Emplacamentos de ônibus caem 40,5% em agosto, mas acumulado segue positivo

Primeira quinzena do mês mostra retração sobre 2024, enquanto no acumulado do ano, o segmento ainda cresce 12,9%; ônibus elétricos triplicam participação no mercado

Aline Feltrin

Os emplacamentos de ônibus no Brasil somaram 959 unidades na primeira quinzena de agosto, uma queda de 40,5% em relação às 1.612 unidades do mesmo período de 2024, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Na comparação com julho deste ano, quando foram registrados 1.361 ônibus, a retração foi de 29,5%. Apesar da forte queda no mês, o acumulado de 2025 ainda mostra avanço: de janeiro a agosto foram 17.828 unidades, alta de 12,9% sobre as 15.784 do mesmo intervalo de 2024.

Para Tereza Fernandez, economista da Fenabrave, o comportamento do mercado era esperado. “No início do ano, vimos um crescimento forte, de quase 50% em janeiro frente a janeiro de 2024, mas isso refletia uma base baixa e a entrada de encomendas já contratadas. À medida que os meses avançam, esse crescimento tende a se diluir. É um movimento totalmente previsível”, afirmou durante coletiva de imprensa no 33º Congresso & ExpoFenabrave.

Segundo ela, o desempenho de 2025 está ligado, em parte, ao grande volume de compras realizadas no ano passado, especialmente para atender o programa Caminho da Escola. “Agora estamos apenas absorvendo essas entregas. Não há novidade estrutural que sustente expansão no segundo semestre”, completou.

Ônibus elétricos triplicam participação no mercado

Os ônibus elétricos seguem em expansão no Brasil, mesmo representando uma fatia pequena do mercado total. Entre janeiro e agosto de 2025, foram 491 unidades emplacadas de janeiro até dia 11 de agosto, um salto de 214,7% em relação às 156 registradas no mesmo período de 2024, segundo a Fenabrave.

O desempenho coloca o segmento como um dos mais dinâmicos dentro da categoria de veículos eletrificados. No mesmo intervalo, o mercado total de eletrificados — que inclui leves, pesados e motocicletas — cresceu 48,2%, somando 157,2 mil unidades.

Para especialistas, o avanço dos elétricos no transporte coletivo está diretamente ligado aos programas de renovação de frota conduzidos por grandes capitais, como São Paulo, Curitiba e Salvador, que já operam linhas com veículos não poluentes.

Apesar da evolução, os desafios ainda são significativos. A economista Tereza Fernandez avalia que a escala de produção e a infraestrutura de recarga continuam sendo barreiras. “A eletrificação no transporte público é inevitável, mas depende de linhas de financiamento específicas e de maior suporte governamental. O movimento é irreversível, mas gradual”, finalizou.

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