As melhores e piores cidades para cobertura digital rodoviária no país
Levantamento do BuscaOnibus revela desigualdade na oferta de rotas e aponta desafios de digitalização e logística no transporte rodoviário brasileiro
Publicado em 25/08/2025 por Redação

Um levantamento realizado pela plataforma BuscaOnibus revela quais cidades brasileiras apresentam melhor e pior cobertura de linhas de ônibus. O índice analisado representa o percentual de buscas por destinos que não resultam em passagens disponíveis — indicando ausência de linhas operadas ou ausência de oferta no ambiente digital. Os dados são referentes a pesquisas feitas no mês de maior movimentação rodoviária no país (janeiro/2025).
Entre as cidades com maior percentual de buscas sem disponibilidade de rotas, destaque para Natal/RN (46,83%), Bagé/RS (39,26%), Vitória/ES (36,97%), Recife/PE (36,82%) e Maceió/AL (36,34%). Cidades relevantes como Santos/SP e Joinville/SC, a mais populosa do estado, também apresentaram alto índice de “não cobertura”, respectivamente 23% e 22%.
Em capitais e cidades de médio porte, um índice elevado de “não cobertura” reflete uma lacuna na digitalização do setor, já que, mesmo havendo linhas disponíveis, a venda ocorre apenas de forma presencial nas rodoviárias. Outro fator que afeta esses resultados é a falta de integração digital entre o transporte intermunicipal e o interurbano.
“Em muitas cidades-satélite, as rotas curtas — frequentemente entre municípios vizinhos — são operadas por sistemas de transporte interurbano, geralmente geridos e regulados em âmbito municipal ou estadual. Na maioria dos casos, esses sistemas não possuem integração digital com as plataformas do transporte intermunicipal e interestadual, regulado pela ANTT, o que gera lacunas na oferta on-line. Assim, horários de ônibus que poderiam aparecer nos sites de venda de passagens, acabam não sendo exibidos, dificultando a vida dos viajantes”, explica José Almeida, CEO do BuscaOnibus.
No Rio Grande do Sul, além de Bagé, polos como Pelotas (35,09%), Santa Maria (23,12%) e a própria capital Porto Alegre (21,34%) aparecem com índices elevados. Segundo Almeida, essa realidade no estado se explica por fatores como a baixa digitalização de rotas, restrições regulatórias e a necessidade de emissão de notas fiscais na origem, o que dificulta a operação on-line. “Em alguns casos, o próprio histórico do setor — que antes tinha rodoviárias como operadoras — criou estruturas rígidas e pouco adaptadas ao ambiente digital”, afirma.
Desafios geográficos
O levantamento também identificou cidades menores com baixa cobertura de linhas devido a barreiras geográficas. É o caso de São Francisco do Sul/SC, com 87% de buscas sem resultado, e Paranaguá/PR, com 77%, ambas dependentes de travessias por ferry-boat. Um exemplo de avanço nesse sentido vem de Ilhabela/SP, que antes só possuía conexão até São Sebastião, exigindo balsa para o destino final, mas hoje conta com integração direta operada pela viação Pássaro Marrom.
CIDADES DE MÉDIO E GRANDE PORTE COM MENOR COBERTURA DE LINHAS DE ÔNIBUS
Onde a cobertura é melhor
Na outra ponta, o ranking das cidades com menor índice de “não cobertura” — e, portanto, melhor oferta de rotas online — é dominado por municípios de São Paulo (Marília, Limeira e a Capital) e Paraná (Cascavel, Curitiba, Ponta Grossa e Maringá), além das capitais Goiânia e Cuiabá. A boa cobertura é um indicativo de mobilidade e dinamismo econômico, já que essas regiões têm registrado crescimento populacional e de atividade nos últimos anos.
“Se o setor rodoviário quer manter sua relevância, precisa se conectar aos roteiros turísticos, integrando as rotas regionais e oferecendo informações claras e acessíveis para o viajante. Temos um potencial enorme no turismo interno, mas é preciso pensar a mobilidade como parte da experiência. Onde o ônibus não chega ou não aparece nas pesquisas, o visitante pode desistir da viagem”, alerta o CEO do BuscaOnibus.
CIDADES DE MÉDIO E GRANDE PORTE COM MAIOR COBERTURA DE LINHAS DE ÔNIBUS
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