em 2013, o instituto já formou 1,7 mil gestores de 613

companhias de transporte no país.

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