Mulheres representam 53% dos passageiros no transporte coletivo paulistano

Além disso, segundo o secretário de Mobilidade Urbana de São Paulo, Celso Caldeira, 64% dos passageiros se autodeclaram negros. Outro dado relevante é que 27% dos passageiros são da chamada geração Z, com idades, hoje, entre 16 e 29 anos

Alexandre Asquini

As mulheres correspondem a 53% dos passageiros no sistema de transporte coletivo da cidade de São Paulo. E 64% dos passageiros se autodeclaram negros. Essas informações foram fornecidas pelo secretário de Mobilidade Urbana e Transporte de São Paulo, Celso Caldeira, ao participar no final de fevereiro de um seminário sobre eletromobilidade, promovido pelo Lide – Grupo de Líderes Empresariais

Caldeira destacou ainda que 27% dos passageiros são da geração Z, com idades entre 16 e 29 anos, que têm se distanciado do transporte individual em favor de opções mais sustentáveis, como os ônibus elétricos e híbridos. Essa mudança de comportamento reflete a crescente preferência dessa faixa etária por alternativas mais ecológicas, alinhadas à expansão da eletromobilidade no transporte coletivo paulistano.

Distribuição e motivos de viagem

Em termos regionais, a maior parte dos passageiros (32,8%) reside na região sul da cidade, uma área com grandes desafios logísticos. “A região sul é a mais problemática em termos de logística e transporte”, reconheceu o secretário. As outras regiões paulistanas contribuem com os seguintes percentuais: Leste (31,0%), Oeste (13,2%), Norte (17,3%), Centro (5,7%).

Quanto ao motivo de viagem, o levantamento indica que 81% usam o transporte por ônibus por motivo de trabalho, 9% para estudar e 10% outras diferentes razões. Os dados mostram também que 53% dos passageiros usam duas linhas de ônibus até o destino; 75% usam transporte público cinco dias ou mais por semana e 40% usam trem, metrô e outros meios para completar a viagem

Características do sistema

Em sua apresentação, Caldeira mostrou os números da frota paulistana e os resultados recentes do sistema. Disse que a cidade conta com 13.419 ônibus, dos quais 12.098 em operação, enquanto 1.321 compõem a reserva técnica.

Em 2025, foram transportados 1,9 bilhão de pessoas, uma média diária de 7 milhões de passageiros. “A eletromobilidade tem um papel protagonista na operação do sistema de transporte coletivo de São Paulo”, afirmou Caldeira, referindo-se à crescente inclusão de ônibus elétricos e híbridos nas linhas da cidade.

A operação da rede de ônibus é vasta: 1.319 linhas, sendo150 delas noturnas, e um total de 16 mil viagens programadas por dia útil. Todos os veículos são monitorados 24 horas por dia por um centro de operações integrado. A cidade também conta com 31 terminais, mais de 20 mil pontos de parada, 590 km de faixas exclusivas para ônibus e 135 km de corredores exclusivos.

Nas palavras de Carlos Caldeira, a modernização do sistema também se reflete na qualidade do serviço oferecido. “A frota paulistana é 100% acessível, 96% dos ônibus possuem ar-condicionado, e 99% estão equipados com Wi-Fi. Um dado relevante é a presença de tecnologia embarcada, com 100% dos veículos oferecendo pontos de USB para os passageiros”.

Eletromobilidade em expansão

Justamente por ser um evento dedicado a esse tema, o avanço da eletromobilidade em São Paulo foi um dos pontos centrais da fala de Caldeira. Ele apresentou um “mapa de calor” que evidenciou a evolução das linhas de ônibus elétricos na cidade, que saíram de uma presença incipiente em 2020 para um crescimento substancial até 2025, quando boa parte das linhas da cidade já operam com veículos elétricos ou híbridos.

O progresso, garantiu, é parte de um esforço maior para tornar a cidade mais sustentável e menos dependente de combustíveis fósseis. “Uma tendência que se alinha com as exigências de um público cada vez mais preocupado com o meio ambiente”, assegurou.

Iniciativas de Inclusão e Gratuidade

A inclusão social é um aspecto importante do sistema, uma vez que 33% dos passageiros residem em áreas de vulnerabilidade social; por outro lado, 95% da população tem um ponto de ônibus a menos de 300 metros de casa.

Outro destaque apontado por Caldeira foi a implementação de programas de gratuidade. O programa “Domingão Tarifa Zero” foi citado como um significativo sucesso, proporcionando transporte gratuito aos domingos, tendo alcançado, até fevereiro, 337 milhões de passageiros.

“Essa iniciativa teve uma aprovação de 97% da população”, contou o secretário, que destacou ainda outras ações voltadas a grupos específicos, como a gratuidade para idosos, pessoas com deficiência e mães com crianças pequenas.

Além disso, o programa “Mamãe Tarifa Zero”, que oferece transporte gratuito para mães com filhos de zero a quatro anos que residem a até 1,5 km de creches, já beneficiou milhares de famílias, com 99% de aprovação.

Desafios e soluções

Caldeira também abordou os desafios enfrentados pela cidade em termos de mobilidade, como a logística complicada na região sul e a necessidade de adaptar continuamente a infraestrutura. “O sistema de transporte da cidade precisa de inovação constante, e estamos avançando para garantir que as pessoas se desloquem de forma mais eficiente e sustentável”, afirmou.

Ele concluiu sua apresentação ressaltando a importância de integrar os diferentes modais de transporte, como ônibus, táxis e vans, em um sistema único, mais ágil e acessível. Com 36 mil táxis em operação e 50 mil com alvará, além de 4.500 vans escolares gratuitas, a cidade, de acordo com o secretário, está trabalhando para integrar todas as formas de transporte de maneira eficiente.

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