O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vem ampliando de forma significativa seu apoio à inovação no país, integrando política industrial, desenvolvimento tecnológico e agenda ambiental.
Technibus – O senhor tem afirmado que o BNDES participa do esforço pela inovação no país.
Aloizio Mercadante – O BNDES tem uma agenda de apoio à inovação. Entendemos que inovar é essencial para transformar a base produtiva nacional, impulsionar novas tecnologias, aumentar a produtividade e fortalecer cadeias estratégicas. Investir em inovação é um caminho para a geração de empregos qualificados, amplia a competitividade da indústria brasileira e a coloca num novo patamar de desenvolvimento.
Technibus – Em termos práticos, como esse apoio acontece?
Aloizio Mercadante – Dados recentes mostram que, entre janeiro e setembro de 2025, o BNDES e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) já aprovaram R$ 14 bilhões em crédito para projetos de inovação no âmbito da Nova Indústria Brasil (NIB). Esse montante aprovado em nove meses iguala todo o crédito aprovado no ano de 2023. Desde 2023, as duas instituições já destinaram R$ 57,7 bilhões, sendo R$ 33,4 bilhões oriundos da Finep e R$ 24,3 bilhões do BNDES. Os recursos apoiam projetos de digitalização, modernização, desenvolvimento de tecnologias disruptivas como o carro voador da Eve, inteligência artificial e semicondutores.
Technibus – Por que a inovação é significativa?
Aloizio Mercadante – Recentemente, o prêmio Nobel de Economia foi concedido a três pesquisadores que se dedicaram a estudar o impacto da inovação no crescimento econômico, evidenciando o quanto a inovação é importante e deve sempre ser estimulada. No cenário nacional, o BNDES é uma das instituições mais ativas nessa agenda.
Technibus – Os efeitos da inovação alcançam também o universo ambiental? De que maneira?
Aloizio Mercadante – O fomento a soluções inovadoras também abrange pautas ambientais, como restauração florestal. Desde 2023, o BNDES mobilizou R$ 3,4 bilhões para conservação, recuperação e manejo de florestas, combinando recursos não reembolsáveis, crédito e apoio a concessões. Em resultados práticos, o montante equivale a 70 milhões de árvores plantadas e 23,5 mil empregos gerados — um avanço que coloca o país em rota para a meta de 12 milhões de hectares restaurados até 2030 e dá tração à bioeconomia de espécies nativas como vetor de desenvolvimento. Sabemos da importância de impulsionar o setor florestal para que se torne um segmento com resultados exuberantes, apresentando retorno econômico, geração de emprego, inovação e tecnologia. O BNDES é hoje um banco inovador e verde. Essa atuação só tende a ganhar escala daqui para frente.
Technibus – Ainda com relação à questão climática, como o banco entende os desafios dentro desse tema?
Aloizio Mercadante – Há uma questão que avaliamos como inquestionável: a urgência climática que enfrentamos. Não há mais como falar em desenvolvimento sem promover estratégias que visem não só a adaptação às mudanças climáticas já irreversíveis, como também o controle do aquecimento global. Esse debate se mantém e acreditamos que estará na pauta nos próximos anos. Nessa perspectiva, o BNDES vem se mostrando um ator relevante em prol da transição energética e da conservação e restauração da biodiversidade brasileira. Em 2024, concretizamos novas formas de atuação, como a ampliação do Fundo Clima. O programa bateu recorde, com R$ 10,2 bilhões de aprovações e R$ 1,1 bilhão de desembolsos — mais da metade do valor desembolsado nos dez anos anteriores. Se olharmos para as previsões de emissões evitadas pelas operações aprovadas no ano, estima-se que serão 86,6 milhões ao longo da vida útil desses projetos.
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