Em meio a um início de ano marcado por retração na produção de automóveis e caminhões, a fabricação de chassis de ônibus manteve relativa estabilidade em janeiro de 2026, com leve crescimento de 0,8% na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Ao todo, as montadoras produziram 1.820 unidades no período, número significativamente superior ao registrado em dezembro de 2025, quando a produção havia sido excepcionalmente baixa.
O desempenho da produção, no entanto, não foi acompanhado pelo mercado. Os emplacamentos de ônibus somaram 1.180 unidades em janeiro, queda de 43,6% em relação a dezembro e de 33,9% na comparação com janeiro de 2025.
De acordo com a Anfavea, o resultado foi fortemente influenciado pela retração dos ônibus urbanos, que registraram queda superior a 50% frente ao mesmo período do ano anterior, em um contexto de início de ano tradicionalmente mais fraco e de postergação de processos licitatórios em municípios.
Em relação ao programa Caminho da Escola, o presidente da Anfavea, Igor Calvet, reconheceu uma redução nos emplacamentos destinados ao segmento escolar, com retração de cerca de 35% frente a janeiro de 2025. Segundo ele, o desempenho reflete um arrefecimento pontual das compras, associado a atrasos em pregões, mas ainda não permite caracterizar uma tendência. “Estamos falando do primeiro mês do ano. Janeiro costuma ser mais fraco e é fundamental acompanhar esse comportamento ao longo do trimestre antes de qualquer conclusão”, afirmou.
Ao comentar o desempenho geral da produção, Calvet lembrou que janeiro de 2026 foi um mês comprimido, marcado por férias coletivas e retomada gradual das linhas de montagem, o que ajuda a explicar a queda de 12% na produção total de autoveículos frente a janeiro de 2025. Ainda assim, ônibus, picapes e comerciais leves apresentaram relativa estabilidade, em contraste com a retração mais acentuada observada em automóveis e caminhões.
Situação setorial
No panorama mais amplo do setor automotivo, Calvet destacou quatro pontos centrais observados nos dados de janeiro. O primeiro deles foi o avanço dos veículos eletrificados, que atingiram participação recorde de 16,8% nos emplacamentos totais. Um dado considerado ainda mais relevante pela entidade é que 35% desses veículos já são produzidos no Brasil, sinalizando retorno dos investimentos feitos pelas montadoras em novas tecnologias.
No comércio exterior, o presidente chamou atenção para a queda de 18,3% nas exportações de veículos em relação a janeiro de 2025, movimento fortemente influenciado pela retração da demanda argentina. Para a Anfavea, o dado exige acompanhamento permanente, diante da importância do país vizinho para a indústria automotiva brasileira, ainda que mercados como México e Colômbia tenham apresentado recuperação no período.
Outro destaque foi o segmento de caminhões, que ainda reflete os efeitos do enfraquecimento do mercado ao longo de 2025, mas começa a receber estímulos com a implementação do programa Move Brasil do governo federal, lançado em janeiro de 2026, com oferta de R$ 10 bilhões em crédito a juros baixos para compra de caminhões.
O Move Brasil visa à renovação de frota, com estimulo à aquisição de veículos novos e seminovos para autônomos, cooperativados e empresas do setor. Segundo Calvet, a aprovação de R$ 1,3 bilhão em crédito pelo BNDES já no primeiro mês é um sinal relevante, embora os efeitos sobre os emplacamentos devam aparecer apenas nos próximos meses, em função do intervalo entre faturamento e registro dos veículos.
Por fim, o presidente ressaltou o desempenho do programa Carro Sustentável, que já acumula 282 mil unidades emplacadas, volume 22% superior ao observado em período equivalente anterior à sua criação. Para a Anfavea, os números confirmam o papel do programa como indutor da demanda, especialmente no varejo.
Lançado em julho de 2025, o programa Carro Sustentável é uma iniciativa do governo federal integrada ao Programa Mover (Mobilidade Verde e Inovação), com o objetivo de reduzir o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para carros compactos, eficientes e menos poluentes, tornando-os mais baratos. A ideia é estimular a venda de veículos 1.0 (geralmente aspirados) com alto índice de reciclabilidade e fabricação nacional.
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