Sustentabilidade conquista o passageiro e atrai investimentos para o transporte coletivo

Em uma entrevista à Technibus, Edmundo Pinheiro, diretor da HP Transportes de Goiânia e presidente da NTU, comenta os avanços na mobilidade da região metropolitana e a importância da frota “verde” na reconquista do passageiro

Marcia Pinna

A Nova Rede Metropolitana de Transportes Coletivos (Nova RMTC) de Goiânia é um ambicioso projeto lançado pelo governo de Goiás que integra renovação de frota, infraestrutura energética, requalificação de terminais, tecnologia operacional e novos modelos de gestão. Um marco importante nessa iniciativa ocorreu na última sexta-feira (30), com a entrega de 21 novos ônibus elétricos – cinco biarticulados e 16 articulados, todos com chassis Volvo e carrocerias Marcopolo – e a inauguração do eletroposto que tem a capacidade para recarregar até 46 ônibus simultaneamente, além da apresentação do novo terminal de integração do BRT Leste-Oeste.

Na ocasião, o governador Ronaldo Caiado enfatizou a importância dos subsídios para o avanço do projeto e para proporcionar um transporte mais acessível à população. “O custo anual da operação é de R$ 1,5 milhão, dos quais R$ 500 milhões são pagos pelo governo de Goiás, R$ 380 milhões pela prefeitura de Goiânia e o restante pelas outras prefeituras da região metropolitana. O passageiro paga o restante. Ou seja, R$ 1 bilhão é investido em subsídios.”

Edmundo Pinheiro, diretor da HP Transportes de Goiânia e presidente Conselho Diretor da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), destacou em entrevista à Technibus que as novidades apresentadas no dia 30 fazem parte de uma transformação completa na mobilidade da região. “O projeto Nova RBTC, que tinha como objetivo, logo após a pandemia, de transformar a nossa rede de transporte, recuperando a demanda que vinha sendo perdida nos últimos dez anos, especialmente na pandemia. A proposta é modernizar o serviço com o intuito de recuperar a demanda e fazer com que o transporte coletivo volte a se tornar como o modo preferencial e mais relevante.”

Edmundo Pinheiro, presidente do Conselho Diretor da NTU
e diretor da HP Transportes (Divulgação)

Uma característica que chama a atenção neste processo é a sustentabilidade. A descarbonização da frota é um ponto-chave nesta jornada que de reconquistar o passageiro e dar ao transporte coletivo a devida importância na mobilidade urbana. Um sistema de transporte mais sustentável também consegue atrair mais aportes de diferentes instituições financeiras e governamentais.

Aos cinco ônibus biarticulados elétricos Volvo com carroceria com capacidade para até 250 passageiros e mais 16 ônibus elétricos articulados Volvo 180 passageiros irão se somar, até o final de março, mais 23 veículos elétricos BYD. Reforçando esse apelo sustentável do transporte, o governo de Goiás também anunciou recentemente a aquisição de 500 ônibus movidos a gás biometano e a instalação de um posto de biometano até março de 2026.

Edmundo Pinheiro conta que o tema da sustentabilidade ganhou importância na construção do conceito dessa nova mobilidade. “Na verdade, toda diretriz para transformar o serviço buscava atingir três atributos que avaliávamos como fundamentais para a população, que eram conforto, melhor tempo de viagem e segurança. Mas a questão da sustentabilidade se tornou essencial para trazer ao transporte algo que estava se perdendo no tempo, que é a conexão com a sociedade, com o poder público, com os formadores de opinião. Então, a frota elétrica, e em breve a frota a biometano e todas as outras ações que recebem esse selo verde, na nossa percepção, trouxeram para o transporte público o apoio da opinião público e da sociedade”.

O empresário afirma que o apoio da sociedade é fundamental para que, efetivamente, as autoridades e o poder público possam continuar investindo recursos, e com esses investimentos possam realmente promover o transporte coletivo. 

“O sistema de transporte tem que ser visto como um bem comum, um interesse da cidade como um todo e, nesse sentido, eu diria que o selo da sustentabilidade está sendo muito positivo para nos trazer essa conexão com a sociedade. Estamos certos que esse é um caminho necessário que o transporte público tem que percorrer. É uma verdade indiscutível: somente com um transporte público de qualidade é possível assegurar uma cidade sustentável.  E a questão ambiental é um elemento fundamental nessa equação”, ressalta. 

Pinheiro observa que todas as ações que vêm sendo desenvolvidas na região metropolitana de Goiânia são ações efetivas que resultam não só em uma melhor percepção da opinião pública, mas também em uma recuperação da demanda. “Acredito não haja mais do que duas ou três cidades no país -, e Goiânia é uma delas-, em que a demanda de 2025 já superou-se o patamar pré-pandemia. De modo geral, no Brasil, a demanda de transporte público está aquém daquilo que era antes da pandemia. Isso mostra que com investimento, serviço bem desenhado, qualidade, expansão do serviço, a demanda pode não apenas ser recuperada, mas é possível buscar outros patamares e tornar o transporte novamente relevante na matriz de mobilidade.”

“O que nós defendemos claramente é que, para as cidades, somente com a maior participação dos meios coletivos, a gente vai conseguir resolver os problemas e todas as externalidades associadas ao transporte individual”, complementa.  Para ele, entre os problemas estão o aumento de acidentes com motocicletas, o tempo de locomoção e as implicações no próprio uso do automóvel na mobilidade urbana. 

“É um processo longo. Isso não vai acontecer apenas com investimento. Nós temos feito aportes contínuos há mais de dois anos e, no nosso entender, esses investimentos deverão se prolongar por muito tempo para que se atinja o patamar necessário para que, efetivamente, o transporte se consolide como a opção preferencial das pessoas para o deslocamento pela cidade”, complementa.

Para conquistar a confiança do passageiro, além das ações concretas, é necessário incentivar uma cultura de respeito ao transporte. Para Pinheiro, isso só será possível se houver uma infraestrutura integrada para atender as necessidades da população. Segundo ele, investimento na operação fundamental, mas também o necessário investir em infraestrutura, além de políticas de longo prazo. E também é importante estabelecer uma relação de confiança entre o público e o privado para que seja viável atrair mecanismos de financiamento e investimento, que irão se traduzir de forma prática.

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