Mercado de carrocerias de ônibus deve repetir bom desempenho em 2026, avalia presidente da Fabus

No ano passado, o destaque foram as exportações, com expansão significativa, enquanto o mercado interno apresentou uma leve queda

Marcia Pinna

As encarroçadoras brasileiras registraram um avanço de 1,7% na produção de carrocerias no ano passado, segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus (Fabus). Em 2025, foram produzidas 27.516 unidades, enquanto no ano anterior foram registradas 27.067 carrocerias – incluindo os números da Volare.

“Apesar do mercado ter ficado abaixo da nossa projeção inicial, que era de 5% de aumento, o resultado é positivo. Principalmente, se considerarmos que em 2024, o crescimento na produção havia sido de 19,2%. Também, ao vermos os outros segmentos como o de caminhões pesados, avaliamos que foi um ano favorável. E o setor tem tido crescimento constante no período pós-pandemia”, comenta Rubens Bisi, presidente da Fabus.

As exportações apresentaram expansão de 28%, com 3.767 unidades comercializadas no mercado externo, em comparação ao total de 2.938 registradas em 2024. A Argentina é o principal mercado para as encarroçadoras brasileiras. “Acredito que com a inflação sob controle, o mercado argentino deverá crescer mais ainda. Os principais produtos são os modelos rodoviários de alto valor agregado, como os Double Deckers. Vemos com otimismo o mercado do Chile. E em médio ou longo prazo, a Venezuela também pode voltar a comprar ônibus brasileiros”, avalia Bisi.

Otimismo para 2026 –

Para 2026, o presidente da Fabus espera que o desempenho do setor seja semelhante ao resultado do ano passado, mantendo o patamar de 27 mil carrocerias. Uma das expectativas é em relação à retomada do pregão do programa Caminho da Escola, que irá licitar 7.470 unidades. “Caso a ata saia ainda neste mês, acredito que poderemos entregar esse total até o final do ano. E os impactos na produção devem começar a ser sentidos já no segundo trimestre.”

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Além do transporte escolar, Bisi cita outros fatores positivos que deverão impactar o mercado neste ano, como o PIB, a situação de pleno emprego que aquece os segmentos de fretamento, turismo, linhas intermunicipais e interestaduais e urbano, e as exportações consistentes. “O PAC 3/Refrota também deve ser significativo, principalmente em ano eleitoral. Com mais bancos financiando o Refrota, poderemos ter uma maior renovação das frotas de ônibus”, avalia.

Motos e juros-

O principal fator negativo que afeta o mercado interno (que apresentou queda de -1,5% em 2025), na visão do executivo, é a política de juros altos, que faz o empresário adiar a renovação da frota. Outro ponto de atenção é a expansão nas vendas de motos, que acabam rivalizando com o transporte público. De acordo com a Fenabrave, os emplacamentos de motocicletas bateram recorde histórico no ano passado, com aumento de mais de 17%.

Para Ruben Bisi, isso reforça a importância dos investimentos em infraestrutura para o transporte coletivo. “Já tivemos o fenômeno do Uber, que tirou passageiros do transporte coletivo e levou mais automóveis para as ruas, e agora uma grande volume de motos ocupa as ruas também. Tudo isso colabora para um trânsito mais pesado, com mais congestionamentos. Por isso, se tivermos mais corredores exclusivos e BRTs, mais qualidade no transporte e comodidades como wi-fi nos ônibus, podemos atrair esses passageiros de volta”, observa.

Na visão de Bisi, a ampliação do serviço de mototáxi é uma questão social. “Sem regulamentação, há um sério problema de segurança. Mas esse tipo de serviço obviamente retira passageiros do transporte coletivo. Por isso, é tão importante investir na infraestrutura para os ônibus, pois o transporte coletivo é muito mais seguro e ainda melhora a qualidade do trânsito. É importante reconquistar o passageiro que migrou para esse tipo de serviço”, analisa.

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