Déficit do setor de autopeças atinge US$ 10,5 bilhões em 2021

O resultado negativo do ano passado é decorrente da maior procura por importações, que totalizaram US$ 17,1 bilhões, enquanto as exportações foram menores e atingiram US$ 6,57 bilhões, segundo o Sindipeças

Sonia Moraes

A indústria de autopeças encerrou 2021 com déficit de US$ 10,5 bilhões, crescimento de 281,8% em relação aos US$ 2,74 bilhões registrados em 2020, superando muito a estimativa do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), de que o déficit comercial do setor chegaria a US$ 3,39 bilhões, com importações de US$ 9,74 bilhões e exportações de US$ 6,35 bilhões.

O aumento expressivo do déficit das autopeças em 2021 ocorreu devido à busca maior por importações, que cresceram 108,8%, totalizando US$ 17,1 bilhões, em comparação com os US$ 8,17 bilhões registrados em 2020, enquanto as exportações foram menores, totalizando US$ 6,57 bilhões, e mesmo com o incremento de 21,2% sobre os US$ 5,42 bilhões exportados no ano anterior não foi suficiente para evitar o saldo negativo na balança comercial do setor.

O Sindipeças atribui o aumento das importações no ano passado às dificuldades logísticas, escassez de componentes, alteração do mix de produtos e antecipação das compras, por conta do risco de maior desvalorização cambial.

Do total de componentes importados de 195 países em todo o ano de 2021, a China se destacou com US$ 2,74 bilhões, 85,3% a mais que em 2020 e 16,1 de participação nas compras totais das empresas, seguida pelos Estados Unidos, com US$ 1,95 bilhão, 129,2% acima do ano anterior e 11,5% de participação. A Alemanha teve 10,6% de representatividade, com o total de US$ 1,80 bilhão, 110,8% a mais que no mesmo período do ano anterior. O Japão, que aparece em quarto lugar no ranking, teve 8,9% de participação, com US$ 1,52 bilhão, e o México, quinto lugar, assegurou 6,5% de participação, com US$ 1,10 bilhão, 76,5% maior do que em 2020, segundo o Sindipeças.

Nas exportações destinadas a 211 mercados os principais foram a Argentina, com US$ 1,95 bilhão, 65,7% a mais que em 2020, garantindo 29,7% de participação. Na sequência aparece os Estados Unidos, com US$ 1,19 bilhão, 18,3% acima do ano anterior e 18,2% de participação, o México, que absorveu US$ 705,5 milhões, 0,2% a mais que no mesmo período do ano anterior, ficando com 10,7% do total, e a Alemanha, que teve 7,3% de participação, com US$ 479,06 milhões, aumento de 28,2% sobre 2020.

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