Transporte público acumula prejuízos de R$ 16,7 bilhões

Durante a entrevista coletiva virtual de imprensa que antecede a Lat.Bus 2021 – Seminário NTU, foram apresentados dados inéditos sobre o setor

Márcia Pinna Raspanti

De 21 a 23 de setembro, será realizada a Feira Lat.Bus Transpúblico 2021 – Seminário NTU, que terá como tema ‘O Novo Transporte Público’. Na coletiva de imprensa pré-seminário, foi realizada a divulgação de dados inéditos do desempenho operacional do transporte público coletivo urbano no país.

O presidente executivo da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), Otávio Cunha, destacou a redução de passageiros e de viagens realizadas sob o impacto da pandemia, a queda de produtividade e a necessidade de uma reestruturação no setor. Atualmente, os ônibus urbanos registram 60% da demanda de passageiros, em relação ao período anterior à pandemia.

Cunha informou que as operadoras de transporte urbano do país acumularam R$ 16,7 bilhões de prejuízo nos últimos 12 meses. “O setor iniciou a crise sanitária em dificuldades, já impactado negativamente pelo decréscimo no número de passageiros, que foi de 26% entre 2013 e 2019. Com a pandemia, a queda de passageiros foi drástica. Hoje ainda estamos longe da demanda registrada em 2019”, informou.

Um dos temas que será discutido durante o evento é o novo marco legal do transporte público, que deve ser apresentado no Senado brevemente. “Em cerca de dez dias, a proposta deve se tornar um projeto de lei. Buscamos soluções definitivas para o transporte público, como novos modelos de contratação e de financiamento”, declarou Cunha.

Segundo o presidente executivo da NTU, a idade média da frota do transporte público tem aumentado em virtude de todas as dificuldades, que se intensificaram principalmente depois da crise sanitária. “A idade média ideal é de até quatro anos. Desde o início da pandemia, passamos de uma idade média de 4,5 anos para 5,8 anos. Para termos um transporte público de qualidade, precisamos rever o modelo de política tarifária”, afirmou.

Luiz Carlos Moraes, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), ressaltou que o evento é uma boa oportunidade para que o setor avance na discussão destes temas. “A Anfavea apoia os debates sobre o futuro do transporte público, para que tenhamos um sistema sustentável e de boa qualidade”, disse. A expectativa da entidade é de uma discreta recuperação em 2021, com um mercado interno de 15 a 16 mil ônibus e uma “recuperação modesta” nas exportações.

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus (Fabus), Antônio Bisi, pontuou as principais dificuldades que afetam toda a cadeia do transporte público: falta de financiamento adequado, aumento no preço dos insumos e do combustível, fretes internacionais altos e a escassez de semicondutores e outros componentes para a indústria.

“Temos também alguns fatores positivos que nos permitem vislumbrar uma recuperação nos próximos meses, como o avanço da vacinação, o crescimento do PIB e do nível de emprego e a retomada do turismo interno, além do programa federal Caminho da Escola”, sublinhou Bisi.

Para Eduardo Tude de Melo, presidente da Abrati, associação que congrega as empresas de transporte terrestre de passageiros, o brasileiro começa a viajar novamente, principalmente dentro do país. “O transporte rodoviário tem papel importante na retomada do turismo interno. As empresa oferecem serviços diferenciados, segurança e facilidades como a compra de passagens online e o despacho de bagagens”, comentou.

De acordo com o diretor executivo da OTM Editora e co-organizador do evento, Marcelo Fontana, a expectativa é de que a Lat.Bus 2021 – Seminário NTU atraia mais de três mil participantes. “O conteúdo ficará disponível na plataforma por 30 dias, após o encerramento do evento. O modelo é o mais próximo possível de um evento presencial”, observou.

Confira: Lat.Bus Transpúblico – Seminário NTU

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